Edição março de 2019 | Folha Espirita online

Edição março de 2019

FE de janeiro 2019
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    O nosso papel no combate à corrupção por um país melhor

    Os direitos humanos e as lições do Cristo

    Nunca desistir e sempre se levantar

    O amor e a solidariedade

    Santos ganha república para idosos

    A proximidade de julho de 2019

    Guia da gentileza melhora o dia a dia

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EDITORIAL

O amor e a solidariedade, por Ricardo Boechat

Em 23 de fevereiro, Veruska Seibel Boechat, viúva do jornalista Ricardo Boechat, que desencarnou em um acidente de helicóptero em 11 de fevereiro, deixando um vazio nos lares brasileiros, publicou em suas redes sociais um texto recente, escrito pelo marido, que fala sobre o amor e a solidariedade. Como homenagem àquele que foi a nossa voz em muitos momentos, reproduzimos o texto, que traz uma reflexão sobre aquilo que devemos ser e viver.

“Dizem os sábios que os primeiros registros a respeito do amor surgiram ainda na pré-história. Os estudiosos admitem que, em algum momento, por volta de 1.500.000 antes de Cristo, esse sentimento sublime aflorou no coração de nossos mais remotos ancestrais, ou foi por eles, então, percebido. Desde então, a força do amor vem inspirando os homens em suas mais profundas crenças e criações. Sua densidade infinita levou-nos à devoção de deuses, concebidos ante a certeza de que algo tão elevado só poderia ter surgido de instância divina. Na nossa escala de valores, naquilo que cultivamos, geração após geração, ele é a fonte e a razão da própria vida. Sem o alimento que ele fornece, nem religiões, nem artes, nada, enfim, existiria. Esse protagonismo, entretanto, merece uma provocação. O tempo nos fez, também, evoluir. E aquilo em que nos transformamos permite que nos perguntemos se o amor, a despeito do tanto que é e sempre foi, seria, de fato, a mais elevada expressão do que somos como espécie. Será o amor o sentimento que mais nos caracteriza? Aquele que melhor nos distingue dos outros seres da Natureza? Se ele surge espontaneamente; se não depende de nossas decisões quando floresce ou morre, pode, então, estar no topo dos valores que reverenciamos? Nada contra o amor, claro. Sou um apaixonado crônico. Mas penso que essa primazia não cabe a ele e, sim, à solidariedade. Esta é, também, um sentimento. E um sentimento que não existe sem o amor. Mas a solidariedade vai além. É o sentimento associado à ação. É o que floresce como amor, porque somos o campo fértil dessa semente, mas que prospera se estendemos a mão ao próximo, àquele que precisa de nós. É o ato racional, e, por isso mesmo, essencialmente humano. É o gesto de estender a mão, de acolher o semelhante, de dividir o pão. Sermos solidários é demonstrar capacidade de transformar o amor em atos. É fazermos jus ao que temos de melhor.”

“Sermos solidários é demonstrar capacidade de transformar o amor em atos”