Edição maio de 2020 | Folha Espirita online

Edição maio de 2020

FE de maio 2020
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Coronavírus: uma reflexão com base em Kardec e o olhar médico-espírita

    Na trilha de um mundo melhor

    O indígena sob a ótica espírita

    Crianças na quarentena

    O verdadeiro seguidor do Cristo

    Espírito, perispírito e alma

    Arigó em breve nos cinemas



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EDITORIAL

A caminho de um mundo melhor

A máxima “fora da caridade não há salvação” exprime a força e presença do Cristianismo puro na Doutrina Espírita. Conforme o capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, toda a moral de Jesus se resume nestas duas palavras: caridade e humildade. E o que o momento atual teria a ver com sentimentos tão sublimes?

Neste momento de pandemia, com a Covid- 19, todos temos tido a oportunidade de exercitar os nossos impulsos de caridade, sejam eles por meio da prece, dos pensamentos ou de ações. Observa-se que pessoas, organizações e empresas têm se mobilizado ao redor do planeta, doando dinheiro, recursos e todo o tipo de auxílio para sustentar as camadas mais pobres da população, impossibilitada de garantir a sua própria subsistência, além de materiais e equipamentos de proteção para profissionais da área da saúde, que agora se encontram diante do enorme desafio de arriscar suas próprias vidas em favor dos milhões de cidadãos contaminados. O sentimento de união surge com força em toda a parte, pois há uma consciência de que estamos todos na mesma “tempestade”, e não basta salvar a si mesmo sem estender a mão para o semelhante.

Encontramos no capítulo XVIII de A Gênese, de Allan Kardec, livro publicado em 1868, a seguinte reflexão, que nos ajuda a compreender o momento atual: “Até aqui, a humanidade tem realizado incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes, ainda, um imenso progresso a realizar: fazerem que reinem entre si a caridade, a fraternidade e a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. [...] O homem já não necessita somente de desenvolver a inteligência, mas de elevar o sentimento; para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite nele o egoísmo e o orgulho”.

Não seria justamente a pandemia uma oportunidade bendita para nos sentirmos irmãos em humanidade, uns dos outros? Não seria esta a ocasião certa para operarmos a revolução moral que tanto almejamos? A pandemia que, para alguns, parece ser uma verdadeira tragédia que vem atrapalhando vidas, negócios e causando estragos na economia mundial, pode ser vista por outra perspectiva, mais profunda e renovadora.

Continuamos em A Gênese: “É o que se nota quase sempre depois dos grandes choques que dizimam as populações. Os flagelos destruidores apenas destroem corpos, não atingem o Espírito; ativam o movimento de vaivém entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual e, por conseguinte, o movimento progressivo dos Espíritos encarnados e desencarnados. É de notar-se que, em todas as épocas da história, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais, destinados a realizar uma remodelação da humanidade”.

Fica aqui o convite para que aproveitemos o momento atual colocando em prática os nossos valores cristãos com ainda mais determinação, fé e amor. É hora de entendermos que, ao renovarmos o nosso íntimo, buscando dar o nosso melhor em tudo o que fizermos, buscando na caridade, na humildade e no amor ativo o nosso caminho, estaremos criando, por consequência, possibilidades de paz e harmonia em nosso planeta nesta nova etapa que se inicia.
Sigamos confiantes!