{"id":7524,"date":"2024-11-04T21:53:47","date_gmt":"2024-11-05T00:53:47","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7524"},"modified":"2026-01-23T20:17:04","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:04","slug":"espiritos-pedem-oracoes-em-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/en\/2024\/11\/04\/espiritos-pedem-oracoes-em-roma\/","title":{"rendered":"Spirits ask for prayers in Rome"},"content":{"rendered":"\n<p>(Tradu\u00e7\u00e3o e notas de Henrique Domingues). Uma voz do al\u00e9m, triste e suplicante, rompeu o sil\u00eancio do convento para revelar seu segredo. \u201cSou uma alma que est\u00e1 \u2018penando\u2019 h\u00e1 quarenta anos e me encontro no \u2018purgat\u00f3rio\u2019 por haver dissipado bens eclesi\u00e1sticos\u201d. E por v\u00e1rios dias seguidos, deixou dez liras na \u201croda\u201d que ele mesmo fez girar, desaparecendo em seguida. Nenhuma das freiras se surpreendeu, embora todas as portas da sacristia estivessem fechadas e nenhum ser humano pudesse entrar naquele sombrio recinto.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era a primeira vez que as freiras viam a \u201croda\u201d girar, encontrando nela o bilhete de dez liras, sem que nenhuma m\u00e3o humana tivesse intervindo. Na realidade, aquilo j\u00e1 passara a ser habitual no mosteiro italiano de S\u00e3o Leonardo de Montefalco e j\u00e1 haviam apelidado aquela alma penante de \u201canimucha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o dia 18 de agosto de 1918, em que a irm\u00e3 Maria de Jesus foi eleita \u201cpriora\u201d, essa singular visita se repetiu vinte e oito vezes (28) ao longo de quatorze meses (14), deixando uma soma total de 300 liras, equivalente a mais de 300.000 liras de hoje. Durante as primeiras apari\u00e7\u00f5es, a voz se mostrou pouco expl\u00edcita, limitando-se a tocar a campainha da sacristia e deixar seu donativo, fazendo girar a \u201croda\u201d. Sua voz era breve: \u201cDevo deixar aqui esta esmola\u201d; \u201cA ora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre boa\u201d; \u201cDeixo o pedido para ora\u00e7\u00f5es por um defunto&#8230;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em princ\u00edpio, as freiras pensaram que isso se devia a algum intruso que tivesse logrado penetrar na paz do claustro, embora jamais algu\u00e9m tivesse conseguido isso. Tamb\u00e9m se negavam a recolher o dinheiro, por temer que aquilo fosse uma artimanha do \u201cdiabo\u201d. Embora aceitando que uma alma penante pudesse produzir ru\u00eddos, palavras e fazer mover a \u201croda\u201d, como poderia fazer o \u201ctransporte\u201d de uma nota de dinheiro de curso normal?<\/p>\n\n\n\n<p>As \u201cautorizadas\u201d palavras do te\u00f3logo jesu\u00edta padre Bianchi conseguiram tranquilizar aquelas temerosas servas do Senhor, explicando-lhes que \u201ca mat\u00e9ria pode desmaterializar-se, participando da qualidade do abstrato, e voltar de novo a condensar-se de tal maneira que \u00e9 poss\u00edvel conservar seu primitivo aspecto\u201d. A moderna parapsicologia denomina essas materializa\u00e7\u00f5es como \u201caportes\u201d e os estuda como fen\u00f4menos de \u201chiloclastia\u201d (do gr. <em>hyle<\/em> \u2013mat\u00e9ria + <em>kl\u00e1stes<\/em>, quebrar ou submeter).<\/p>\n\n\n\n<p>Na casu\u00edstica dos fen\u00f4menos, j\u00e1 foram registrados casos de \u201caportes\u201d dos mais diversos objetos e mat\u00e9rias, como pedras, perfumes, flores, ramos, folhas, moedas, cravos etc. Assim, o padre jesu\u00edta descartou a possibilidade da interven\u00e7\u00e3o do \u201cdiabo\u201d nesses fatos, que foram constatados por personalidades da Igreja Cat\u00f3lica e publicados com o \u201cimprimatur\u201d do vig\u00e1rio-geral da Cidade do Vaticano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marca das almas do purgat\u00f3rio?<\/h2>\n\n\n\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o desse caso e de outros estarrecedores se encontra em um ins\u00f3lito museu privado, instalado junto da sacristia da Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o do Sufr\u00e1gio, em Roma. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil que o deixem visitar e muito menos fotografar. \u00c9 evidente que se trata de evitar que simples curiosos conhe\u00e7am aquelas preciosas provas da a\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos sobre a mat\u00e9ria, precavendo-se assim contra levianos ju\u00edzos desprovidos de um m\u00ednimo rigor cient\u00edfico a respeito dos homens que acreditaram na autenticidade das provas expostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a delicada quest\u00e3o da validez dos documentos e testemunhos, disse o monsenhor Benedectti, um dos sacerdotes que teve a seu cargo o Museu, que \u00e9 preciso evitar gente que a princ\u00edpio se limita a encolher os ombros com um sorriso de incredulidade ante as manifesta\u00e7\u00f5es sens\u00edveis do al\u00e9m, negando rotundamente o fato. Essas pessoas \u2013 continua \u2013 agem com leviandade. Na realidade, n\u00e3o \u00e9 justo recha\u00e7ar sem pr\u00e9vio exame o testemunho de pessoas dignas de cr\u00e9dito, cujas virtudes foram reconhecidas pela Igreja Romana. N\u00e3o se pode negar a possibilidade da comunica\u00e7\u00e3o com as almas do purgat\u00f3rio, com permiss\u00e3o divina. Por outra parte, existem pessoas que reconhecidamente encontram o sobrenatural sempre e em toda parte, inclinadas a uma devo\u00e7\u00e3o quase enfermi\u00e7a. Empenham-se em ver sempre e em toda parte manifesta\u00e7\u00f5es sobrenaturais, vis\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es. \u201cNem intransig\u00eancia, nem fanatismo, nem indiferen\u00e7a\u201d, conclui o monsenhor Benedectti, \u201cmas seriedade e respeito para a sinceridade de quem honestamente relata e afirma para proveito dos que estudam, investigam e examinam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um rosto atormentado surge no fogo<\/h2>\n\n\n\n<p>E como surgiu esse pequeno \u201cmuseu dos Esp\u00edritos\u201d, das almas do purgat\u00f3rio? Ao que parece, a ideia do museu partiu do padre Jonet, quando depois de um \u201cpequeno inc\u00eandio\u201d que se produziu na antiga igreja no dia 15 de setembro de 1897, observou que, na capela consagrada \u00e0 Virgem do Ros\u00e1rio, as chamas haviam formado sobre a madeira a imagem de um rosto atormentado. Os frequentadores come\u00e7aram a indagar acerca daquela imagem desconfiada, com express\u00e3o fision\u00f4mica dura, que tinha no alto uma forma\u00e7\u00e3o pontiaguda como uma gola de batina em uso na \u00e9poca e uma orelha de aspecto demon\u00edaco. Capricho da natureza? Interven\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desconhecidas? O certo \u00e9 que a apari\u00e7\u00e3o daquela inquietante figura, p\u00f4s em marcha, como um sinal da Provid\u00eancia, uma ambiciosa opera\u00e7\u00e3o de busca e pesquisa pela Fran\u00e7a, Alemanha e It\u00e1lia de sinais vis\u00edveis das almas do purgat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Se analisarmos detidamente os diferentes casos expostos (280) no Museu, \u00e9 poss\u00edvel comprovar que tudo est\u00e1 submetido ao signo do fogo. Efetivamente, com exce\u00e7\u00e3o do caso relatado no in\u00edcio deste trabalho, todos os fatos t\u00eam em comum marcas de fogo deixadas por \u201capari\u00e7\u00f5es\u201d sobre livros piedosos, roupas de vestir, objetos de uso comum, papel e tecidos. O fogo, uma vez mais, \u00e9 o protagonista dos fatos misteriosos conectados com o transcendental.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O gemido lastimoso de um fantasma<\/h2>\n\n\n\n<p>Um fantasma com apar\u00eancia de mulher aparece a Margarita Demmerl\u00e9. Entre as arcadas cheias de sombra, traz um olhar triste. Pelas pregas de seus l\u00e1bios, se ouve um gemido lastimoso. A figura coberta com uma indument\u00e1ria de um peregrino permanece na escada com um terr\u00edvel gesto de s\u00faplica. Margarita sai espavorida \u00e0 procura do p\u00e1roco, e este a aconselha a colocar-se em comunica\u00e7\u00e3o com aquele ser atormentado e que lhe pe\u00e7a um sinal bem vis\u00edvel. Margarita volta \u00e0 sua casa e, com voz entreolhada de medo, pede que diga o que deseja. \u201cSou tua sogra falecida de parto faz trinta anos. Vai em peregrina\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio de Nossa Senhora de Marlenthal e manda celebrar duas missas por mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A senhora Demmerl\u00e9, que efetivamente comprovou a caracter\u00edstica da morte da sogra, atendeu ao pedido da \u201capari\u00e7\u00e3o\u201d, que voltou a manifestar-se para dizer que se havia livrado do purgat\u00f3rio. Em seguida, pousou sua m\u00e3o no livro <em>Imita\u00e7\u00e3o de Cristo<\/em> e deixou sobre uma de suas p\u00e1ginas estranhas queimaduras correspondentes \u00e0 ponta de seus cinco dedos, que indicavam toscamente o final de um cap\u00edtulo em que dizia: \u201c[&#8230;] estou carregado de pecados, envolto em tenta\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o h\u00e1 quem me valha, quem me livre e me salve a n\u00e3o ser Tu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A impress\u00e3o da \u201cm\u00e3o de fogo\u201d foi t\u00e3o forte que chegou a atravessar de cinco a nove p\u00e1ginas. As autoridades eclesi\u00e1sticas consideram este e outros fen\u00f4menos iguais, avalizados por testemunhos e protagonistas de absoluta seguran\u00e7a, por estarem embasados em ineg\u00e1veis garantias, como absolutamente reais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Apareceu vestida de Clarissa<\/h2>\n\n\n\n<p>No mosteiro italiano de Santa Clara do Menino Jesus de Bastia, se conserva uma detalhada documenta\u00e7\u00e3o do caso n. 6 do Museu. No convento, jazia de cama a irm\u00e3 Maria de S\u00e3o Luiz Gonzaga, arquejada por fortes dores e febre, tosse e asma, e t\u00e3o grandes chegaram a ser seus sofrimentos que desejava morrer para que seus padecimentos tivessem fim. Passados alguns dias, efetivamente morreu, precisamente no dia 5 de junho de 1894. Na mesma noite, apareceu vestida de Clarissa, sendo nitidamente reconhecida pela irm\u00e3 Margarida del Sagrado Coraz\u00f3n, e disse que se encontrava no purgat\u00f3rio, onde deveria permanecer por mais vinte dias (20) para expiar seus desejos de morrer mais cedo do que devia, abreviando sua agonia. Pediu ora\u00e7\u00f5es e prometeu voltar de novo, mas deixou a marca de fogo de seu indicador num travesseiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra irm\u00e3, antes falecida, apareceu tamb\u00e9m, deixando uma marca de fogo no avental de uma assustada freira. Os fatos s\u00e3o muitos, e o relato de todos ocuparia um livro, Ao sairmos do museu, um pouco aturdidos com o estranho mundo que nos foi dado vislumbrar, uma pergunta salta \u00e0 nossa mente: que opina a Igreja Cat\u00f3lica, Apost\u00f3lica Romana sobre tudo isso? Oficialmente, ela ainda n\u00e3o se pronunciou, mas o fato que albergue sob sua guarda essas manifesta\u00e7\u00f5es, sem d\u00favida, nos leva a crer que ela n\u00e3o exclui o fato para normal ou sobrenatural.<\/p>\n\n\n\n<p>O padre Ernesto, sacerdote que atualmente dirige o Museu, nos esclarece o seguinte: \u201cA Igreja condena a possibilidade de evocar os Esp\u00edritos dos defuntos mediante a pr\u00e1tica dos m\u00e9diuns. Aqui se trata de outra coisa. S\u00e3o Esp\u00edritos que espontaneamente se manifestam para pedir ora\u00e7\u00f5es e deixaram marcas de sua passagem\u201d. O padre termina lembrando uma passagem da vida de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, que n\u00e3o difere dos que aqui est\u00e3o recolhidos. Trata-se do que ocorreu a D. Bosco quando se fez amigo de um colegial chamado Camollo. Os dois combinaram que o que morresse primeiro viria tranquilizar o outro quanto \u00e0 salva\u00e7\u00e3o eterna. Camollo morreu primeiro, e uma noite Dom Bosco estando preocupado com a sorte da alma do amigo, ouviu o ru\u00eddo de um carro que fez tremer as paredes, o estrondo foi t\u00e3o grande que os outros cl\u00e9rigos chegaram a abandonar seus leitos. No melo daquele fragor, ouviu-se claramente por tr\u00eas vezes o defunto gritar: \u201cBosco, me salvei\u201d. D. Bosco, em suas confiss\u00f5es, disse que tal fato chegou a enferm\u00e1-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Tradu\u00e7\u00e3o e notas de Henrique Domingues). Uma voz do al\u00e9m, triste e suplicante, rompeu o sil\u00eancio do convento para revelar seu segredo. \u201cSou uma alma que est\u00e1 \u2018penando\u2019 h\u00e1 quarenta anos e me encontro no \u2018purgat\u00f3rio\u2019 por haver dissipado bens eclesi\u00e1sticos\u201d. 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