Editorial fevereiro de 2017

Acontecimentos em ritmo acelerado

Os primeiros dias de 2017 trouxeram-nos acontecimentos capazes de deixar marcas profundas. Não é nosso objetivo fazer uma retrospectiva, mas, com certeza, acreditamos que vale a reflexão para um prognóstico do momento em que vivemos. O processo de transformação nos parece intenso, e os sinais de que vivemos um momento ímpar ficam cada vez mais evidentes. Provavelmente, o turbilhão de ocorrências de certo modo até desconexas justificam a ausência de valores e um alinhamento moral para nortearem os rumos da humanidade.

No Hemisfério Norte, o ano começou com uma série de fatos decorrentes da recente eleição do presidente norte-americano Donald Trump, o comandante da maior economia mundial. Em menos de dez dias, foi capaz de modificar a percepção da política externa dos EUA muito mais do que seus antecessores fizeram em praticamente sete décadas. O dirigente republicano decretou a proibição da imigração e de visitas de pessoas de sete países (Iraque, Iêmen, Irã, Síria, Líbia, Somália e Sudão), em sua maioria muçulmanos. Poucas horas depois, o mundo já observou protestos em diversos cantos. Além disso, Trump também suspendeu por 120 dias o recebimento de refugiados, e está levando adiante uma de suas promessas de campanha, a construção do muro nas fronteiras com o México, colocando em cheque uma relação profícua entre os países.

Enquanto o mundo observa perplexo os atos do presidente norte-americano, que demonstra cada vez mais o desejo de fechar o país para o mundo e recuar em políticas externas inclusivas, é capaz também de aplaudir um projeto de abrigo para refugiados com o prêmio Beazley de 2016, um dos mais importantes prêmios mundiais de design. The Better Shelter – uma colaboração entre Johan Karlsson, Dennis Kanter, Christian Gustafsson, John van Leer, Tim de Haas, Nicolò Barlera, a Fundação IKEA e o ACNUR, a agência de refugiados das Nações Unidas – recebeu honras na categoria de arquitetura, e bateu outros finalistas de outras categorias – incluindo o último álbum de David Bowie – para ganhar o cobiçado prêmio global de design. Esse é o contraste de uma sociedade que demonstra avançar no desejo de desenvolver um pensamento mais humanitário em contraponto às medidas do recém-eleito presidente americano.

Já em terras brasileiras, os primeiros dias o ano parecem se traduzir em uma continuidade de um processo sem volta, em que a sociedade assiste a cenas improváveis para um povo que sempre admitiu que vivia em um país onde os mais espertos, mais ricos jamais eram punidos. Quando se podia imaginar que se poderia ver preso um dos donos das maiores fortunas mundiais? A prisão do megaempresário Eike Batista parece colocar um quesito de igualdade para todos perante a lei. Claro que ainda engatinhando para uma sociedade mais justa, em que exista, sim, a punição para quem quer seja. Um dos momentos marcantes da prisão de Eike foi a sua frase: “A Lava Jato está passando o Brasil a limpo de um modo fantástico, já que o Brasil está nascendo e agora vai ser diferente, né?”, disse, surpreso.

Em suma, o ano de 2017 já nos apresenta grandes desafios, traços de movimentos coordenados que visam conquistas morais com valores mais fraternos que precisam ganhar força e adeptos para sufocar os rompantes de corações que insistem na manutenção dos sentimentos hedonistas e materialistas, que nos distanciam cada vez mais dos nossos irmãos do caminho.

Edição janeiro de 2017

Os principais destaques da edição de janeiro da Folha Espírita são:

    Joana d’Arc - Os ensinamentos de uma garota guiada por espíritos iluminados
    O que 2017 pode esperar de nós?
    Exercícios para a reforma íntima
    Vem aí o Mednesp 2017!
    Tempo, uma dádiva de Deus

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