{"id":7445,"date":"2024-10-07T12:37:27","date_gmt":"2024-10-07T15:37:27","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7445"},"modified":"2026-01-23T20:17:05","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:05","slug":"memorias-de-vidas-passadas-um-olhar-atual-sobre-o-fenomeno-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/en\/2024\/10\/07\/memorias-de-vidas-passadas-um-olhar-atual-sobre-o-fenomeno-no-brasil\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias de vidas passadas: um olhar atual sobre o fen\u00f4meno no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Em um epis\u00f3dio recente gravado para o podcast da <em>Spirit Sheet<\/em>, tr\u00eas pesquisadores do N\u00facleo de Pesquisas em Espiritualidade e Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www2.ufjf.br\/ppgsaude\/curso\/linhas-de-pesquisa\/nupes-nucleo-de-pesquisas-em-espiritualidade-e-saude\/\">Nupes<\/a>), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), compartilharam suas reflex\u00f5es sobre o fascinante tema das mem\u00f3rias de vidas passadas. O m\u00e9dico Eric Vin\u00edcius \u00c1vila Pires e os psic\u00f3logos Sandra Maciel de Carvalho e Lucam Justo de Moraes discorreram sobre os avan\u00e7os cient\u00edficos nessa \u00e1rea e como o fen\u00f4meno est\u00e1 sendo estudado tanto em crian\u00e7as quanto em adultos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"847\" height=\"388\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Eric_Sandra_Lucam.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7446\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Eric_Sandra_Lucam.jpg 847w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Eric_Sandra_Lucam-300x137.jpg 300w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Eric_Sandra_Lucam-768x352.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 847px) 100vw, 847px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Trabalhos de Eric, Sandra e Lucam sobre mem\u00f3rias de vidas passadas se transformaram em teses de doutorado<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Moraes lembrou do legado do psiquiatra Ian Stevenson, cujo trabalho na Universidade da Virginia, a partir da d\u00e9cada de 1960, marcou o in\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre crian\u00e7as que alegavam se lembrar de vidas passadas. Stevenson documentou mais de 2,5 mil casos em todo o mundo, e a sistematiza\u00e7\u00e3o de seus m\u00e9todos abriu caminho para pesquisadores como Jim Tucker e Erlendur Haraldsson.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um menor volume de pesquisas ap\u00f3s a morte de Stevenson, em 2007, o papel do Nupes ganhou grande relev\u00e2ncia. Segundo Sandra, uma nova vertente tem ocupado espa\u00e7o em seus estudos: as mem\u00f3rias de vidas passadas em adultos. \u201cA pesquisa de Stevenson focava em crian\u00e7as e pouco se sabia sobre adultos que relatam essas mem\u00f3rias\u201d, explicou, salientando que o Nupes assumiu a tarefa de preencher essa lacuna, realizando o primeiro Inqu\u00e9rito Nacional com adultos cujas mem\u00f3rias surgiram ao longo da vida, algo que n\u00e3o havia sido realizado em nenhum pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa iniciativa resultou em uma pesquisa online com 402 participantes de diversas regi\u00f5es do Brasil, com perfil marcadamente feminino e de alta escolaridade. Sandra observou que esse padr\u00e3o contrastava com as pesquisas anteriores, nas quais a maioria dos casos era de meninos. \u201cMulheres tendem a participar mais de pesquisas, a gostar mais de compartilhar suas experi\u00eancias, mas h\u00e1 a hip\u00f3tese tamb\u00e9m de que, no Brasil e\/ou entre adultos, os casos sejam majoritariamente de mulheres. O perfil educacional elevado dessas participantes (68% com gradua\u00e7\u00e3o e at\u00e9 p\u00f3s-doutorado) desafia a ideia do senso comum de que experi\u00eancias espirituais estariam relacionadas ou seriam relatadas por pessoas com baixo n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o\u201d, apontou a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-9d2faa0b767419899d284b862e490fba\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cA grande lacuna que havia e que come\u00e7amos a preencher com nosso estudo no Nupes foi com adultos que alegam mem\u00f3rias de vidas passadas. Porque o que a gente conhecia da literatura s\u00e3o pesquisas com crian\u00e7as. No nosso question\u00e1rio, as pessoas podiam descrever livremente as mem\u00f3rias, e o que elas mais afirmam se lembrar \u00e9 o modo de morte que elas teriam tido. E tamb\u00e9m o per\u00edodo que teoricamente seria entre as duas vidas, o que teriam feito e onde teriam ficado\u201d (Sandra Maciel de Carvalho)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Moraes destacou que o objetivo dos estudos \u00e9 entender como as mem\u00f3rias evoluem e quais impactos elas t\u00eam ao longo da vida. \u201cQueremos seguir essas crian\u00e7as e adolescentes para observar como as mem\u00f3rias mudam com o tempo e como elas afetam seu desenvolvimento\u201d, explicou o pesquisador, que criou o question\u00e1rio da pesquisa com Sandra. Diferentemente da colega, que ficou com adultos, Moraes seguiu com crian\u00e7as e adolescentes, replicando o modelo de estudo de Ian Stevenson, com o qual se investiga a personalidade citada falecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Pires realizou pesquisa com adultos que alegaram mem\u00f3rias de vidas passadas na inf\u00e2ncia e, recentemente, teve seu trabalho premiado como melhor p\u00f4ster no NOEx Workshop, evento sobre experi\u00eancias n\u00e3o ordin\u00e1rias realizado pelo Instituto D&#8217;Or. O pesquisador ressaltou a relev\u00e2ncia cient\u00edfica do fen\u00f4meno das mem\u00f3rias de vidas passadas e afirmou que, embora a pesquisa tenha avan\u00e7ado, ainda existem muitas \u00e1reas a serem exploradas. \u201cEstamos apenas arranhando a superf\u00edcie dessas alegadas mem\u00f3rias\u201d, disse o m\u00e9dico, destacando que o Brasil, com iniciativas como as do Nupes, est\u00e1 se posicionando na vanguarda dos estudos sobre experi\u00eancias espirituais e sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Circunst\u00e2ncias traum\u00e1ticas e sofrimento<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores revelaram que a maioria das mem\u00f3rias relatadas est\u00e1 ligada a circunst\u00e2ncias traum\u00e1ticas de morte, como guerras, assassinatos e suic\u00eddios. Esses relatos s\u00e3o particularmente marcantes devido \u00e0 intensidade emocional e ao sofrimento que evocam, o que, segundo eles, pode explicar sua persist\u00eancia. \u201cEssas mem\u00f3rias de mortes violentas s\u00e3o as mais comumente relatadas\u201d, acrescentou Sandra, mencionando que tal padr\u00e3o \u00e9 observado tanto em crian\u00e7as quanto em adultos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-5abc0d2104e21b8d6ad03378f4176b3a\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cEstudamos 30 casos, 16 deles relacionados a crian\u00e7as, 9 a adolescentes e 5 de m\u00e3es que relataram que na inf\u00e2ncia seus filhos, hoje com 20 e poucos anos, alegaram mem\u00f3rias de vidas passadas. Temos tr\u00eas casos que consideramos como solucionados: as crian\u00e7as alegaram terem sido, respectivamente, o tio-av\u00f4, o bisav\u00f4 e o av\u00f4 falecido\u201d (Lucam Justo de Moraes)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de muitos relatos serem carregados de dor, Sandra refutou a vis\u00e3o popular de que quem lembra de vidas passadas sempre foi uma figura de destaque, como reis ou princesas. \u201cAs mem\u00f3rias s\u00e3o, na maioria das vezes, de pessoas comuns, muitas vezes com finais tr\u00e1gicos\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>O di\u00e1logo entre os pesquisadores tamb\u00e9m tocou em quest\u00f5es culturais, comparando a aceita\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno no Brasil com pa\u00edses asi\u00e1ticos, onde a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 mais amplamente reconhecida. \u201cH\u00e1 uma diversidade cultural que influencia como esses relatos s\u00e3o vistos\u201d, afirmou Pires, que lembrou da necessidade de mais estudos robustos para compreender plenamente como essas mem\u00f3rias surgem e como elas se manifestam ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-adba5cc300e4cb84d1c7210ca7a68a17\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cAcessei o material de pesquisa de Hernani Guimar\u00e3es Andrade, que, quase 50 anos antes, havia registrado v\u00e1rios casos e realizado as investiga\u00e7\u00f5es de forma parecida com a proposta do Ian Stevenson. Busquei os casos em que at\u00e9 os 12 anos de idade, de maneira espont\u00e2nea, a crian\u00e7a havia alegado alguma mem\u00f3ria. O objetivo era tentar entender se essas mem\u00f3rias ainda estavam presentes e como essas pessoas ficaram depois de tanto tempo. Dos 32 casos inclu\u00eddos, localizamos e entrevistamos 18 sujeitos e 18 familiares. Um ter\u00e7o dos sujeitos alegou ainda ter mem\u00f3rias relativas ao epis\u00f3dio. Apresentaram boa sa\u00fade mental e boa qualidade de vida\u201d (Eric Vin\u00edcius \u00c1vila Pires)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7a a entrevista completa no <strong>podcast <\/strong>da Folha Esp\u00edrita e confira os trabalhos publicados por esses pesquisadores:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">CARVALHO, Sandra Maciel de. <em>Inqu\u00e9rito nacional de casos sugestivos de reencarna\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o brasileira adulta<\/em>. 2023. Doutorado (Mestrado em Sa\u00fade) \u2013 Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.ufjf.br\/jspui\/handle\/ufjf\/16316\">https:\/\/repositorio.ufjf.br\/jspui\/handle\/ufjf\/16316<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">MORAES, Lucam Justo de <em>et al.<\/em> Children who claim previous life memories: A case report and literature review.<em>Explore<\/em>, v. 20, 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1550830724001708\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1550830724001708<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">MORAES, Lucam Justo de <em>et al<\/em>. Estudos acad\u00eamicos sobre alegadas mem\u00f3rias de vidas passadas: uma revis\u00e3o de escopo. <em>Explore<\/em>, v. 18, p. 371-378, 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1550830721000951\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1550830721000951<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um epis\u00f3dio recente gravado para o podcast da Folha Esp\u00edrita, tr\u00eas pesquisadores do N\u00facleo de Pesquisas em Espiritualidade e Sa\u00fade (Nupes), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), compartilharam suas reflex\u00f5es sobre o fascinante tema das mem\u00f3rias de vidas passadas. 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