{"id":7140,"date":"2024-07-03T14:08:18","date_gmt":"2024-07-03T17:08:18","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7140"},"modified":"2026-01-23T20:17:06","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:06","slug":"tenho-fe-mas-com-qual-objetivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/en\/2024\/07\/03\/tenho-fe-mas-com-qual-objetivo\/","title":{"rendered":"Tenho f\u00e9, mas com qual objetivo?"},"content":{"rendered":"<p>Acredito que todos concordamos que a prece nos conecta ao Criador e ao Mestre Jesus. O Esp\u00edrito Humberto de Campos, no livro <em>Contos e ap\u00f3logos<\/em>, psicografado por Chico Xavier, no cap\u00edtulo \u201cLouvores recusados\u201d, nos conta um epis\u00f3dio vivenciado por Vicente de Paulo, que nos remete a pensar na responsabilidade dos nossos pedidos e gra\u00e7as alcan\u00e7adas que costumamos atribuir a Deus, a Jesus, ao santo ou a outra personalidade santa que seja.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"631\" height=\"421\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Mulher_reza_com_a_Biblia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7189\" style=\"width:841px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Mulher_reza_com_a_Biblia.jpg 631w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Mulher_reza_com_a_Biblia-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Conta-se que Vicente de Paulo oficiava num templo aristocr\u00e1tico da Fran\u00e7a, em cerim\u00f4nia de grande gala, \u00e0 frente de ricos senhores coloniais, capit\u00e3es do mar, guerreiros vitoriosos, pol\u00edticos ociosos e avarentos s\u00f3rdidos, quando, a certa altura da solenidade, se fez diante do altar um inesperado louvor p\u00fablico. Um a um dos presentes se p\u00f4s diante do altar, dirigindo-se \u00e0 imagem de Jesus e manifestando seu louvor em voz alta.<\/p>\n\n\n\n<p>Um velho cors\u00e1rio bradou, contrito: \u201cSenhor! Agrade\u00e7o-te os navios que colocaste no meu roteiro. Meus neg\u00f3cios est\u00e3o pr\u00f3speros, gra\u00e7as a ti, que me designastes boa presa. N\u00e3o permitas que seu servo fiel caia em mis\u00e9ria. Dar-te-ei valiosos d\u00edzimos!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro devoto falou: \u201cSenhor, minha alma freme de j\u00fabilo pela heran\u00e7a que enviou \u00e0 minha casa pela morte do meu av\u00f4. Agora, sim, podemos descansar, esquecendo o trabalho e a fadiga! Seja louvado seu nome para sempre\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cavalheiro maduro agradeceu: \u201cMestre divino, trago minha enorme gratid\u00e3o pela vit\u00f3ria, eu sabia que a sua bondade n\u00e3o me desprezaria; gra\u00e7as a teu poder, minhas terras foram ampliadas. Por isto, construiremos um santu\u00e1rio em tua mem\u00f3ria!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma senhora tomou posi\u00e7\u00e3o e exclamou: \u201cMeus campos em col\u00f4nia distante agora est\u00e3o produzindo em abund\u00e2ncia. Agrade\u00e7o-Te os negros sadios e submissos que me mandaste e, em sinal da minha sincera contri\u00e7\u00e3o, cederei \u00e0 tua igreja boa parte dos meus rendimentos!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem de uniforme de gala exclamava: \u201cA ti, Mestre de Infinita bondade! Regozijo-me imensamente pelas gratifica\u00e7\u00f5es com que fui aquinhoado e pelos latif\u00fandios conseguidos na minha gl\u00f3ria! \u00c9 verdade que para preserv\u00e1-los sustentei a luta e alguns miser\u00e1veis foram mortos, mas quem, sen\u00e3o Tu mesmo, colocaria a for\u00e7a em minhas m\u00e3os para a defesa indispens\u00e1vel? Daqui em diante, n\u00e3o precisarei mais me preocupar com o futuro. E da minha poltrona calma farei ora\u00e7\u00f5es fervorosas fugindo ao imundo contato com os pecadores. E para retribuir-lhe a grande gra\u00e7a recebida, farei edificar em uma das minhas propriedades um templo digno de tua invoca\u00e7\u00e3o, recordando-te os sacrif\u00edcios na cruz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim os agradecimentos continuavam, quando Vicente de Paulo, est\u00e1tico, viu-se \u00e0 frente do pr\u00f3prio Senhor e percebeu que a imagem do nazareno havia adquirido vida e movimento. O abnegado sacerdote observou que Jesus se afastava a passos r\u00e1pidos e, tomado de coragem, perguntou-lhe banhado em l\u00e1grimas: \u201cSenhor, por que te afastas de n\u00f3s?<\/p>\n\n\n\n<p>E o mestre, levantando a cabe\u00e7a com o olhar melanc\u00f3lico, explicou: \u201cVicente, sinto-me envergonhado de receber o louvor dos poderosos que desprezam os fracos, dos homens v\u00e1lidos que n\u00e3o trabalham, dos felizes que abandonam os infortunados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O sens\u00edvel sacerdote, n\u00e3o suportando a emo\u00e7\u00e3o, com o c\u00e9rebro em turbilh\u00e3o, desmaiou ali mesmo diante da assembleia, sendo imediatamente substitu\u00eddo. Por dias, ficou febril, delirando, e quando se recuperou da estranha doen\u00e7a, vestiu-se com a t\u00fanica da pobreza, trabalhando incessantemente na caridade, at\u00e9 o final de seus dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os adoradores do templo, por sua vez, continuaram fazendo seus agradecimentos diante do mesmo altar e afirmaram que Vicente de Paulo havia enlouquecido. Certamente, n\u00e3o somos equiparados aos fi\u00e9is que se dirigiram em louvor a Jesus na narrativa, levados pelas mais torpes e disparatadas conquistas obtidas, atribu\u00eddas justo ao Grande Mestre, de puro amor, justi\u00e7a e caridade. No entanto, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, a li\u00e7\u00e3o nos traz importante oportunidade para refletirmos sobre os nossos pedidos e louvores que expressamos nas nossas preces.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nos faz lembrar tamb\u00e9m de uma personagem de novela completamente m\u00e1 e vil\u00e3, inconsequente nas suas atitudes que a levaram a cometer assassinatos e outros males contra outros diversos personagens da trama, e que era extremamente devota; n\u00e3o raro se dirigia \u00e0 sua santa predileta ou a Deus, pedindo para que tivesse \u00eaxito nos seus planos de maldade ou para agradecer quando se safava de ser descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, n\u00e3o somos criminosos como a personagem novelesca nem ricos e poderosos \u00e0 custa dos sacrif\u00edcios alheios, mas fica aqui a reflex\u00e3o: temos f\u00e9, mas com qual objetivo?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acredito que todos concordamos que a prece nos conecta ao Criador e ao Mestre Jesus. 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