{"id":1294,"date":"2021-03-31T22:16:50","date_gmt":"2021-04-01T01:16:50","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=1294"},"modified":"2026-01-23T20:17:20","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:20","slug":"por-que-precisamos-falar-sobre-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/es\/2021\/03\/31\/por-que-precisamos-falar-sobre-a-morte\/","title":{"rendered":"Por que precisamos falar sobre a morte"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><strong>Eleni Gritzapis<\/strong>, <strong>Cl\u00e1udia Santos<\/strong> e <strong>Conrado Santos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA morte \u00e9 um dia que vale a pena viver\u201d \u00e9 o t\u00edtulo da palestra que tornou a dra. Ana Claudia Quintana Arantes conhecida do grande p\u00fablico. O v\u00eddeo dessa palestra, que tem o formato de TED Talk, tem quase tr\u00eas milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube. Essa mesma palestra foi transformada em livro, que j\u00e1 est\u00e1 na segunda edi\u00e7\u00e3o pela editora Sextante \u2013 e permanece entre os mais vendidos e recomendados desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, em 2016.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ana_Claudia_Quintana_Arantes_cuidados_paliativos.jpg\" alt=\"Ana Claudia Quintana Arantes \" class=\"wp-image-1349\" width=\"619\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ana_Claudia_Quintana_Arantes_cuidados_paliativos.jpg 353w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ana_Claudia_Quintana_Arantes_cuidados_paliativos-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ana Claudia Quintana Arantes (foto) \u00e9 m\u00e9dica formada pela USP, com resid\u00eancia em Geriatria e Gerontologia no Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP. Fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia \u2013 Interven\u00e7\u00f5es em Luto, pelo Instituto 4 Esta\u00e7\u00f5es de Psicologia, e especializa\u00e7\u00e3o em Cuidados Paliativos, pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford. S\u00f3cia-fundadora da Associa\u00e7\u00e3o Casa do Cuidar, Pr\u00e1tica e Ensino em Cuidados Paliativo, atualmente atua como docente da The School of Life e da Casa do Saber, ministrando as aulas \u201cComo lidar com a morte\u201d e \u201cComo ter melhores conversas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta entrevista, ela defende que precisamos conversar sobre a morte de forma a lidar melhor com o luto e viver melhor. N\u00e3o deixe de conhecer a \u00edntegra desta entrevista no Podcast Folha Esp\u00edrita, que tem como t\u00edtulo <em>A morte \u00e9 um dia que vale a pena viver<\/em>, dispon\u00edvel no Spotify, Google Podcast, Apple Podcast e nas principais plataformas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoja de Esp\u00edritu<\/strong> <strong>\u2013 A sua apresenta\u00e7\u00e3o no TEDx da Faculdade de Medicina da USP, em 2013, que teve como tema \u201cA morte \u00e9 um dia que vale a pena viver\u201d, conta hoje com quase tr\u00eas milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. O seu livro, que leva o mesmo t\u00edtulo, \u00e9 um sucesso de vendas. Por que que voc\u00ea acha que esse assunto atrai tanto p\u00fablico, desde profissionais da sa\u00fade at\u00e9 o p\u00fablico leigo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia<\/strong> \u2013 Todo o trabalho da Medicina \u00e9 voltado para evitar a morte, e eu penso que deveria ser garantir uma vida boa, que vale a pena viver, mas a gente tem milhares de procedimentos, t\u00e9cnicas, interven\u00e7\u00f5es e tratamentos para adiar o dia da morte. Sofri resist\u00eancia, inclusive, de uma editora para lan\u00e7ar o livro com este t\u00edtulo, e eu disse, na \u00e9poca, que a capa do livro \u00e9 uma triagem para quem tem coragem de ter uma vida que vale a pena viver. Para voc\u00ea ter coragem de ter uma vida que vale a pena investir, tem que entrar na sua cabe\u00e7a que voc\u00ea morre e, a\u00ed sim, voc\u00ea vai entrar no eixo de consci\u00eancia de uma vida que vale a pena voc\u00ea desenvolver ao longo do tempo que voc\u00ea est\u00e1 aqui.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/livro-a-morte-e-um-dia-que-vale-a-pena-viver.jpg\" alt=\"A morte \u00e9 um dia que vale a pena viver\" class=\"wp-image-1554\" width=\"371\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/livro-a-morte-e-um-dia-que-vale-a-pena-viver.jpg 300w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/livro-a-morte-e-um-dia-que-vale-a-pena-viver-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 371px) 100vw, 371px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-necessidade-de-mudan-a\">Necessidade de mudan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 A morte \u00e9 um tabu ainda?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia<\/strong> \u2013 Tabu diz respeito a temas para os quais voc\u00ea tem escolha. Ent\u00e3o existe o tabu do sexo, da sexualidade, das drogas, do casamento, do feminino, do masculino. Para a morte, n\u00e3o h\u00e1 escolha. N\u00e3o tem essa de \u201ceu sou contra\u201d, ela deve ser encarada de frente. N\u00e3o tem essa discuss\u00e3o se eu morrer, mas, sim, como vai, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m na fila do p\u00e3o para dizer \u201cn\u00e3o quero morrer\u201d. Nesse sentido, precisa haver uma mudan\u00e7a na Medicina e nos profissionais da sa\u00fade. A Medicina tem essa coisa do cuidar e achar que vai curar sempre, isso n\u00e3o existe. \u00c9 necess\u00e1rio mudar, conversar sobre a morte, n\u00e3o vejo nenhuma forma de mudar uma sociedade, de mudar uma cultura que n\u00e3o seja pela educa\u00e7\u00e3o. Precisamos falar sobre o fim de vida. Estou numa for\u00e7a tarefa herc\u00falea de levar essa necessidade do aprendizado sobre os cuidados paliativos para os m\u00e9dicos, para que na faculdade de Medicina tenham acesso a esse conhecimento, ao menos do discernimento do que pode ser feito, da identifica\u00e7\u00e3o do paciente que se beneficia deste trabalho, uma abordagem que visa promover o al\u00edvio do sofrimento. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no fim da vida que a gente sofre; os pacientes sofrem desde o momento em que t\u00eam um diagn\u00f3stico, sofrem durante todo o trajeto de uma enfermidade. Eu presido uma institui\u00e7\u00e3o que oferece esse aprendizado, que \u00e9 a Associa\u00e7\u00e3o Casa do Cuidar, Pr\u00e1tica e Ensino em Cuidados Paliativos. Esse movimento de dissemina\u00e7\u00e3o e ensino dos cuidados paliativos come\u00e7a na ponta errada, que \u00e9 a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, o que torna um baita trabalho desestruturar todos os conceitos que foram colocados na mente desse m\u00e9dico que acha que pode tudo e que \u201cno meu plant\u00e3o ningu\u00e9m morre\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Sobre a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e o coment\u00e1rio anterior de que a gente n\u00e3o tem como discutir se vamos ou n\u00e3o vamos morrer, <em>El Evangelio seg\u00fan el espiritismo<\/em> ensina que se pud\u00e9ssemos olhar para a vida como se ela fosse infinita, mudar o nosso ponto de vista entendendo-a como eterna, muitos dos nossos sofrimentos seriam diferentes, inclusive a nossa maneira de lidarmos com a morte. Voc\u00ea acha que quando a gente compreender e discutir mais sobre a morte, a gente vai se aproximar dessas conquistas da alma, tornando a nossa vida mais leve e diferente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia \u2013 <\/strong>Penso que com a dor a gente tem uma percep\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica da eternidade. Pode reparar que quando voc\u00ea est\u00e1 muito alegre, muito feliz, quando voc\u00ea fica sozinho, voc\u00ea pensa: \u201cai, Meu Deus, t\u00f4 at\u00e9 com medo que isso acabe\u201d. Vamos pegar o exemplo dessas pessoas que est\u00e3o agora com uma dor do luto, que n\u00e3o est\u00e3o nem com energia de escutar, que est\u00e3o agora em cima da cama, sem tomar banho, sem comer, querendo a morte, inclusive&#8230; Quando a gente est\u00e1 nesse sofrimento, temos a falsa no\u00e7\u00e3o de eternidade, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o que essa dor n\u00e3o vai passar. A nossa no\u00e7\u00e3o de eternidade \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o de eternidade do sofrimento, as pessoas n\u00e3o sabem lidar com isso porque a experi\u00eancia concreta que n\u00f3s temos de perceber a verdade da eternidade \u00e9 na dor: essa dor n\u00e3o passa, o medo n\u00e3o passa, a ang\u00fastia n\u00e3o passa, essa fase dif\u00edcil da minha vida n\u00e3o passa, da\u00ed parece que ela \u00e9 eterna. Tenho uma vis\u00e3o muito clara de que estamos aqui para aprender. Esse corpo \u00e9 um uniforme para este aprendizado. Entramos aqui no pr\u00e9-prim\u00e1rio, o seu corpo \u00e9 o seu uniforme para voc\u00ea frequentar as aulas nessa dimens\u00e3o. Quando voc\u00ea morre \u00e9 porque voc\u00ea pegou o diploma. Pode pegar o diploma aos 28 anos? Sim. Pode pegar o diploma quando rec\u00e9m-nascido? Sim, depende em que curso voc\u00ea se matriculou.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00f3s n\u00e3o amamos o suficiente a ponto de perder as pessoas. Se a gente amasse o suficiente, a gente poderia perder porque tudo teria sido dito, tudo teria sido demonstrado, teria perdoado, teria sido feito tudo da melhor forma poss\u00edvel. Mas como a gente n\u00e3o ama o suficiente, a gente n\u00e3o consegue perder. A\u00ed voc\u00ea sempre tem aquela sensa\u00e7\u00e3o de que faltou viver alguma coisa no passado. \u00c9 totalmente saud\u00e1vel uma dor do processo de luto em rela\u00e7\u00e3o ao que voc\u00ea vai viver no futuro, no estilo \u201cpuxa, minha m\u00e3e n\u00e3o vai ver minha filha se formar\u201d, mas eu n\u00e3o posso dizer \u201cse eu tivesse viajado com a minha m\u00e3e&#8230;\u201d Voc\u00ea precisa ter uma dor da perda de futuro, isso \u00e9 leg\u00edtimo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Temos in\u00fameras pesquisas de universidades em todo o mundo sobre as experi\u00eancias de quase morte e as vis\u00f5es no leito de morte. A ci\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o teria ind\u00edcios suficientes para acreditar na vida ap\u00f3s a morte? Ali\u00e1s, voc\u00ea acredita na vida ap\u00f3s a morte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia \u2013<\/strong> Temos evid\u00eancias de continuidade do processo de consci\u00eancia, evid\u00eancia de que a consci\u00eancia permanece, apesar da morte. Com rela\u00e7\u00e3o a eu acreditar em vida ap\u00f3s a morte, vou te responder como fa\u00e7o com todo mundo: n\u00e3o \u00e9 da minha conta. Se tem vida depois da morte, eu estou bastante ocupada aqui para n\u00e3o precisar desperdi\u00e7ar meu tempo de vida pensando no que vai acontecer depois, porque n\u00e3o \u00e9 da minha conta, n\u00e3o \u00e9 da minha al\u00e7ada, tem gente respons\u00e1vel por isso. Se eu estou nesse envelope, com esse uniforme, minha alma aqui neste mundo tem um prop\u00f3sito de aprendizado e vou me ocupar disso. Vou viver aquilo que \u00e9 que considero como uma experi\u00eancia humana valiosa para minha alma aqui, esse \u00e9 o meu prop\u00f3sito, fazer o melhor agora. Ent\u00e3o essa a vis\u00e3o da vida depois da morte precisa ser um pouco mais madura. Vamos combinar que n\u00e3o tem essa hist\u00f3ria mais de voc\u00ea desperdi\u00e7ar tempo tentando entender o pensamento de Deus, n\u00e3o temos <em>software<\/em> para isso, como Deus pensa n\u00e3o \u00e9 da sua conta e Ele \u00e9 quem sabe, porque n\u00e3o tem ningu\u00e9m mais competente que Ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-aprenda-com-a-natureza\">&#8220;Aprenda com a natureza&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 A dra. Elisabeth K\u00fcbler-Ross, pioneira do movimento de cuidados paliativos na Inglaterra, traz uma reflex\u00e3o em que dever\u00edamos discutir sobre a morte com as crian\u00e7as ainda em tenra idade. Voc\u00ea acha que essa pr\u00e1tica ajudaria as pessoas a lidarem melhor com a morte na fase adulta? Como que n\u00f3s poder\u00edamos introduzir esse aprendizado sobre a finitude das vidas com as crian\u00e7as?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia<\/strong> \u2013 A gente j\u00e1 nasce sabendo lidar com a morte; as crian\u00e7as sabem lidar com o sofrimento e com a morte muito melhor do que os adultos. N\u00f3s desestruturamos a sabedoria nata do ser humano com a nossa educa\u00e7\u00e3o ocidental. Ent\u00e3o voc\u00ea poupa a crian\u00e7a do adoecimento e morte da m\u00e3e, por exemplo. E quando isso acontece, elas v\u00e3o precisar do suporte ao luto quando adultos. Tenho pacientes de 40, 50 anos que perderam a m\u00e3e quando tinham 5 anos e at\u00e9 hoje n\u00e3o se deram conta disso, porque algu\u00e9m na fam\u00edlia decidiu que as crian\u00e7as n\u00e3o podem ir ao funeral, as crian\u00e7as n\u00e3o podem saber que o amado delas est\u00e1 morrendo. Voc\u00ea quer saber como a crian\u00e7a pensa, vai no quintal de casa, procura uma minhoca morta e pede para ela contar a hist\u00f3ria dela, ou de uma folha que caiu e est\u00e1 l\u00e1 sequinha. A natureza est\u00e1 a\u00ed para ensinar, aprenda com a natureza, essa condi\u00e7\u00e3o de cegueira \u00e9 absurda, pois se fecha os olhos para o \u00f3bvio: a crian\u00e7a sabe intuitivamente o que \u00e9 a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um estudo interessante feito com rec\u00e9m-nascidos e outro com beb\u00eas com 14 meses. Se um rec\u00e9m-nascido escuta o choro de um outro rec\u00e9m-nascido, ele chora. O outro com crian\u00e7as de 1 ano e 2 meses, mostra que se um beb\u00ea chora, o outro vai andando em sua dire\u00e7\u00e3o para ver o que est\u00e1 acontecendo, \u00e9 muito bonito. Mas voc\u00ea vai no shopping passear com seu filho e uma crian\u00e7a no carrinho chora, ele quer ir l\u00e1 e voc\u00ea fala \u201cn\u00e3o, ele tem m\u00e3e, deixa, n\u00e3o \u00e9 problema seu\u201d. Da\u00ed a gente cresce achando que a pessoa que sofre n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um problema nosso. A gente j\u00e1 veio com a compaix\u00e3o instalada de f\u00e1brica, a vis\u00e3o compassiva do sofrimento do outro e que voc\u00ea pode ajud\u00e1-lo a superar. Uma crian\u00e7a de 1 ano e 2 meses n\u00e3o tem p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia, n\u00e3o sabe Medicina, n\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria nem religiosa, mas sabe disso intuitivamente, s\u00f3 que a nossa educa\u00e7\u00e3o desestrutura, desensina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Voltando agora para o assunto do momento, a pandemia. Voc\u00ea vem desenvolvendo v\u00e1rios cursos e conversas sobre a morte nos \u00faltimos anos. A procura aumentou nos \u00faltimos tempos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia \u2013<\/strong> Sim, as pessoas querem ouvir, querem um espa\u00e7o seguro para conversar sobre a morte. Quando voc\u00ea busca este contato no momento em que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 em sofrimento, voc\u00ea transforma a sua vida em algo mais leve porque voc\u00ea j\u00e1 falou sobre a parte mais dif\u00edcil, todo o resto fica mais f\u00e1cil. Por isso que \u00e9 importante voc\u00ea falar sobre o fim da vida: as coisas que v\u00e3o ficar muito mais f\u00e1ceis de serem resolvidas quando voc\u00ea olha para sua morte. A morte n\u00e3o pode ser vista como uma sa\u00edda, se voc\u00ea pensa na sua morte como uma sa\u00edda, voc\u00ea precisa de ajuda, de terapia. A morte \u00e9 uma n\u00e3o condi\u00e7\u00e3o absolutamente protetora da vida, n\u00e3o \u00e9 amea\u00e7adora. Ela protege a vida porque p\u00f5e um limite. Toda m\u00e3e que p\u00f5e limite educa melhor. Ent\u00e3o, a morte protegendo a gente, protegendo a nossa vida com este limite, faz com que a gente se realmente se dedique para aquele aprendizado dentro da vida. As aulas na escola da vida t\u00eam come\u00e7o, meio e fim. Ent\u00e3o todo sofrimento que voc\u00ea est\u00e1 passando vai passar tamb\u00e9m, porque nenhum dia, por mais dif\u00edcil que seja, dura mais de 24 horas. Ent\u00e3o se hoje est\u00e1 muito dif\u00edcil, ele vai virar ontem, semana passada, ano passado, quando eu era pequeno e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-n-s-precisamos-fazer-sil-ncio\">&#8220;N\u00f3s precisamos fazer sil\u00eancio&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Que conselhos que voc\u00ea daria para as pessoas que est\u00e3o vivendo um luto neste momento? N\u00e3o s\u00e3o poucas as pessoas que se foram, e os familiares n\u00e3o est\u00e3o tendo tempo de se despedir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia \u2013<\/strong> N\u00e3o h\u00e1 o que ser dito. N\u00f3s precisamos fazer sil\u00eancio, sustentar nossa presen\u00e7a e a nossa companhia. \u00c9 compaix\u00e3o, \u00e9 voc\u00ea estar ao lado e oferecer o teu cora\u00e7\u00e3o como fonte de apoio. E para voc\u00ea oferecer o teu cora\u00e7\u00e3o como fonte de apoio, teu cora\u00e7\u00e3o tem que estar leve. Ent\u00e3o talvez o meu pedido vai para quem n\u00e3o perdeu ningu\u00e9m nesta pandemia: n\u00e3o abuse da sorte se arriscando nem arriscando algu\u00e9m que voc\u00ea ama. Quem n\u00e3o perdeu ningu\u00e9m \u00e9 quem vai poder ajudar de fato as pessoas que est\u00e3o vivendo esse processo, porque que n\u00e3o h\u00e1 palavra que possa aliviar essa dor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Voc\u00ea sempre diz que morremos s\u00f3 uma vez e que a gente n\u00e3o pode dar vexame. O que quer dizer com isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Cl\u00e1udia<\/strong> \u2013 Tem muita gente que acredita na vida depois da morte, a\u00ed eu digo para essas pessoas que nesta vida aqui, eu, como Ana Cl\u00e1udia, s\u00f3 tenho essa. Pode ser que meu Esp\u00edrito tenha vindo um monte de vezes antes, venha um monte de vezes depois, mas, como eu disse, n\u00e3o \u00e9 da minha conta, pelo menos n\u00e3o da minha consci\u00eancia. Como Ana Claudia, eu s\u00f3 vou morrer uma vez, ent\u00e3o a gente tem que se preparar para isso. Voc\u00ea n\u00e3o pode dar um vexame na \u00faltima festa da sua vida, porque a sua morte \u00e9 sua \u00faltima festa, voc\u00ea n\u00e3o pode estar despreparado e passar vergonha. Voc\u00ea j\u00e1 foi um casamento vestindo shorts? \u00c9 um vexame&#8230; As pessoas olham o c\u00e9u, veem as nuvens pretas e falam assim: \u201cnossa, vai chover\u201d, mas n\u00e3o levam guarda-chuva! Est\u00e1 trovejando, aquele clima pesado, voc\u00ea olha isso e fala que n\u00e3o, vai dar tudo certo, Deus vai me ajudar e n\u00e3o vai chover&#8230; Isso \u00e9 vexame! Outra coisa que \u00e9 vexame: as coisas est\u00e3o acontecendo com voc\u00ea, voc\u00ea fica fazendo um monte de ora\u00e7\u00f5es pedindo para Deus mudar de ideia&#8230; \u00c9 como estivesse dizendo: \u201co Senhor se enganou, n\u00e3o era comigo, essa conta veio errada, em endere\u00e7o errado, vou devolver para o remetente\u201d. Deus n\u00e3o erra! Se est\u00e1 acontecendo com voc\u00ea, a conta \u00e9 sua! N\u00e3o \u00e9 uma fatura que vai ser paga, mas \u00e9 uma conta que vai ser vivida. Ent\u00e3o quando eu fizer ora\u00e7\u00e3o, pe\u00e7a a Deus a gentileza de oferecer os par\u00e2metros necess\u00e1rios de apoio, pe\u00e7a que a Miseric\u00f3rdia Divina possa te dar condi\u00e7\u00f5es de passar por isso, de voc\u00ea sair pela porta da frente e cumprir a sua miss\u00e3o na Terra. Voc\u00ea precisa ter coragem para seguir em frente e se responsabilizar pela diferen\u00e7a que voc\u00ea vai fazer no mundo! A gente tem que ter consci\u00eancia de que n\u00f3s temos que fazer esse mundo melhor depois que a gente passar por ele!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\"><strong>Fuente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>A morte \u00e9 um dia que vale a pena viver<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed alignleft is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: 53 - A morte \u00e9 um dia que vale a pena viver - Entrevista com Ana Claudia Quintana Arantes\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/1XxXDwmFK0o0UwpZnrjOXr?si=v6lI9S3KTRChefg2Nv5Skg&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n<div style=\"overflow:hidden;height:1px;\"><p><a href=\"https:\/\/roulette222si.com\">roulette 222<\/a><\/p><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eleni Gritzapis, Cl\u00e1udia Santos e Conrado Santos \u201cA morte \u00e9 um dia que vale a pena viver\u201d \u00e9 o t\u00edtulo da palestra que tornou a dra. Ana Claudia Quintana Arantes conhecida do grande p\u00fablico. O v\u00eddeo dessa palestra, que tem o formato de TED Talk, tem quase tr\u00eas milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube. 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