A Universidade de Northumbria, no Reino Unido, tem se dedicado desde 2020 a um estudo sobre um novo comportamento humano do século XXI: o acúmulo digital. Esse fenômeno caracteriza-se pelo armazenamento excessivo de aplicativos, dados, arquivos e fotos em dispositivos eletrônicos, frequentemente sem uma utilidade prática.
Essa pesquisa, pioneira em sua área, levanta questões importantes sobre como a tecnologia molda nossos hábitos e como lidamos com a infinidade de informações disponíveis. O acúmulo digital, similar ao de objetos físicos, pode estar associado a sentimentos de ansiedade, estresse e desorganização.

A pesquisa busca entender as causas e consequências desse comportamento, investigando os gatilhos psicológicos e sociais que levam as pessoas a acumularem dados digitais. Além disso, os pesquisadores buscam desenvolver estratégias para ajudar as pessoas a gerenciarem seus dados de forma mais eficiente e saudável.
A digitalização transformou nossa forma de acumular informações, com muitos de nós enchendo nossos dispositivos com dados, aplicativos, fotos e documentos. A ciência categoriza os acumuladores digitais em quatro tipos:
- ansioso – pessoas que têm medo de deletar qualquer coisa por causa do que pode acontecer. Esse comportamento está ligado à ansiedade e pode levar ao acúmulo de e-mails e arquivos por anos, muitas vezes sem justificativa lógica;
- obediente – comum em ambientes de trabalho, em que é exigido manter todos os arquivos e e-mails, o que pode dificultar a produtividade e aumentar o risco de ataques cibernéticos;
- preguiçoso – pessoas que não organizam ou deletam arquivos por pura preguiça. Essa falta de organização pode afetar o desempenho dos dispositivos;
- colecionador – aqueles que colecionam grandes quantidades de dados sobre um ou mais temas de interesse. Essa prática pode se tornar obsessiva e levar ao acúmulo extremo de informações.
Manter nossos dispositivos organizados não só melhora a eficiência como também contribui para a nossa saúde mental. A prática de deletar arquivos desnecessários pode aliviar a ansiedade e até mesmo ajudar a reduzir o impacto ambiental, uma vez que menos armazenamento de dados reduz a necessidade de servidores e consumo de energia.
Onde buscar ajuda?
Um acumulador digital, assim como um acumulador de objetos físicos, pode se beneficiar de ajuda profissional para lidar com a compulsão e os problemas decorrentes do acúmulo excessivo de arquivos digitais. A seguir, destacam-se algumas opções de onde buscar ajuda.
Grupos de apoio
Grupos de apoio on-line ou presenciais – participar de grupos de apoio com outras pessoas que enfrentam o mesmo problema pode ser muito útil para compartilhar experiências, receber apoio emocional e aprender novas estratégias para lidar com a acumulação digital.
Recursos on-line
Sites e blogs especializados – existem diversos sites e blogs que oferecem informações, dicas e ferramentas para ajudar pessoas com acumulação digital a organizar seus arquivos e controlar a compulsão.
Aplicativos de organização – alguns aplicativos podem auxiliar na organização de arquivos digitais, facilitando a identificação e exclusão de arquivos desnecessários.
Outras opções
Organizadores profissionais – um organizador profissional pode ajudar a criar um sistema de organização de arquivos digitais eficiente e personalizado, além de oferecer suporte e motivação para manter a organização a longo prazo.
Cursos e workshops – existem cursos e workshops on-line e presenciais que ensinam técnicas de organização digital e oferecem dicas para lidar com a compulsão por acumular arquivos.
Em casos mais graves, profissionais de saúde mental podem ajudar a detectar problemas mais complexos. Um psicólogo pode ajudar a identificar as causas da acumulação digital, desenvolver estratégias para lidar com a compulsão e organizar os arquivos de forma mais eficiente. Um psiquiatra, em alguns casos, é indicado quando a acumulação digital pode estar associada a outros transtornos mentais, como ansiedade ou depressão. Ele pode avaliar a necessidade de medicamentos para tratar esses transtornos e auxiliar no controle da compulsão.
É importante lembrar que a acumulação digital pode ter diferentes causas e níveis de gravidade. Buscar ajuda profissional é fundamental para identificar a melhor abordagem de tratamento e desenvolver estratégias personalizadas para lidar com o problema.
Referências
CYBERPSYCHOLOGY, Behavior, and Social Networking. Journal Impact Factor, v. 27, n. 7, 2024.
FORTE, Tiago. Criando um segundo cérebro: um método comprovado para organizar sua vida digital e desbloquear seu potencial criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2023.
OAKES, Kelly. Você é um acumulador digital? BBC News Brasil, 18 fev. 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-47272594#:~:text=Ao%20definir%20a%20acumula%C3%A7%C3%A3o%20digital,um%20sintoma%20do%20Transtorno%20Obsessivo Acesso em: 31 jul. 2024. WHITTY, Monica T.; YOUNG, Garry. Cyberpsychology: The Study of Individuals, Society and Digital Technologies. Malden, MA: Oxford, 2016.