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Você está doente?

Marlene Nobre
para o programa Portal de Luz

E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará. (Tiago, 5:15)

Existem apontamentos muito interessantes de Emmanuel sobre a questão da doença e da saúde. O Benfeitor afirma que há pessoas que acreditam que somente o medicamento pode restaurar completamente a saúde. Sem dúvida, o “comprimido ajuda, a injeção melhora, no entanto, a gente não pode esquecer que os verdadeiros males procedem do coração”. Quer dizer, se estamos doentes, temos de pensar na força da mente como fonte de bem-estar.

Por exemplo: “De que vale a medicação exterior, se o doente prossegue triste, acabrunhado ou insubmisso?”“Quantos doentes pedem socorro aos médicos humanos ou aos benfeitores espirituais, mas, ao surgirem as primeiras melhoras, abandonam o remédio ou o conselho salutar e voltam aos mesmos abusos que o conduziram à enfermidade?” Vemos isso acontecer todos os dias.

Os pacientes não querem mudar seus hábitos de vida, mesmo sabendo que são a fonte dos seus males. Por isso é tão importante os conselhos da Medicina da Alma, fundamentados no Espiritismo, porque eles educam o paciente quanto à sua necessidade de mudança interior por meio do autoconhecimento e da reforma íntima.

Sob a influência da Medicina do Corpo, a que é praticada atualmente em todo o mundo, quase nunca pensamos nisso, mas o paradigma médico-espírita nos convida a raciocinar nos termos de fé viva. Como recuperar a saúde se permanecemos no estado de cólera ou de desânimo? Emmanuel refere-se à indignação diária, a propósito de tudo, de todos e de nós mesmos. Esse é um hábito pernicioso, de consequências imprevisíveis para o nosso organismo. O Benfeitor ensina que “o estado colérico é o responsável pelo maior número de óbitos em nosso mundo”. Isso não quer dizer que não possamos ter uma indignação justa, de vez em quando, mas há de ser um estado raro, não pode ser um hábito.

São muito úteis também as demais observações que ele faz sobre o desalento, mostrando que nesse estado a pessoa entra em um “clima anestesiante, que entorpece e destrói”.

Lembra que o doente deve procurar não despender seu tempo valioso com conversas infrutíferas ou com destemperos que extinguem suas forças. A maledicência é um desses hábitos nocivos que leva à perda de tempo precioso, porque a pessoa se consome em horas inúteis.

Raciocinando dessa forma, o doente passa a guardar suas energias para a recuperação necessária. Se não sabemos calar, nem desculpar, se não ajudamos, nem procuramos compreender, como é que vamos adquirir o equilíbrio orgânico? Devemos aproveitar todo o socorro que nos é oferecido, tanto na Terra quanto no Plano Espiritual, a fim de não desperdiçarmos energias com atitudes imprevidentes e inúteis.

As enfermidades são lembretes importantes em nossas vidas. Se soubermos aproveitá-los, eles contribuirão e muito para a nossa evolução espiritual. Desse modo, a doença deve nos inclinar à reflexão. Nesse estado, é aconselhável que a criatura procure a harmonização consigo mesma e com o próximo. Deve inclinar-se, portanto, à humildade, à verdadeira aceitação dos desígnios superiores.

Emmanuel acentua: “Se estás doente, meu amigo, acima de qualquer medicação, aprende a orar e a entender, a auxiliar e a preparar o coração para a Grande Mudança”.

E complementa: “Desapega-te de bens transitórios que te foram emprestados pelo Poder Divino, de acordo com a Lei do Uso, e lembra-te de que serás, agora ou depois, reconduzido à Vida Maior, onde encontramos sempre a própria consciência.”

O convite é para que esqueçamos a brutalidade e enriqueçamos os fatores de simpatia pessoal, pela prática do amor fraterno.

Como é que obteremos êxito? Buscando estudar mais, meditar mais, para alcançar a nossa intimidade mais profunda.

E o Benfeitor conclui: “Guarda lealdade ao ideal superior que te ilumina o coração e permanece convicto de que se cultivas a oração da fé viva, em todos os teus passos, aqui ou além, o Senhor te levantará”.