Conversa secreta com U Thant, da ONU
Hoja de Espíritu – outubro de 1975

No amplo plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, todos os lugares estavam tomados para ouvir a exposição que ia fazer sobre os discos voadores o professor Allen Hynek, presidente do Centro Ufológico dos Estados Unidos, organizador de 12 centros de pesquisa de objetos não identificados em vários países e, também, diretor do Departamento de Astronáutica e Astrofísica da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos.
A essas qualidades de cientista, de pesquisador, de estudioso da matéria, o professor Allen Hynek acrescenta mais uma: a de assessor de Aeronáutica dos Estados Unidos. Ele veio presidir o 1º Congresso Mundial de Ufologia, nome pelo qual se classificam, hoje, os chamados discos voadores.
Os tropeços da ciência
Acompanhado de intérprete e de auxiliares, o professor Allen Hynek apresentou uma série de slides, parte dos 40.000 casos investigados pelo Banco de Processamento que está à sua disposição, nos Estados Unidos. Sua apresentação foi feita pelos deputados Brigido Tinoco, presidente da Câmara dos Deputados, e pelo general Uchôa, um dos pesquisadores em nosso país.
Ao apresentar o conferencista, o general Uchôa, professor da Escola Militar de Agulhas Negras, referiu-se ao período de 7 anos que vem dedicando às pesquisas nesse setor. Considerou o problema dos discos voadores como o maior do século pelas implicações que ele tem com os vários campos da atividade humana.
Observou que a “ciência caminha de tropeços e que não se acreditava nos meteoritos até uma certa época, porque não se admitia que pudessem cair pedras do céu”. Refutou o argumento de que não seria possível o disco voador porque este teria que ultrapassar a velocidade da luz, pois isso seria admitir que o “espaço existente e conhecido encerrasse toda a realidade”. A ciência, lembrou o general Uchôa, já fala em Universos paralelos que poderão até encontrar-se e intercomunicar-se.
O ridículo não faz parte da ciência
Para o Espiritismo, não há novidade nas relações com outros planetas, nem na comunicação entre habitantes de nosso planeta com moradores de outros mundos. Camille Flamarion cuidou, cientificamente, da “pluralidade dos mundos habitados”, e seria um absurdo imaginar que fôssemos, em todo o Universo que não tem limites de começo e de fim, o único planeta habitado…
O professor Allen Hynek falou da esperança da ciência do amanhã, provavelmente, reconhecendo como cientista que é, a deficiência científica de hoje. Por isso mesmo, acentuou que “o ridículo não faz parte da ciência” e que em escala cósmica só o fantástico pode ser real.
É um fenômeno mundial
Demonstrou que o caso dos discos voadores é um fenômeno mundial, ocorrendo com as mesmas características em Trindade, envolvendo o almirante Saldanha, na Barra da Tijuca, ou no México, na Argentina, no Chile, nos Estados Unidos, na África etc., totalizando 40.000 casos já estudados. E afirmou: “não há país que não tenha tido, com exclusão da China e da Rússia, a verificação do fenômeno, levando-se em conta nesses dois países as dificuldades de obtenção de relatórios”.
As aparições e os objetos são idênticos
Um dado importante para a ciência no estudo dos discos voadores é que, segundo o professor Allen Hynek, não há diferença nas descrições, embora procedentes de países os mais diversos. Estatisticamente, 51% do público norte-americano conhecem o problema, sendo a bibliografia enorme. Entende o professor Allen que o assunto cresce de importância, tendo sido, inclusive, objeto de recente manifestação oficial do ministro da Defesa da França, através de programa de televisão. Em 1953, a CIA, nos Estados Unidos, organizou um painel de estudo do assunto, porém achou melhor colocá-lo de lado, embora deva prosseguir nas suas observações, excluindo-as do conhecimento público.
A ideia de vida e inteligência
Disse, ainda, que os relatórios objeto de estudo e devidamente classificados entre os 40.000 casos referidos focalizam sempre “a ideia de vida e inteligência no espaço, ideia que cai fundo dentro de cada um de nós”. Para ele, o “tempo do ridículo” já passou, dado o valor das testemunhas e o erro de pensar que somente os loucos veem discos. “Mais de 50 cientistas americanos observaram o disco”, afirmou o conferencista. De outro lado, essa ideia de ridículo se desmonta com a simples circunstância da persistência do fenômeno em lugares os mais diversos.
Características
Mostrou, com ajuda de slides, os discos com luzes noturnas, os discos diurnos, os 13 casos de “encontros próximos”. Dentre estes casos, projeta fotos e desenhos dos locais de aterrissagem, em distâncias até de 300 metros para as visões diretas, os sinais no chão e a presença de serem em alguns deles.
Informou que o Centro de Estudos e Pesquisas dos Discos acabou de publicar um trabalho sobre as características físicas dos seres que viajam nesses discos, com centenas de casos, ilustrações, rastros, círculos, queimadas, árvores quebradas etc. Esse Centro é composto de cientistas de várias universidades, e os casos só podem ser considerados publicáveis depois de um amplo relatório técnico sobre eles.
Que existem, existem
Do meio do auditório, superlotado, gritou alguém uma pergunta:
– Afinal, os discos existem? O que são eles?
O professor respondeu como se tivesse sido interrompido por um aluno mais afoito:
– Os objetos existem, mas se nós soubéssemos o que são eles, não seriam mais “objetos não identificados, mas identificados”. Hoje, eles não são apenas problema da ciência, da astronáutica, mas também da sociologia, da política…
Há o temor do desconhecido que precisa ser enfrentado. E, de fato, o professor Allen Hynek deve ter recordado, nessa ocasião, as grandes viagens marítimas que permitiram aos italianos, portugueses etc. a descoberta dos outros continentes. O mundo agora procura os novos campos do espaço interplanetário.
Encontro confidencial com U Thant da ONU
A grande revelação do professor Allen Hynek foi o encontro confidencial com U Thant, então secretário-geral da Organização das Nações Unidas. U Thant revelou-lhe o interesse pelos discos voadores, contando-lhe que, no seu entender, pequenas nações da África eram instrumentos de espionagem de grandes potências, admitindo, assim, a possibilidade de que os discos voadores fossem manipulados aqui mesmo na Terra.
E U Thant foi mais longe, pois considerou que se alguma grande nação quisesse desviar a atenção de outros problemas maiores, mandaria discos voadores para a contemplação e a curiosidade dos seus habitantes… E aí estava a colocação do problema no aspecto político, demonstrando a grande divisão que poderia existir entre a pesquisa científica e o estudo social e político do assunto.
“Esqueçam de tudo, escondam os casos”
Em 1953, quando o assunto era considerado mania, a CIA recomendava: “esqueçam de tudo, escondam os casos…” Mas, 15 anos depois, o assunto continuou na ordem do dia e até o radar acusava esses estranhos instrumentos. Entende o professor Allen Hynek que está faltando uma nação pioneira, levando o problema à mesa da ONU e, assim, a Organização das Nações Unidas instalaria um organismo para receber e catalogar as informações, transmitindo-as aos centros científicos.
Nessa altura, a voz do professor aumentava de volume e ecoava no plenário lotado: “Acabou o tempo do ridículo. Começou o tempo para os estudos sérios”. E para demonstrar essa seriedade, Allen Hynek contou que o Centro de Estudos de Discos Voadores que dirige está ligado a todos os postos policiais nos Estados Unidos, e assim, qualquer fato levado ao conhecimento da autoridade policial é imediatamente comunicado ao Centro. Daí o fato de terem obtido em alguns casos elementos valiosos para a pesquisa.
Podemos concluir esta reportagem, que é resultado da palestra e da entrevista que vimos, lembrando que a fantasia desempenha um papel importante na ciência mais séria e que nada pode ser desprezado para a procura da verdade. Os espíritas sabem que o mundo interplanetário não existiria apenas para a contemplação deste pequeno planeta no infinito sem limites, sendo a presença dos discos voadores uma provável demonstração de que os seres de outros planetas desejam comunicar-se conosco. Que ridícula pretensão a de nos julgarmos o único planeta habitado! (F. N.).