Edição maio de 2019 | Folha Espirita online

Edição maio de 2019

FE de janeiro 2019
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Kardec chega ao grande público pelos cinemas de todo o País

    Infância e adolescência ganham cartilha

    Deus, a força do bem que nos conduz

    Da França ao Brasil

    Receita para quem carrega mágoas

    Música, instrumento de transformação social

    Adoção à luz do Espiritismo



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EDITORIAL

Filme fortalece vínculos com a Doutrina

Neste mês de maio, as salas de cinema exibirão mais um longa-metragem que irá emocionar o público espírita: o novo filme do diretor Wagner de Assis, Allan Kardec, a história por trás do nome, baseado na biografia escrita por Marcel Souto Maior, mesmo autor do livro que deu origem a outra importante cinebiografia espírita, Chico Xavier - o filme”, lançado em 2010 e dirigido por Daniel Filho.

Aqui, ao narrar a vida do educador francês Hypolite Leon Denizard Rivail, conhecido por todos nós como Allan Kardec, Wagner de Assis nos ajuda a compreender, conforme diz o próprio título, o que há por trás do nome que se tornou famoso: quais foram os aspectos sensíveis e tocantes da vida do codificador da Doutrina Espírita, tais como a sua preocupação em não falhar, a exaustão a que chegou em determinados momentos, e mesmo o sofrimento diante das críticas que recebeu continuadamente, sempre amparado por sua incansável esposa.

A trama o acompanha desde 1852, quando o então professor Rivail, discípulo do pedagogo suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) ainda atuava como educador, e termina à época em que ele, já como Allan Kardec, nome trazido de uma antiga encarnação como druída, passa a colher as alegrias e também inúmeras críticas decorrentes da publicação de O Livro dos Espíritos (1857) e O Livro dos Médiuns (1861).

Citada brevemente em uma cena do filme, a relação entre Kardec e Pestalozzi também merece a nossa atenção. O educador suíço possuiu, entre os anos de 1805 e 1825, na cidade de Yverdon-les-Bains, o renomado Instituto que levava o seu nome, onde foi visitado por grandes vultos da educação na Europa, e também por estudantes anônimos de Pedagogia. Entre eles, esteve o jovem Rivail, à época com apenas 19 anos, décadas antes de descobrir-se responsável pela codificação da nossa Doutrina. Além de ser considerado excelente aluno no Instituto, Rivail também fundou em Paris, assim que voltou, um instituto de ciências sob os princípios educacionais de seu mestre, e que posteriormente se revelaria muito coerente com os princípios morais da Doutrina Espírita que viria a codificar. O método pestalozziano valorizava o amor e o acolhimento das emoções individuais de cada aluno.

Kardec era um homem estudioso e que se guiava pela razão, e isso fica claro no filme de Wagner de Assis. Ele executou o seu trabalho através de um método organizado, tal qual exigiria a mais pura ciência. Ou seja, se para que um experimento fosse tomado como verdadeiro pelo meio cientifico, deveria ser realizado sob regras austeras e imutáveis, a fim de que, quando repetido, seus resultados permanecessem os mesmos, foi assim mesmo que Kardec o fez ao comunicar-se com o além: com cuidado, austeridade, e verificando a autenticidade das mensagens repetidas vezes. Mesmo assim, não recebeu a aprovação dos colegas materialistas.

Resta refletirmos o quanto a nossa sociedade tem mudado quanto a isso, e o quanto Kardec colaborou para que hoje, entre médicos e cientistas respeitados, profissionais da Educação Básica e seus alunos, esteja se tornando comum a comprovação da eficácia de passes, meditação e preces, bem como a conexão com a espiritualidade, embora o tema continue envolto por preconceitos.

Apesar de narrar a história do Codificador, a produção poderá agradar outros públicos, justamente por valorizar a postura investigativa de Kardec. Para o espectador espírita, porém, o filme traz razões ainda mais fortes para emocionar e elevar, inspirar e mesmo fortalecer os nossos vínculos com a Doutrina. Impossível não sairmos mais convictos e comprometidos do que antes de entrarmos na sala do cinema. Como descansarmos a partir de agora, defendendo o nosso conforto próprio, ao lembramos da persistência humilde e determinada de Kardec diante do imenso trabalho que o esperava? Como negarmos empenho na condução da nossa reforma moral e do nosso aprimoramento como espíritas cristãos, tendo agora testemunhado o esforço visceral, o comprometimento incansável do grande professor Rivail?