Editorial de fevereiro | Folha Espirita online

Editorial de fevereiro

Espiritismo, 155 anos

Desde 18 de abril de 1857, já lá se vão praticamente 155 anos, a Doutrina Espírita tem seguido um caminho único no mundo, porque, pela primeira vez na história humana, procura implantar-se, como uma concepção religiosa natural, sem render-se aos artificialismos dos dogmas e rituais e sem os constrangimentos das hierarquias impostas. É bem verdade que sua expansão maior praticamente só tem se verificado no Brasil, embora, nas últimas décadas, venha alcançando expressivo número de adeptos, em outros países, como é o caso de Portugal, Espanha, Colômbia, Guatemala, Cuba, Argentina e Porto Rico. Constata-se o reflexo desse fato no aumento de adesão ao Conselho Espírita Internacional (CEI), que, praticamente, triplicou o número de países participantes, desde a sua fundação em outubro de 1992. Como fruto do seu desenvolvimento, o CEI já vai para a realização do seu 6º Congresso Espírita Mundial, em Cuba, em março de 2013.

Mas um fato ainda mais notável ocorre no Brasil. Mais de 50% de sua população crê em um ou mais princípios básicos do Espiritismo: a sobrevivência da alma, a reencarnação, a comunicabilidade dos espíritos, a pluralidade dos mundos habitados. Essas características especiais explicam o fato de que haja milhões de simpatizantes da Doutrina Espírita entre os brasileiros, que os fazem aceitar com naturalidade esses temas, quando veiculados na TV, no teatro ou no cinema.

São inequívocos também o amor e o respeito da população por Chico Xavier. O médium não apenas foi colocado, em pesquisa feita pela revista Veja de janeiro de 1996, entre as 20 personalidades que mais alegrias deram aos brasileiros, como também ficou entre as cinco primeiras personalidades mais votadas, indicadas pelos entrevistados para serem reproduzidos através de um processo de clonagem (O Estado de S. Paulo, 1/3/97). O médium foi eleito ainda em votação popular como o “Mineiro do Século” e mereceu uma homenagem cinematográfica das mais notáveis.

Certa vez, Chico Xavier disse-nos que o povo brasileiro tem um entranhado amor por Jesus Cristo. Talvez a explicação esteja aí. Quem ama Jesus tem facilidade para aceitar os princípios lastreados no coração.

Não temos dúvida, porém, de que o Movimento Espírita precisa amadurecer. Se entre os espíritas a pesquisa demonstrou estarem os mais aquinhoados financeiramente e também os que mais receberam em talentos intelectuais, não resta dúvida de que precisamos produzir mais. E cada um deve dar a sua contribuição na área em que foi chamado a atuar, mantendo a fraternidade legítima como guia.

Kardec entregou o Espiritismo ao povo, conforme se lê neste trecho (A Gênese, cap. 1): “... em suma, estudamos e demos ao público o fruto das nossas indagações, sem atribuirmos aos nossos trabalhos valor maior do que o de uma obra filosófica deduzida da observação e da experiência, sem nunca nos considerarmos chefe da Doutrina, nem procurarmos impor as nossas ideias a quem quer que seja.”

Vale a pena repetir: Kardec nunca se considerou chefe. Ele entregou a responsabilidade da vivência doutrinária a cada um dos seguidores. Por isso, onde quer que estejamos, seja qual for a profissão que exerçamos, o Plano Superior cobrará de nós, segundo os talentos recebidos.

Teremos de prestar contas do que fizemos para viver, divulgar e respeitar a Doutrina.


Fevereiro de 2012