Folha Espirita online

Edição junho de 2020

FE de junho 2020
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Velhice: tempo de simplicidade e maior espiritualidade

    AME-Brasil: 25 anos conectando Medicina e Espiritismo

    O despertar da humanidade

    Morte e Espiritismo em tempos de coronavírus

    Espírito, perispírito e alma

    O final de um plantão e a retomada de uma vida



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EDITORIAL

Mais um golpe para o despertar da humanidade

O impacto causado pela Covid-19 ainda é imprevisível. O que se sabe é que feridas profundas, que demandarão mudanças reais em nossas vidas, em nossa forma de viver e nos trarão uma responsabilidade muito grande diante dos nossos semelhantes, nos convidarão a olhar de forma efetiva para aqueles que sofrem e ainda sofrerão. Não temos dúvidas de que uma das heranças da maior crise de saúde dos últimos 100 anos deverá ser uma total e escancarada observação sobre a forma hedonista, materialista e individualista que levávamos nossas vidas – e por que não dizer sobre o nosso comportamento para com a sociedade. Basta lembrar o quanto nossa forma de convívio no lar foi afetada, ao sermos obrigados a mudar a rotina com nossos parentes, o que era improvável pensar em um cotidiano que a vida fora do lar nos levava, maior que os momentos de interação doméstica.

Sem dúvida, são chegados os tempos em que as transformações que relegamos durante milênios clamam por urgência. Como um aluno que pretende passar para a série seguinte e precisa provar os seus conhecimentos em um exame de avaliação, somos convocados por nós mesmos a colocar à prova as transformações morais que se constituem como bases para o Mundo de Regeneração. E quando falamos sobre transformação moral, não há como enganar, não há como fazer de conta, não há como “colar” (copiar) do outro para respondermos ao nosso próprio testemunho.

No fechamento desta edição, registramos com alegria, na matéria de capa, a importância de uma das mudanças comportamentais a que somos convidados a ter com nossos idosos. Por outro lado, nos entristeceu ver que no país mais rico do mundo eclodiu o grito abafado de uma sociedade que clama por igualdade racial, expondo para todos que também sofre e carrega as mesmas chagas de forma secular, entrepondo um relacionamento de fraternidade que deveria predominar nos quatro cantos do globo, por repetidas situações de descriminação, indiferença e exploração.

As manifestações em solo americano decorrentes da morte do cidadão George Floyd, que evidencia claramente uma violência com bases racistas, nos convidam a uma reflexão profunda sobre a condição de igualdade e respeito, que deverão ser o único código de convivência para o Novo Mundo. Assim, como a eclosão das manifestações em solo americano, que, com certeza, deverão se expandir e se repetir pelo mundo, veremos ainda mais e mais chagas surgirem na superfície de nossa observação para serem encaradas pelo bálsamo do amor, do respeito e da caridade, que deverão nos curar. Sigamos confiantes e atentos para os sinais de renovação que urgem em nossa sociedade. Muita paz!

Edição maio de 2020

FE de maio 2020
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Coronavírus: uma reflexão com base em Kardec e o olhar médico-espírita

    Na trilha de um mundo melhor

    O indígena sob a ótica espírita

    Crianças na quarentena

    O verdadeiro seguidor do Cristo

    Espírito, perispírito e alma

    Arigó em breve nos cinemas



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EDITORIAL

A caminho de um mundo melhor

A máxima “fora da caridade não há salvação” exprime a força e presença do Cristianismo puro na Doutrina Espírita. Conforme o capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, toda a moral de Jesus se resume nestas duas palavras: caridade e humildade. E o que o momento atual teria a ver com sentimentos tão sublimes?

Neste momento de pandemia, com a Covid- 19, todos temos tido a oportunidade de exercitar os nossos impulsos de caridade, sejam eles por meio da prece, dos pensamentos ou de ações. Observa-se que pessoas, organizações e empresas têm se mobilizado ao redor do planeta, doando dinheiro, recursos e todo o tipo de auxílio para sustentar as camadas mais pobres da população, impossibilitada de garantir a sua própria subsistência, além de materiais e equipamentos de proteção para profissionais da área da saúde, que agora se encontram diante do enorme desafio de arriscar suas próprias vidas em favor dos milhões de cidadãos contaminados. O sentimento de união surge com força em toda a parte, pois há uma consciência de que estamos todos na mesma “tempestade”, e não basta salvar a si mesmo sem estender a mão para o semelhante.

Encontramos no capítulo XVIII de A Gênese, de Allan Kardec, livro publicado em 1868, a seguinte reflexão, que nos ajuda a compreender o momento atual: “Até aqui, a humanidade tem realizado incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes, ainda, um imenso progresso a realizar: fazerem que reinem entre si a caridade, a fraternidade e a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. [...] O homem já não necessita somente de desenvolver a inteligência, mas de elevar o sentimento; para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite nele o egoísmo e o orgulho”.

Não seria justamente a pandemia uma oportunidade bendita para nos sentirmos irmãos em humanidade, uns dos outros? Não seria esta a ocasião certa para operarmos a revolução moral que tanto almejamos? A pandemia que, para alguns, parece ser uma verdadeira tragédia que vem atrapalhando vidas, negócios e causando estragos na economia mundial, pode ser vista por outra perspectiva, mais profunda e renovadora.

Continuamos em A Gênese: “É o que se nota quase sempre depois dos grandes choques que dizimam as populações. Os flagelos destruidores apenas destroem corpos, não atingem o Espírito; ativam o movimento de vaivém entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual e, por conseguinte, o movimento progressivo dos Espíritos encarnados e desencarnados. É de notar-se que, em todas as épocas da história, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais, destinados a realizar uma remodelação da humanidade”.

Fica aqui o convite para que aproveitemos o momento atual colocando em prática os nossos valores cristãos com ainda mais determinação, fé e amor. É hora de entendermos que, ao renovarmos o nosso íntimo, buscando dar o nosso melhor em tudo o que fizermos, buscando na caridade, na humildade e no amor ativo o nosso caminho, estaremos criando, por consequência, possibilidades de paz e harmonia em nosso planeta nesta nova etapa que se inicia.
Sigamos confiantes!

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