Folha Espirita online

Edição novembro 2019

FE de novembro 2019
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Cidade do México recebe 1,8 mil para o 9º Congresso Espírita Mundial

    Cinco anos da TV Nupes

    Idade não é problema

    Ainda sobre o cenário religioso brasileiro

    Fundamentos do campo biomagnético

    Gerações e evolução espiritual

    Companheiros além das aparências



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EDITORIAL

Ativismo pró-aborto: dados falsos e desinformação

O artigo assinado por Raphael Câmara Medeiros Parente, doutor em Ginecologia, mestre em Saúde Pública, médico ginecologista da UFRJ e conselheiro do Conselho Federal de Medicina, publicado em 14 de outubro na Folha de S. Paulo, declara que o principal argumento de ativistas pró--aborto, de que o aborto ilegal mata milhares por ano no Brasil, é falso.

Segundo este pesquisador, com base nas informações do DataSUS, do Ministério da Saúde, o dado real é de 48 mortes anuais por aborto no Brasil. Essa é a média de 2014 a 2016, incluindo abortos naturais. “As 48 mortes por ano não configuram questão de saúde pública – por definição, evento que tenha impacto por meio de mortalidade aumentada, custos de tratamento para a sociedade e potencial epidêmico”, afirma o médico.

Ele continua sua argumentação: “Em 2018, falei no Supremo, na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 442, sobre descriminalização da prática. Desconstruí dados falsos, demonstrando que não há no Brasil mulher presa por aborto; que o aborto legal não é seguro; que países onde é liberado têm aumento das taxas (no Uruguai cresceu 37%, contradizendo a tese de que legalizar reduz). A maior parte dos estudos sobre o tema é parcial, feita por pessoas favoráveis ao aborto. Pouco se fala de trabalhos nas melhores revistas médicas, como a The Lancet, que revelam maior mortalidade, índices de trombose e distúrbios psicológicos de quem fez aborto”.

No artigo, Intitulado Ativismo pró--aborto: dados falsos e desinformação, o médico afirma que o Supremo voltou a pautar a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 5.581 para autorizar infectadas por Zika a abortarem: “A liberação em casos de anencefalia, em 2012, gerou decisões permitindo a prática em outras doenças fetais. A legalização nos casos de Zika teria o potencial de autorizar o aborto em centenas de condições que possam causar malformações, como infecção por rubéola, sífilis etc. Não há outro nome que não eugenia”.

E avalia: “Os exames são incapazes de detectar com segurança a infecção na gravidez – e os resultados, descartáveis, por terem reação cruzada com outros flavivírus, como o da dengue, e até para quem se vacinou contra febre amarela. Podem indicar, ainda, infecção antes da gravidez. O PRNT, exame que permite tirar a dúvida, é caro e indisponível. Estudo da agência americana CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) mostrou que 73% dos laboratórios daqui têm baixa precisão. Não podemos falar em bebês infectados por Zika, mas em grávidas talvez infectadas. Mataremos fetos baseados neste baixo grau de precisão?”

Parente recomenda que os casais que engravidaram e pensam em abortar deveriam se lembrar de que há, em todo o Brasil, longas filas de adoção, formadas por pessoas cujo maior sonho é o de serem pais. Essas palavras vão ao encontro do que o Espiritismo defende.

Edição outubro de 2019

FE de agosto 2019
DESTAQUES DESSA EDIÇÃO

    Cardiologia sai na frente e recomenda que espiritualidade seja tratada nas consultas

    Religião e nível educacional. Existe ligação?

    215 anos do nascimento de Kardec

    Carta a um herói, o irmão

    Quanto mais possessivo, menos feliz

    As diversas formas de caridade



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EDITORIAL

215 anos do nascimento de Kardec

O dia 3 de outubro confere ao Movimento Espírita uma reflexão profunda e carreada de muita gratidão e admiração pelo professor lionês Hippolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec, que regressava à vida terrena nessa data em 1804. Para celebrar os 215 anos do seu nascimento, destacamos aqui breves trechos que nos colocam diante de um espírito realmente diferenciado, que renasceu com uma grande bagagem espiritual e intelectual para desempenhar o papel que lhe havia sido designado.

No excelente O livro dos Espíritos e sua tradição histórica, Canuto de Abreu eterniza as palavras de Kardec: “Hoje, finalmente, 18 de abril de 1857, posso dizer que lancei a público o trabalho mais importante de minha vida pelo enorme benefício que, certamente, espalhará. E isto devo...” Susteve a pena por instante e, tirando da gaveta central um dossiê de couro marrom, bojudo de papéis escritos, desatou-o e foi rebuscando entre folhas soltas a comunicação que lhe viera à lembrança ao escrever “devo”. Tinha esta nota à margem: “De Zéphir, em 5 de janeiro de 1857, data em que entreguei o manuscrito d’O Livro dos Espíritos a Madame Dentu”. Evocando, mentalmente, o Espírito amigo que lhe dera, continuou a escrever após a palavra “devo”: “...Em primeiro lugar a ti, caro Amigo, prezado Companheiro de outrora. Quero deixar aqui transcritas, em destaque, as tuas palavras”: “Mas qual! A Verdade não será conhecida tão cedo, nem acreditada pela maioria antes que decorram muitos anos”.

“Você não verá nesta existência se não a aurora do sucesso desta obra”.
“Terá que voltar à Terra, reencarnado noutro corpo, para completar o que está
apenas começando a fazer”.
“Só então verá em plena messe os primeiros frutos da sementeira que O livro dos Espíritos vai espalhar pelo mundo”.
“Agora você terá somente invejosos e competidores que procurarão denegri-lo e contradizê-lo. Não se desencoraje, porém! Nem se inquiete com o que disserem ou fizerem contra! Prossiga na tarefa! Continue incessantemente a trabalhar pelo progresso da Humanidade!”
“Enquanto perseverar na via do Bem, onde entrou, você será sustentado fortemente pelos Espíritos bondosos e servos d’A Verdade”.
“No começo do ano passado, prometi minha amizade aos que durante o curso dos Ensinos se portassem convenientemente em todas as circunstâncias. O ano acaba de findar. Quero cumprir a minha promessa, anunciando-lhe: você foi o escolhido”.

Ao “escolhido”, que jamais desistiu de trabalhar pelo progresso da humanidade e que retornou à vida terrena como Chico Xavier, no século XX, para dar continuidade em sua obra por intermédio não só da ampliação das revelações do mundo espiritual, mas também de seu exemplo de vida inquestionável, em que a prática dos ensinamentos do Cristo foi vivenciada em sua plenitude, o nosso profundo e eterno agradecimento por tanto amor e exemplos dedicados à humanidade. Homenageamos e reverenciamos esse Espírito de escol, que certamente continua a servir ao Cristo nos páramos da Espiritualidade Maior.
Conteúdo sindicalizado