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Folha Espírita – abril de 1976

O povo pergunta e os artistas de A Viagem respondem

Texto: Marlene Rossi S. Nobre

Entrevistas com populares: Moisés Bezerra Oliveira

Fotos: José Carlos Fontes

A Hoja de Espíritu saiu às ruas para perguntar ao povo o que desejava saber sobre A Viagem, a novela que empolga todo o país. Ouvimos donas de casa, comerciários, estudantes, operários, enfim, pessoas de todos os níveis sociais, percorrendo nossas praças e viadutos centrais ou entrevistando junto a escritórios e fábricas para sentir o impacto das ideias espíritas no coração de nossa gente. Recolhidos os dados e as perguntas, mobilizamos uma equipe muito grande de artistas e conhecedores da Doutrina Espírita, a fim de que o nosso povo pudesse ter as respostas almejadas. Assim, as perguntas formuladas aos entrevistados são, na realidade, a súmula de dezenas de questões extraídas de nosso contato direto com populares.

O povo pergunta, e os artistas de A Viagem respondem

Primeiramente, Altair Lima, o inesquecível Cesar Jordão e, portanto, o alvo mais direto de inúmeras dúvidas e proposições, responde sobre o amor do outro lado da vida. O maior contingente de indagações referiu-se à união de Cesar e Diná, com uma defesa obstinada da afeição dos dois, a fim de que não fosse a felicidade do casal perturbada pela presença de Vera, a primeira esposa. Principais quesitos: qual a razão do ciúme de Diná, se ela está em um plano superior? Qual o critério de escolha, no caso, para permanecer com Vera ou Diná?

Altair Lima

Não sei se as pessoas interpretaram bem essa segunda fase da novela. Foi explicado que, a partir de uma determinada evolução, terminam todas as paixões humanas. E é exatamente o momento de maior purificação do Espírito, o instante em que ele está pronto para reencarnar e iniciar todo um ciclo de vida novamente. Entendo que é muito bom a gente saber que morre e a vida continua exatamente como ela é. Nós prosseguimos com todas as nossas emoções, a nossa sensibilidade, o nosso intelecto.

Diná e Cesar Jordão, apesar de estarem em Nosso Lar, uma das inúmeras cidades existentes do outro lado da vida, ainda guardam certas lembranças da Terra sob a forma de defeitos e paixões, porque não atingiram esse nível de purificação maior já referido. Vejo nisso tudo uma maneira normal e natural, dentro da filosofia espírita, de continuar sentindo as emoções do amor, após a morte, segundo a nossa evolução.

Altair, no caso a Diná representou uma afinidade espiritual bem maior no caminho evolutivo de Cesar Jordão? Foi por essa razão que ele permaneceu ao lado dela para a continuidade das tarefas?

Sim, é verdade. Aliás, esse amor entre Cesar e Diná é um amor que vem sendo apontado há muitos e muitos anos entre filósofos e poetas, inclusive Shakespeare foi um deles, com o seu Romeu e Julieta, onde a tônica da obra é realmente o amor eterno. São almas com todas as afinidades, são almas que realmente se completam. É como se nós estivéssemos separados da outra metade e, de repente, a gente encontra-se com aquela que é exatamente o nosso complemento. Acho que o amor é fundamentalmente isso, não é?

Você já gravou o disco com os sonetos psicografados por Chico Xavier?

Não, ainda não. Gravei agora um compacto para a Continental, é um compacto de caráter beneficente. Agora eu usei uma poesia de Vinicius de Moraes que se enquadra mais dentro do estilo filantrópico e dentro da grande paixão de Cesar Jordão. Não pude utilizar as poesias de Chico Xavier porque elas não se referem exatamente a uma problemática do meu personagem, o Cesar Jordão, então eu não tinha nada que pudesse lembrar uma coisa ou outra. Vamos esperar um contato com Chico Xavier, a fim de que possamos estudar o assunto e lançar um segundo disco.

Altair, o contato com as pessoas que assistem a novela demonstra uma forma bastante positiva de encarar a morte depois desta verdadeira aula que a televisão patrocina. Muitos afirmam que perderam o medo de deixar o corpo porque a possibilidade de amar e ser feliz permanece para todo o sempre.

Claro! Isso é muito bom. Além disso, há dois pontos a considerar. Principalmente nós brasileiros fomos criados dentro de uma pressão religiosa muito forte, que vem já da Idade Medieval, através de nossos antepassados. Nós não tínhamos escolha, nós éramos obrigados a acreditar naquilo que os nossos pais acreditavam, e isso não nos satisfazia porque nossos pais não criam com muita convicção, consequentemente eles não transmitiam sua fé com muita certeza, de modo que nós éramos religiosos por tradição, e não por convicção.

E o Espiritismo é apaixonante, ou você acredita, ou não acredita. Não tem essa de você seguir só por tradição, não. E isto é espetacular. Além do que há toda uma abertura, uma desmistificação do medo, principalmente do medo da vida além da morte e de uma série de inseguranças. O Espiritismo suaviza esse medo, não digo que ele faz declinar de todo, porque acho muito difícil, mas ele suaviza em todos os sentidos

Com relação ao próprio amor, a nossa geração veio educada de maneira errada. Antigamente, as mulheres não tinham nem o direito e escolha do homem com quem ela deveria se casar. Era simplesmente escolhido pela família e o matrimónio era acertado. O casamento era uma regra da sociedade e, como tal, deveria ser respeitado. Mas não havia a rigor o amor mesmo. Só aos poucos essa situação foi se diluindo.

O que é importante ressaltar, então, é a continuidade da vida após a morte provada pelo Espiritismo. Há necessidade de se viver aqui na Terra dentro de normas éticas. Não digo dentro de leis rígidas porque cada um tem o livre-arbítrio, mas devemos usar a matéria dentro de certa ética. Nossa conduta tem de se basear nos ensinamentos morais deduzidos da filosofia espírita, a filosofia defendida pelos maiores gênios da humanidade, inclusive, no meu setor, pelo próprio Shakespeare. É o que ele sempre apregoou, e também o Cristo, o verdadeiro fundamento da filosofia espírita-cristã.

Maravilhoso redimir-se através da reencarnação

Ewerton de Quadros

Ewerton, o povo não se conforma com o seu personagem, o Alexandre, perseguidor cruel e vingativo. Como é que você encara o problema de um rapaz, no caso você, desencarnado, do outro lado da vida, atuar negativamente sobre as pessoas aqui na Terra?

 Inicialmente, devo dizer que não sou de formação espírita, digamos assim, mas eu simpatizo muito com toda a filosofia espírita. Leio muito a respeito. Gosto demais mesmo. Eu acredito perfeitamente que um Espírito possa obsediar um ser humano. A gente toma por exemplo uma pessoa encarnada, uma pessoa viva. Há tantas criaturas que podem influir negativamente na vida da gente, através do poder do pensamento, porque o poder da mente é incalculável, a gente só se utiliza de 10% desse potencial. Agora, muitas pessoas usam isso de forma negativa. Podemos constatar isso no nosso próprio meio, o artístico, há muita inveja, maldade e muitas pessoas, mesmo sendo encarnadas, atuam negativamente sobre outras. Nós recebemos essas vibrações negativas, e isso nos faz muito mal

Acredito que um Espírito possa perfeitamente atuar com propósitos de vingança contra as pessoas encarnadas, atrapalhando-as e mesmo destruindo grande parte de suas vidas. O único recurso que a gente tem é estar constantemente em vibrações positivas. Creio firmemente que a vibração positiva destrói a negativa. Por isso, se a gente cultivar a prece e vibrar sempre positivamente, nós conseguimos vencer essas influências negativas.

Há muita curiosidade também para saber qual vai ser o rumo do Alexandre na novela.

O Alexandre vai ser filho do Téo e da Lisa, então ele vai ter a missão de amar esse pai. Isso é lindo, lindo, lindo. Acho perfeita essa evolução através de uma nova vida. Acredito que a índole dele seja de não gostar do pai, e o Téo vai ter muito trabalho com esse filho. Mas essa lógica da reencarnação é admirável, a forma pela qual o meu personagem deve evoluir aprendendo a perdoar o seu pai. Há um outro exemplo de reencarnação na novela, é o da dama do Brasil colonial que odeia escravos e que no final escolhe ser filha de pessoas de cor. Acho isso maravilhoso, essa possibilidade do Espírito de redimir-se através da reencarnação.

A Viagem trouxe esperança e fraternidade

Irene Ravache responde

Irene, preliminarmente, nós queremos cumprimentar você, o Rolando Boldrin e a Eva Wilma pelo prêmio conferido a vocês pela Associação Paulista de Críticos de Arte, pelos notáveis desempenhos nesta novela, que é antes de tudo um marco na história das comunicações. Agora, a pergunta do povo: a telepatia entre o seu personagem, a Estela, e sua irmã, a Diná, não é exagerada?

De modo algum. Tem gente que desenvolve a telepatia há muito tempo. Aliás, tem várias outras faculdades que o homem devia estar desenvolvendo, mas que não o faz por uma questão de ensinamento e de ambiente também, No meu caso com a Diná, acho uma coisa maravilhosa. Lembra muito a minha mãe. Eu morava aqui em São Paulo e minha mãe no Rio, mas ela sabia que era eu quando o telefone tocava e sabia também quais eram os meus problemas. Eu não tinha com ela, mas ela ligava-se muito a mim através da telepatia, provavelmente porque ela tivesse uma carga muito maior de amor, não é? Então, ela sintonizava muito bem comigo. Creio que, no futuro, tanto a telepatia quanto as premonições serão mais explicadas, e o homem irá perdendo o medo, sim, porque ele tem muito medo desses fenômenos, e isso prejudica o seu adiantamento. E tudo vai se passar, como no caso do rádio e do telefone, basta discar e sintonizar. No caso da televisão, basta acionar um botão, Faço votos que esse tipo de comunicação seja o mais brevemente difundido entre nós.

Qual o saldo positivo da novela?

Acho que a novela foi muito importante porque ela mostrou um lado novo para as pessoas, que é o lado da esperança, sabe. Não é que seja novo, mas estava muito esquecido. Atualmente, só se ouve falar de guerras, de falta de solidariedade humana, e essa novela trouxe essa coisa maravilhosa que é a esperança. Então você pode acreditar ou não, mas uma coisa você não pode se negar, é ter essa esperança. É realmente um conforto muito grande. De repente, ela lhe dá uma motivação para a sua vida e para além da vida. Isto eu achei importantíssimo, independentemente de qualquer religião que a pessoa tenha, porque no mundo – não falo só dos lugares onde existam guerras não –, aqui mesmo em São Paulo, a violência é uma coisa que a gente comprova, não é? A violência está nas ruas, está na casa do vizinho, está em nossa própria casa, a falta de amizade, e essa novela trouxe muito amor, sabe, muita esperança de um mundo melhor. Acho que o saldo foi amplamente positivo em favor de uma sociedade mais cristã, onde venhamos a ter muito amor e muita solidariedade humana.

“Alexandre, Você precisa evoluir!”

Nancy Pubimann Di Girolamo

Diná, a personagem da novela A Viagem repetiu a Alexandre, com inflexão insistente e tom de condição absoluta, a frase que aprendera recentemente: “Você precisa evoluir!” Para os estudiosos de Espiritismo, a frase, a inflexão e o tom são familiares, e evolução é uma palavra-síntese, resumindo e nucleando o que eles sabem, ao mesmo tempo, ligada ao meio e ao fim da própria vida.

Entretanto, essa palavra tem conotações variadas conforme o campo de estudo que a utilize ou os pontos de referência que se tenha. No dicionário médico, “evolução” significa o desenvolvimento de um ser, órgão, sistema, processo ou teoria. Como processo pode ser espontâneo, natural ou mórbido. No dicionário filosófico, liga-se ao Evolucionismo, como teoria baseada na afirmação de que os fenômenos do Universo, especialmente os biológicos, são resultantes de um processo gradativo de desenvolvimento, do simples ao complexo.

Para os sociólogos, a palavra é colocada dentro de um contexto de desenvolvimento sociocultural. As mudanças caracterizadas pela assimilação irreversível de elementos culturais numa sociedade é que identificam esse desenvolvimento As consequências são a multiplicação das formas de interação social, levando à diferenciação crescente. Em qualquer das conotações está presente a ideia de movimento e mudança, a partir do que já existe em potencial.

Segundo o Espiritismo, a evolução nos parece ser o processo pelo qual os seres e as coisas conseguem cumprir o programa divino. Essa ideia, transposta para o nível de destinação humana, consegue identificar o sentido e a direção dos caminhos existentes, realçando o valor do tempo, da variedade espacial e do que se faz dentro deles. Conscientiza-se que a finalidade das reencarnações, na terra e da própria vida onde e em qualquer circunstância, é conduzir à perfeição. Repetindo experiências em épocas e locais diferentes, dentro de corpos variados e em situações que reciclam posições e estado, os seres vão se colocando em condições de assumir a sua parte na obra da Criação; parte necessária à marcha do Universo. Dessa forma, tudo se encadeia a se solidariza na natureza.

A partir do momento em que a mente humana tem a consciência desse processo, pode utilizar a própria vontade na direção evolutiva, acelerando o ritmo e dele participando como agente propulsor. Assume o papel de condutor de si mesmo quando até então era apenas conduzido compulsoriamente através das tribulações, das lutas e das dores.

Evolução não é necessariamente sofrer, mas substancialmente viver, pois a cada minuto de vida o horizonte se abre e novas lições se apresentam, necessárias para o desenvolvimento pleno do ser. É um processo que não sofre pausas ou intervalos com a morte do corpo porque transcende, e até mesmo justifica, a existência, a composição, a organização dos corpos. O que parece retrocesso não significa senão manifestação de elementos residuais indesejáveis que, apresentados, podem vir a ser vencidos.

Na novela A Viagem, o simpático personagem que é chamado Dr. César, reforçando a frase que a Diná diz a Alexandre, em um trecho de importante diálogo: “É preciso amar. É preciso perdoar”. Nós refletimos que, na atmosfera da Terra, os relacionamentos inter-humanos ainda são, frequentemente, ásperos, competitivos, magoantes, ofensivos, disfarçados, insinceros, até mesmo entre os que se chamam e se sentem amigos ou familiares. Por isso o amor tem que ser às vezes o filho, às vezes o pai do perdão, e ambos são os fundamentos internos da evolução. Presumimos que, na referida novela, o ponto culminante e decisivo da história vai ser exatamente aquele em que Alexandre compreenda o sentido da vida e a sua necessidade de mudança interior. O seu momento de perdão e de amor.

É altamente significativo que o mais completo meio de comunicação, o mais generalizado recurso de lazer ao nosso alcance, que é a televisão, esteja fazendo apelos como esses e – o que é digno de menção –, tornando esses apelos válidos, e até mesmo esperados, em consequência das situações apresentadas e da própria sequência dos acontecimentos. Estamos achando que, para nós, os telespectadores encapados nos corpos, os “vivos” na dimensão terrena, está sendo muito útil o alertamento que essa novela está fazendo. Porque importante mesmo é a gente saber – e se já sabe, não se esquecer – que “é preciso evolui!”

Casas e vestimentas do outro lado

Richard Simiotietu

Existem realmente casas e vestimentas do outro lado da vida?

Não obstante as limitações da televisão, é bem sugestiva a visão oferecida ao telespectador de um mundo invisível ao olhar humano, que não é um comportamento estanque na Eternidade. Os Espíritos desencarnados apenas respiram em outra faixa de vibração, mas em estreita ligação com os homens, envolvendo-se nos problemas da Terra com o mesmo empenho de quando “vivos”, e agindo segundo seus padrões de entendimento. Intuitivamente, a criatura humana sempre guardou noção desta realidade, originando-se daí as ideias mitológicas de seres como os duendes, as fadas, os deuses, os anjos, os demônios…

O desconhecimento da vida além-túmulo gera muitas dúvidas no telespectador que assiste A Viagem, como, por exemplo, o fato de haver casas e roupa no plano espiritual. Mais difícil seria explicar a inexistência deles, a não ser que imaginemos que o Espírito é uma espécie de fumaça, sem nenhum veículo de manifestação e identificação, o que tornaria a vida além-túmulo algo de enfadonho e complicado. O problema da ação dos Espíritos no plano espiritual já foi resolvido pelo apóstolo Paulo, na primeira epístola aos Corintos, ao proclamar que há corpos terrestres e corpos celestes. O nosso corpo celeste é o perispírito, uma cópia fiel do corpo físico, veículo de nossa ação no plano espiritual, e que permite aos videntes identificarem os “mortos” que surgem à sua visão mediúnica.

Sugerimos alguns livros que falam sobre a vida além-túmulo:

  • André Luiz: Nosso lar; Os mensageiros; Missionários da luz; Obreiros da vida eterna; No mundo maior; Libertação; Entre a terra e o céu; Nos domínios da mediunidade; Ação e reação; Sexo e destino.
  • Allan Kardec: O céu e o inferno; Obsessão; O livro dos médiuns.
  • Dale Owen: A vida além do véu.
  • Maria João de Deus: Cartas de una mujer muerta.
  • Yvonne Pereira: Recordações da mediunidade; Nas telas do infinito; A tragédia de Santa Maria.

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