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06/03/2026

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Grandparents, care and mental health: when love feeds the brain

TALITA JUNQUEIRA

Muito além do afeto e da alegria visível no convívio entre avós e netos, a ciência tem se debruçado sobre um aspecto cada vez mais relevante dessa relação: o impacto do cuidado exercido pelos avós sobre a própria saúde cognitiva.

Um estudo recente, publicado na revista Psychology and Aging, analisou dados de mais de 1.700 avós acompanhados ao longo de vários anos no English Longitudinal Study of Ageing. Os resultados são profundamente significativos: avós que cuidam de seus netos apresentam melhor desempenho cognitivo, especialmente em memória e fluência verbal, quando comparados àqueles que não exercem esse papel. Mais interessante ainda: não foi a quantidade de horas de cuidado que fez diferença, mas o fato de cuidar e, principalmente, a forma como esse cuidado é vivenciado.

Cuidar não é sobre excesso, é sobre sentido

O estudo demonstra que o simples acúmulo de dias ou horas de cuidado não se associou a uma proteção maior da cognição. Em contrapartida, avós que realizavam uma maior variedade de atividades com seus netos, como brincar, auxiliar nas tarefas escolares, preparar refeições ou participar de momentos de lazer, apresentaram melhores níveis cognitivos.

Essa conclusão dialoga de maneira muito harmônica com o que o Espiritismo nos ensina: não é o fazer mecânico que transforma, mas o fazer com propósito, presença e amor. Cuidar, quando vivido como encontro e troca, estimula diferentes áreas do cérebro, desperta emoções positivas, fortalece vínculos e confere sentido à experiência do envelhecer.

Avós que florescem junto com os netos

Entre os dados observados, chamou a atenção o fato de que as avós, em especial, apresentaram não apenas melhor desempenho cognitivo, mas também um declínio mais lento ao longo do tempo. Esse dado nos convida a refletir sobre o papel da mulher, historicamente mais envolvida no cuidado, bem como sobre a forma como esse cuidado é vivido – não como obrigação pesada, mas como expressão de generatividade, isto é, o desejo de contribuir para as novas gerações. Esse aspecto ganha vida quando ouvimos os próprios avós.

Relato de uma avó

“Neste Natal, o maior presente que recebi em toda a minha vida foi a chegada de Maria Victoria (Mavi), nossa primeira netinha, no dia 20/12/2025. Não sei descrever exatamente o que senti. Foi alegria, emoção, euforia. Mas, ao mesmo tempo, surgiu dentro de mim uma enorme responsabilidade, acompanhada de pensamentos confusos: ‘Como será agora? Estou mais velha? Como posso colaborar?’ Com o passar dos dias, fui me acalmando. E, no convívio do primeiro mês, senti e percebi algo muito bonito: não existiam deveres nem obrigações. Passei a viver os dias com mais leveza, alegria e disposição. Surgiu uma vontade de rejuvenescer, de ser útil, mas sem sobrecarga. Ajudar com amor, compartilhar a experiência, sem ditar regras. Essa leveza é uma forma de amor muito especial, é o amor que só uma avó consegue oferecer e ensinar. Não duvido de que a chegada de um neto transforme a pessoa. Muda o sorriso. Muda a alegria. Muda a disposição para viver. É tudo. Neste momento, só posso dizer: Obrigada, meu Deus! Só gratidão! Mavi, muito obrigada por chegar à minha vida” (Ana Maria – avó da Mavi).

Nesse relato, percebemos com clareza aquilo que a ciência aponta: o cuidado que nasce do amor não sobrecarrega, ele renova.

Relato de um avô

“A arte de sobreviver é tão essencial quanto o ar. Com o passar dos anos, aprendemos que viver não é apenas estar aqui, mas encontrar motivos para continuar com o coração em paz. No meu envelhecimento, sinto que a relação de amor com meus netos me oferece uma espécie de sobrevida. Eles trazem leveza aos meus dias, despertam alegria, esperança e ajudam-me a enxergar a vida com mais simplicidade e significado. Estar com eles faz-me sentir útil, presente e conectado. É um amor que não pesa, não cobra, apenas existe, e, por isso mesmo, também cura” (Valter Junqueira – avô de sete netos).

Essas vivências ilustram algo que nenhum gráfico consegue medir plenamente: o cuidado, quando é livre e amoroso, também cuida de quem cuida. Uma ponte entre ciência e espiritualidade

À luz do Espiritismo, podemos compreender esse fenômeno como expressão das leis naturais que regem a vida. O convívio intergeracional favorece não apenas a saúde do corpo e da mente, mas também a do Espírito. O amor vivido na relação entre avós e netos é campo fértil para aprendizado, reparação, alegria e continuidade de laços que atravessam o tempo.

A ciência confirma o que o coração já sabia: o envelhecer não precisa ser sinônimo de isolamento ou declínio. Pode ser um tempo de florescimento, quando há vínculo, propósito e amor em movimento.

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