Folha Espirita online

Edição março de 2020

FE de janeiro 2020
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Violência entre familiares, como explicar?

    Lições que o coronavírus nos traz

    Gravidez na adolescência pede ações

    O pensamento como força criativa

    Correntes mentais e associações

    Diário de um médico-espírita

    Vizinhos unidos por uma vida mais feliz



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EDITORIAL

Nossa homenagem às mulheres

O mês de março é sempre marcado por comemorações que enaltecem as mulheres, o que é muito justo, no entanto é extremamente triste que a celebração aconteça com dados alarmantes sobre feminicídio no país. A matéria publicada em 22 de fevereiro na Folha de S.Paulo nos apresenta números consolidados de 2019 e aponta um aumento de 7,2% no número de casos no Brasil. Ao nos depararmos com essa notícia, pensamos: quanto tempo ainda vamos demorar para amadurecermos como uma sociedade capaz de respeitar, valorizar e criar condições de igualdade entre homens e mulheres?

Em O livro dos Espíritos, a questão n.822 não nos deixa dúvidas ao questionar: “sendo iguais perante a lei de Deus, devem os homens ser iguais também perante as leis humanas? O primeiro princípio de justiça é este: não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem. a) Assim sendo, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher? Dos direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete. Ocupe-se do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser equitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. Sua escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos”.

Dados estarrecedores como os divulgados na Folha de S.Paulo mostram o quanto ainda estamos distantes de vivenciarmos valores morais em que a igualdade possa ser uma realidade, o que seria um passo fundamental para que a barbárie da violência não continuasse em uma escalada de crescimento.

Não nos faltam exemplos na literatura espírita de trajetórias de amor que nos emocionam e inspiram na aquisição de valores espirituais e nos demonstram claramente que no mundo espiritual a vivência do amor que essas almas grandiosas empregaram em suas vidas prosseguem para toda a eternidade. Cabe-nos a cada dia mais lutarmos para que os valores cristãos possam se fazer presentes em nossa sociedade, estimulados em nossos lares, nossos locais de trabalho e nos ambientes acadêmicos, para que seja reconhecido e valorizado o papel das mulheres em nossa sociedade.

O mundo de regeneração que certamente avançaremos só será uma realidade quando formos capazes de compreender que somos todos irmãos, independentemente de sexo, raça, cor ou credo. Registramos nossa sincera homenagem a todas as mulheres, nossas genitoras, que tanto fizeram por nós, que desempenharam papéis marcantes em nossa sociedade e no Movimento Espírita.

Edição de fevereiro 2020

FE de janeiro 2020
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Em momento de transição, jovens se comprometem com a evolução moral do planeta

    Equilíbrio da mente e do pensamento

    Há um trabalho esperando por cada um de nós

    O caso Ruytemberg Rocha

    O futuro a Deus pertence

    Dinâmica da empatia

    Síndrome de déficit de natureza



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EDITORIAL

Sem amadurecimento moral, desigualdade social prevalecerá

Em 20 de janeiro, tivemos acesso ao último relatório da confederação filantrópica Oxfam, que mostra que a desigualdade se perpetua. O fato que merece destaque é que, além das desigualdades sociais, as informações analisadas trouxeram um recorte mostrando que a desigualdade se aprofunda em relação aos gêneros, em que podemos ver, por exemplo, que mulheres e meninas são sobrecarregadas com uma responsabilidade desproporcional pelo trabalho de cuidados e com menos oportunidades econômicas. Segundo o estudo, a desigualdade econômica está fora de controle, pois, em 2019, 2.153 bilionários tinham mais patrimônio do que 4.6 bilhões de pessoas. O presidente da Oxfam Índia, Amitabh Behar, faz um alerta: “Nossas poucas economias estão enchendo os bolsos de bilionários e grandes empresas às custas de homens e mulheres comuns”.

Diante disso, perguntamos: qual seria o caminho? Todos os dias vemos governos do mundo todo entoando um mantra eterno que tem como base o crescimento econômico como forma de reduzir a desigualdade, ou seja, deve-se impulsionar a produção e o consumo para que a máquina possa gerar mais renda e mais empregos, tudo isso impulsionado por um cenário que obriga a uma única saída: crescer e crescer mais. Além da pesquisa, a Oxfam faz referência a uma pesquisa do Banco Mundial que nos alerta que diminuir a desigualdade teria um efeito maior na redução da pobreza extrema do que no crescimento econômico. Behar afirma: “A análise mostra que se os países reduzissem a desigualdade de renda em 1% a cada ano, 100 milhões a menos de pessoas estariam vivendo em extrema pobreza em 2030”.

O bilionário Bill Gates é um dos defensores de que os bilionários paguem mais imposto, incluindo ele mesmo. O fundador da Microsoft acredita que aumentar os impostos dos mais ricos seria a solução para diminuir a desigualdade social. Segundo ele, a desigualdade está crescendo, e a distância entre as menores e maiores riquezas nos EUA é muito maior do que era 50 anos atrás: “Eu fui desproporcionalmente compensado pelo trabalho que fiz, enquanto muitos que trabalham tão duro quanto eu enfrentam dificuldade para se manter”.

O benfeitor Emmanuel nos orienta sobre isso na questão n. 55 do livro O Consolador, no brilhante capítulo sobre sociologia, respondendo à seguinte questão com foco nas necessárias transformações de nosso mundo: “A desigualdade verificada entre as classes sociais, no universo dos bens terrenos, perdurará nas épocas do porvir? A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada Espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus Cristo, a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos”.

Ao nos depararmos com mais um relatório como esse da Oxfam, não podemos nos furtar de que as mudanças do porvir necessariamente necessitam de uma verdadeira transformação nos valores humanos. É necessário que possamos nos conscientizar que o equilíbrio deve ser uma realidade, e não uma busca obsessiva por um crescimento econômico, em que bilhões de pessoas continuam a ser pressionadas para que poucos possam ter suas fortunas ainda maiores.

Não temos dúvidas de que mudanças como essas são essenciais para que possamos adentrar ao Mundo de Regeneração, onde provaremos que os valores do Espírito prevaleceram perante as ambições da matéria.

Conteúdo sindicalizado