{"id":7826,"date":"2025-01-04T19:03:38","date_gmt":"2025-01-04T22:03:38","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7826"},"modified":"2026-01-23T20:17:04","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:04","slug":"marlene-nobre-minha-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/en\/2025\/01\/04\/marlene-nobre-minha-mae\/","title":{"rendered":"\u201cMarlene Nobre, my mother!\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Algo que sempre me impressionou foi o tempo. Ele \u201cvoa\u201d! E quando prestamos aten\u00e7\u00e3o, se passaram 5, 10, muitos anos. Com o ano de 2024 se encerrando e janeiro se aproximando, rememorei o desenlace de minha m\u00e3e nos primeiros dias de 2015. Busquei \u201cfazer as contas\u201d do tempo que passou e tomei um susto ao constatar que no dia 5 de janeiro deste ano faz uma d\u00e9cada que a minha m\u00e3e retornou ao mundo espiritual. Assim, com esse sentimento, no cora\u00e7\u00e3o e na ponta da caneta, \u00e9 que escrevo algumas linhas sobre uma parte da hist\u00f3ria da vida pessoal e profissional de minha m\u00e3e para a <em>Spirit Sheet<\/em>, com o objetivo de buscar prestar uma homenagem pelos primeiros 10 anos de sua desencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"571\" height=\"540\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Marlene_natal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7828\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Marlene_natal.jpg 571w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Marlene_natal-300x284.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u00daltimo Natal de Marlene Nobre com a fam\u00edlia em dezembro de 2014<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Minha m\u00e3e nasceu em ber\u00e7o esp\u00edrita e recebeu todos os cuidados e exemplos dos seus pais, Pedro e Ida, que se conheceram em um centro esp\u00edrita. Cresceu assistindo os pais proferirem palestras, administrarem grupos esp\u00edritas e cuidarem de pessoas necessitadas. Ainda crian\u00e7a, sentiu as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da mediunidade, o que a fez desconfiar dos altos compromissos nesta exist\u00eancia. Na juventude, j\u00e1 consciente de suas responsabilidades, se dedicou aos estudos com afinco, e sua determina\u00e7\u00e3o a fez, quase sempre, ser a primeira da turma na escola. Com essas qualidades afloradas e trabalhadas, alcan\u00e7ou o sonho de cursar a universidade de Medicina, e como a universidade federal ficava na mesma cidade em que Chico Xavier morava, seus pais n\u00e3o criaram dificuldades para que a \u00fanica filha dentre os 6 filhos se mudasse de S\u00e3o Paulo para a cidade mineira.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo durante o exigente curso de Medicina, Marlene encontrava tempo para auxiliar o Chico nos atendimentos a milhares de pessoas carentes que o procuravam e no atendimento \u00e0s fam\u00edlias mais necessitadas na distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, al\u00e9m de se desdobrar para cumprir os compromissos com as atividades medi\u00fanicas no Grupo Esp\u00edrita da Prece e em outros, todos em Uberaba\/MG.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi em um daqueles dias de filas intermin\u00e1veis para falar com o famoso m\u00e9dium que o pr\u00f3prio Chico revelou \u00e0 minha m\u00e3e que Emmanuel lhe disse que deveria apresentar ela ao homem que tinha vindo de S\u00e3o Paulo, cidade onde era vice-prefeito, s\u00f3 para conhecer o Chico. Tratava-se de Freitas Nobre, que foi levado a Uberaba pelo amigo Spartaco Ghilardi (fundador do Grupo Esp\u00edrita Batu\u00edra\/SP). E assim, sob as ben\u00e7\u00e3os de Emmanuel e Chico, o casal Freitas e Marlene se uniu.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o t\u00e9rmino do curso de Medicina, se casaram, e alguns poucos anos depois receberam o primog\u00eanito Marcos. O casal, os pais de Marlene e seu irm\u00e3o mais velho, Paulo, juntamente com grandes e inesquec\u00edveis companheiros, representados pelas fam\u00edlias Abujade, Melo e outras, prestavam atendimento aos carentes da creche Lar do Alvorecer e organizavam as reuni\u00f5es medi\u00fanicas, no in\u00edcio na casa da Tia It\u00e1lia (que cedia a casa para as reuni\u00f5es) e posteriormente na sede do grupo esp\u00edrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em raz\u00e3o de o marido ser um homem p\u00fablico, muito popular e respeitado, e por ele n\u00e3o ser simpatizante do regime militar que tomou o poder em 1964, os tr\u00eas tiveram de seguir para o ex\u00edlio em Paris, na Fran\u00e7a, pois s\u00f3 assim Freitas n\u00e3o correria o risco de ser preso. Esse risco era \u00fanica e exclusivamente por ser ele algu\u00e9m que lutava para que o povo, por meio das elei\u00e7\u00f5es, escolhesse quem dirigiria o pa\u00eds, os estados e os munic\u00edpios no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"494\" height=\"597\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Marlene_Marcelo_e_irmao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7827\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Marlene_Marcelo_e_irmao.jpg 494w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Marlene_Marcelo_e_irmao-248x300.jpg 248w\" sizes=\"(max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Marlene Nobre com os filhos Marcos e Marcelo (no colo)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o ex\u00edlio, Marlene completou a resid\u00eancia m\u00e9dica no hospital de Paris e recebeu em seu ventre o seu segundo e \u00faltimo filho, Marcelo. No entanto, o casal n\u00e3o se conformava que um filho seu tivesse de nascer longe do Brasil por causa da ditadura militar. Por esse motivo, Marlene retornou ao Brasil utilizando apenas o nome de solteira, para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o dos militares, visto que estava sem o marido e pai, que ainda n\u00e3o podia retornar com seguran\u00e7a ao seu pa\u00eds. Algum tempo depois, receberam a not\u00edcia de que poderiam retornar ao pa\u00eds sem o risco de pris\u00e3o. Assim, a fam\u00edlia completa se reuniu novamente, o que permitiu a Marlene retomar suas atividades profissionais, doutrin\u00e1rias e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei a ter uma melhor no\u00e7\u00e3o do que eram as reuni\u00f5es com ora\u00e7\u00f5es, as leituras do Evangelho e as vozes do al\u00e9m nos encontros noturnos na casa da Tia It\u00e1lia, antes da inaugura\u00e7\u00e3o da sede do grupo esp\u00edrita, cujo nome vem do grande e dedicado divulgador da Doutrina Esp\u00edrita e amigo dos meus av\u00f3s, Cairbar Schutel.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram incont\u00e1veis as idas aos locais de trabalho de minha m\u00e3e, onde Marcos e eu aguard\u00e1vamos o final do atendimento dos pacientes no posto do ent\u00e3o INAMPS, na Rua Martins Fontes no centro da capital de S\u00e3o Paulo. Acompanh\u00e1vamos ela tamb\u00e9m nas v\u00e1rias idas semanais \u00e0 creche na cidade de Diadema. E nesse vaiv\u00e9m, transportados pelo \u201cgalinho\u201d, apelido que a minha m\u00e3e deu ao carro fusca, pelo barulho da buzina, aguard\u00e1vamos que ela atendesse \u00e0s mulheres necessitadas de cuidados m\u00e9dicos e de tudo mais que dizia respeito \u00e0s responsabilidades da presidente que ela era. Fic\u00e1vamos brincando com as outras crian\u00e7as da creche e com elas almo\u00e7\u00e1vamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo per\u00edodo, assistimos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da famosa Rodovia dos Imigrantes, escorregando na lama da obra que se formava quando chovia, sentados em caixas de papel\u00e3o e dando um enorme trabalho \u00e0 nossa m\u00e3e por conta da sujeira. Tivemos tamb\u00e9m o privil\u00e9gio de participar da constru\u00e7\u00e3o do segundo e maior pr\u00e9dio no terreno da creche, ajudando a carregar os materiais de constru\u00e7\u00e3o durante o mutir\u00e3o dos volunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se tudo isso j\u00e1 n\u00e3o fosse o suficiente, vivemos momentos inesquec\u00edveis nas visitas mensais que faz\u00edamos a Uberaba, para aplacar um pouco a enorme saudade que sempre sentimos de nosso querido Chico. Foi uma vida inteira assistindo \u00e0s palestras de minha m\u00e3e no Grupo Esp\u00edrita Cairbar Schutel, em outros grupos (Perseveran\u00e7a, Seara Bendita, Luz Divina, Grupo Esp\u00edrita da Prece, Centro Esp\u00edrita Uni\u00e3o, dentre outros), nas federa\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, nos congressos da AME, nos desenvolvimentos medi\u00fanicos nas salas de desobsess\u00e3o, nos incont\u00e1veis Evangelhos no Lar que fizemos em nossa casa todos os domingos \u00e0s 20 horas, al\u00e9m das in\u00fameras conversas durante os percursos at\u00e9 o aeroporto, quando a levava ou buscava para que pudesse cumprir seus compromissos com a divulga\u00e7\u00e3o da Doutrina, no Brasil e no exterior. Foram momentos muito ricos, em que troc\u00e1vamos impress\u00f5es sobre o que se passava no grupo esp\u00edrita, na creche, no jornal <em>Spirit Sheet<\/em>, nas AMEs e tamb\u00e9m sobre os pr\u00f3ximos passos, os planos do que estava por vir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que o legado da minha m\u00e3e tocou e ainda toca por fios invis\u00edveis do amor. S\u00e3o incont\u00e1veis as crian\u00e7as da creche que tiveram as suas vidas mudadas por esse amor e cuidado; in\u00fameros pacientes que tiveram o amparo necess\u00e1rio com sua aten\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o; milhares de irm\u00e3s e irm\u00e3os que, passando por momentos dif\u00edceis e necessitando de uma palavra amiga ou de um ouvido que n\u00e3o julgasse, encontraram nela o apoio e a compreens\u00e3o; quantas m\u00e9dicas e m\u00e9dicos encontraram suas raz\u00f5es de viver com o trabalho das AMEs; quantas pessoas no mundo despertaram para a imortalidade da alma e para suas verdadeiras responsabilidades nesta exist\u00eancia por interm\u00e9dio dos livros deixados por ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante sua vida e mesmo depois do retorno \u00e0 p\u00e1tria espiritual, foram milhares de testemunhos do bem que ela espalhou. Definitivamente, Marlene Nobre n\u00e3o passou por esta vida em v\u00e3o. Mulher firme no comando das suas responsabilidades, n\u00e3o se desviava um mil\u00edmetro dos compromissos a cumprir, ao mesmo tempo em que era generosa, af\u00e1vel e compreensiva quando se tratava de irm\u00e3s e irm\u00e3os necessitados de aux\u00edlio espiritual e material. Sempre, sempre, tinha uma palavra de amparo e est\u00edmulo.<\/p>\n\n\n\n<p>E com o cora\u00e7\u00e3o transbordando de saudade, relembro o lema que minha m\u00e3e utilizava com frequ\u00eancia para nos estimular a seguir em frente com \u00e2nimo e agradecimento a Jesus pela oportunidade terrena: confiemos, Jesus est\u00e1 no leme!<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s dez anos do seu retorno ao mundo espiritual, sua incr\u00edvel semeadura \u00e9 conhecida e reconhecida, e o melhor \u00e9 que a colheita n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dela, pois sua obra \u00e9 coletiva, estando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos aqueles que buscarem o conhecimento e o esclarecimento. Essa homenagem \u00e9 uma forma de expressar minha enorme admira\u00e7\u00e3o e meu mais profundo e eterno agradecimento por tudo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Marcelo Nobre \u00e9 advogado e filho do casal Marlene e Freitas Nobre<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algo que sempre me impressionou foi o tempo. Ele \u201cvoa\u201d! E quando prestamos aten\u00e7\u00e3o, se passaram 5, 10, muitos anos. Com o ano de 2024 se encerrando e janeiro se aproximando, rememorei o desenlace de minha m\u00e3e nos primeiros dias de 2015. 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