O caminho da paz | Folha Espirita online

O caminho da paz

O Apóstolo Pedro disse: “Busque a paz e siga-a”.

Todos nós ansiamos pela paz. Fazemos passeatas, mobilizamos amigos, engajamo-nos em campanhas... No entanto, lembra o benfeitor Emmanuel: “Há muita gente que busca a paz; raras pessoas, porém, tentam segui-la.”

Eis a dificuldade: seguir o caminho da paz. Nosso Mestre Jesus já nos alertara quanto aos nossos descaminhos, quando afirmou: “A minha paz vos deixo. A minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá.” Realmente, a paz do Cristo é diferente da paz do mundo. Durante milênios, até os dias de hoje, temos chamado de período de paz aquele em que nos preparamos para novas guerras, em completo desacordo com os ensinamentos do Cristo.

E por que é tão difícil seguir o verdadeiro caminho da paz?

Chico Xavier aponta-nos com clareza onde está a diferença: “A paz em nós não resulta de circunstâncias externas e, sim, da nossa tranquilidade de consciência no dever cumprido.” Tudo gira em torno disto: o mundo não nos pode dar a paz, porque, antes de qualquer coisa, ela significa conquista interior. É o indivíduo que dá paz ao mundo, construindo-a dentro do coração através do dever retamente cumprido.

Afirma O Evangelho Segundo o Espiritismo que “o dever é obrigação moral, diante de si mesmo primeiro e dos outros em seguida”. Temos de O caminho da paz cumpri-lo, portanto, diante de nós mesmos, da nossa família, do nosso trabalho e do mundo que nos abriga. Mas não é fácil. “Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de ser cumprido, porque se acha em antagonismo com as seduções do interesse e do coração...” Raramente cumprimos os deveres a que nos propusemos na existência terrestre, porque nos deixamos empolgar por interesses outros, que repontam de nossas paixões inferiores. Deixamonos seduzir pela posse de bens materiais, pelo poder transitório do mundo, por ligações afetivas fora do contexto de nossa programação reencarnatória.

Mas como saber onde começa e termina o dever que abraçamos?

A Espiritualidade Superior já nos deu um roteiro seguro: “O dever começa precisamente no ponto em que a nossa atitude ameaça a felicidade ou a tranquilidade do nosso próximo, termina no limite em que não gostaríamos de ver ultrapassado em relação a nós mesmos.”

Assim, seguir o caminho da paz significa ter paciência com os familiares, por mais difíceis que sejam; aturar o marido incompreensivo, a mulher desequilibrada, os filhos problemáticos. Contribuiremos muito mais para a paz no mundo se perdoarmos mais, compreendermos mais, tolerarmos mais, na nossa vida em família, no ambiente de trabalho, em nossa vida social.

No início de um novo ano é sempre bom pensar no caminho da paz.

E, mais importante, segui-lo.

Janeiro de 2010