Folha Espirita online

Edição setembro de 2018

FE de setembro 2018
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Homens e mulheres. Iguais perantea Lei de Deus

    A mudança do Brasil pelo nosso voto

    Independência e Espiritualidade

    Setembro Amarelo e o suicídio

    Mudanças mentais e equilíbrio celular

    A diferença entre nós e um óvulo fecundado

    Ontem a agressora, hoje a vítima

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EDITORIAL

Setembro Amarelo

Os dados estarrecedores, porém pouco propagados na mídia a respeito do suicídio, denotam um certo comportamento velado, um silêncio em torno do assunto. Ao destacarmos este mês para falar sobre a prevenção ao suicídio, temos uma excelente oportunidade para trazer a lume os inúmeros fatores de risco, bem como serviços de apoio e assistência aos que padecem.

De forma muito consciente da importância do tema, e ciente de sua responsabilidade como comunicador, o jornalista André Trigueiro dedicou-se a escrever sobre o assunto na edição de 1º de setembro do jornal O Globo, reforçando a informação da Organização Mundial de Saúde que indica que o suicídio já seria a segunda principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos, sendo que no Brasil o número de casos aumentou 65% entre pessoas de 10 a 14 anos e 45% no grupo que vai dos 15 aos 19 anos (entre 2000 e 2015), enquanto na média geral da população o aumento nesse período foi de 40%.

Sem dúvida, são dados alarmantes, e pesquisas indicam que em mais de 90% dos casos confirmados de suicídio há relação com patologias de ordem mental, especialmente depressão. O mês de discussão ajuda-nos a compreender um pouco mais como é possível perceber sinais que podem culminar no ato suicida. Claro que não é fácil perceber, mas vale observar indícios como o isolamento do convívio social, desinteresse e desalento acentuados. Esses são pontos que merecem cuidado. Algumas frases soltas e recorrentes como “se não der certo eu desisto de tudo” ou “não suporto mais nada” – ainda que pareçam ter pouca relevância – também merecem atenção.

Diante de caracterizações de ideação suicida é fundamental que se atue de forma rápida, procurando ajuda especializada para a melhor recomendação terapêutica. O Centro de Valorização da Vida (CVV), que teve seu trabalho iniciado em 1962, em São Paulo, tem números de atendimentos cada vez maiores. A organização realiza um serviço voluntário de apoio emocional e prevenção ao suicídio por telefone ou pela internet. As ligações feitas para o número 188 passaram a ser gratuitas em todo o território nacional. Para se aproximar da camada mais jovem da população, a instituição vem operando com grande êxito um chat que abre um canal de comunicação direta com os mais jovens.

Não há dúvida de que a busca pela espiritualidade e a prática da caridade têm muito a colaborar com as pessoas como medidas preventivas contra o suicídio. O Setembro Amarelo é muito importante, ao divulgar informações úteis que podem evitar tragédias, e ainda fomenta a criação de redes de apoio e de atenção que extrapolem o universo dos profissionais de saúde.

Façamos parte desse movimento, levando aos corações a Doutrina Espírita como fonte de paz e equilíbrio para as questões existenciais, que nos consola, esclarece e transforma. E que a gratidão pela vida e o amor pelo semelhante possam ser nossas bandeiras em mais um Setembro Amarelo.

Edição agosto de 2018

FE de agosto 2018
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Meditação, a busca pelo equilíbrio das emoções e da mente

    Água é indício de vida em Marte?

    Morte de entes queridos

    Hilda Hilst e a imortalidade da alma

    O exemplo de Leopoldo Machado

    A importância da gratidão

    Uma geração conectada e despreparada

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EDITORIAL

Brasil homenageia Hilda Hilst e descobre a TCI

A 16ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que aconteceu de 25 a 29 de julho, homenageou a escritora Hilda Hilst, que representa como poucas a literatura contemporânea ao explorar gêneros como poesia, ficção, teatro e crônica e versava sobre temas como o amor, a morte, Deus, a finitude das coisas e a transcendência da alma.

Ao mergulhar na obra da autora e sua biografia, a cena literária nacional deparou-se com um lado curioso de Hilst: sua inquietude com a finitude da vida, que era muito explícita em suas poesias, sua dedicação a conseguir se comunicar com os mortos. A escritora tinha convicção da vida após a morte e buscava uma conexão com a Ciência para ter essa certeza. Sua busca não era uma prática religiosa, mas um método científico.

Hernani Guimarães Andrade, o grande cientista espírita brasileiro, em seu livro A Transcomunicação Através dos Tempos, relatou-nos a experiência:
“Hilda Hilst começou a interessar-se pela TCI, após a leitura do livro de Friedrich Juergenson, Telefone Para o Além. Aproximadamente em 1972, decidiu-se a repetir as experiências de Juergenson. Inicialmente, Hilda usou um gravador pequeno e de qualidade inferior. Deixava-o ligado, ora sozinho, ora perto dela ou de outras pessoas. Durante muito tempo não logrou qualquer gravação de vozes do Além. A primeira vez que ela conseguiu uma captação foi enquanto conversava com uma amiga cética. Esta dizia que só acreditaria naquelas experiências diante de provas. Foi nessa ocasião que no gravador, que estava ligado, surgiram as palavras: ‘Ah, querido.’ Hilda entusiasmou-se e, dali em diante, nas suas gravações, surgia, de vez em quando, a palavra ‘ankar’, nada mais. Numa ocasião em que conversava com um amigo que iria submeter-se a um transplante de rim, apareceu na fita do gravador, que se achava funcionando em meio à conversação, a expressão: ‘Que dia lindo!’ Hilda Hilst procurou aperfeiçoar a técnica das gravações. Passou a usar o rádio acoplado ao gravador. Com o tempo e a persistência, ela foi treinando também a sua capacidade auditiva e passou a obter maior número de vozes.”

Vale aqui observarmos a convicção e a coragem dessa autora, que não se omitiu em momento algum. Disse ela em uma entrevista a Elsie Dubugras e Luiz Pellegrini:
“Minha experiência nesse sentido tem sido quase sempre dolorosa. Principalmente no que toca aos chamados meios intelectuais.”

Hilda chegara a considerar aquela uma atividade ainda mais importante do que a sua própria escrita. Ela comparecera inclusive no V Colóquio Brasileiro de Parapsicologia e durante sua vida se correspondeu com universidades estrangeiras que estudavam o assunto.

Cremos que, ao trazer a lume a obra da escritora, toda a sociedade irá se defrontar com os esforços de uma mulher talentosa, que encontrara na imortalidade uma razão verdadeira para dedicar-se à busca de respostas que aproximassem os dois mundos. Que seus feitos possam continuar a inspirar muitos. E, quem sabe um dia, com a evolução terrena, a comunicabilidade entre os mundos através de aparelhos eletrônicos possa ser uma realidade, como aquela tão sonhada por Hilda Hilst.

Conteúdo sindicalizado