{"id":7054,"date":"2024-06-02T22:09:53","date_gmt":"2024-06-03T01:09:53","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7054"},"modified":"2026-01-23T20:17:06","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:06","slug":"catastrofes-naturais-castigos-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/es\/2024\/06\/02\/catastrofes-naturais-castigos-de-deus\/","title":{"rendered":"Cat\u00e1strofes naturais: castigos de Deus?"},"content":{"rendered":"<p>Foi no meio de uma madrugada, nos primeiros dias de maio que, uma vez mais, a fam\u00edlia de Rolf Jesse F\u00fcrstenau viu as \u00e1guas do Rio Gravata\u00ed, na cidade de Canoas\/RS, avan\u00e7arem em minutos de forma avassaladora. Era imposs\u00edvel conter a for\u00e7a da \u00e1gua. As ruas, j\u00e1 totalmente tomadas, viraram corredeiras, onde carros e muitos outros objetos deslizavam de forma incontrol\u00e1vel. Rolf, pai de duas filhas, viu sua casa ser tomada pela \u00e1gua em instantes. O ga\u00facho, que foi entrevistado pela rep\u00f3rter Fl\u00e1via Albuquerque, da Ag\u00eancia Brasil, encerra seu comovente relato dizendo: \u201c\u00c9 um pesadelo que a gente nunca pensou que fosse viver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"614\" height=\"410\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/agua-arrebenta_asfalto_no_Rio_Grande_do_Sul.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7087\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/agua-arrebenta_asfalto_no_Rio_Grande_do_Sul.jpg 614w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/agua-arrebenta_asfalto_no_Rio_Grande_do_Sul-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A trag\u00e9dia n\u00e3o ficou restrita a Canoas. Foram mais de 470 cidades atingidas, desalojando mais de 600 mil pessoas. Uma trag\u00e9dia de propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis, cujo impacto real ainda \u00e9 imposs\u00edvel de ser avaliado. Uma coisa \u00e9 certa: a hist\u00f3ria do povo ga\u00facho jamais ser\u00e1 a mesma, e muito ainda precisa ser feito para a reconstru\u00e7\u00e3o das cidades e, principalmente, para a continuidade das vidas de milhares de pessoas que n\u00e3o sabem nem por onde recome\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro extremo do mundo, no arquip\u00e9lago de Papua-Nova Guin\u00e9, um dos pa\u00edses mais pobres do mundo, na aldeia de Yambali, a madrugada tamb\u00e9m foi de pesadelo. Um deslizamento de terra devastador soterrou mais de duas mil pessoas, a grande maioria delas dormindo. Mais de 670, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM), morreram. Em um pa\u00eds que j\u00e1 sofre com condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o prec\u00e1rias, o resgate de sobreviventes \u00e9 dram\u00e1tico e muito dif\u00edcil, o que poder\u00e1 aumentar vertiginosamente o n\u00famero de mortos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color wp-elements-f762a79cd80da47ddfe3e2152292d5bc\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cTomemos cuidado com as elucubra\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias que podem causar falsas interpreta\u00e7\u00f5es dos acontecimentos e nos distanciar do essencial, que \u00e9 fazer o bem.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 10 e 11 de maio, as inunda\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m atingiram a regi\u00e3o nordeste do Afeganist\u00e3o, deixando um rastro de destrui\u00e7\u00e3o de grandes propor\u00e7\u00f5es. Foram mais de 18 prov\u00edncias atingidas, mais de 540 mortos e mais de tr\u00eas mil casas completamente destru\u00eddas, al\u00e9m da devasta\u00e7\u00e3o de milhares de acres de planta\u00e7\u00f5es e a perda de muitos animais. Segundo dados do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a regi\u00e3o j\u00e1 enfrentava muitas dificuldades para combater a fome.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos vivido um per\u00edodo de grandes cat\u00e1strofes. N\u00e3o \u00e9 algo recente. Muito pelo contr\u00e1rio, temos visto eventos como esses de forma muito mais frequente, e os progn\u00f3sticos n\u00e3o s\u00e3o nada animadores, visto que o impacto comprovado pela ci\u00eancia do aquecimento global h\u00e1 tempos nos sinalizava dias dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em momentos como estes, \u00e9 poss\u00edvel observarmos comportamentos distintos entre as pessoas. Felizmente, a grande maioria, pelo menos em nosso pa\u00eds, se mostra solid\u00e1ria \u00e0 dor alheia e colabora com o socorro imediato \u00e0s v\u00edtimas. Entretanto, al\u00e9m da ajuda, temos ainda outra postura das pessoas: a necessidade latente de quererem explicar as causas das trag\u00e9dias. De um lado, temos um grupo que busca a compreens\u00e3o por meio da leitura clara das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e, principalmente, dos in\u00fameros efeitos dos erros humanos na maneira como formatamos nossa vida contempor\u00e2nea. Do outro lado, mesmo diante da dor e do sofrimento, temos uma grande parcela de pessoas que insiste em buscar explica\u00e7\u00f5es equivocadas na interven\u00e7\u00e3o da Provid\u00eancia Divina.<\/p>\n\n\n\n<p>Se j\u00e1 n\u00e3o bastasse a dor e o sofrimento a que essas pessoas est\u00e3o submetidas, ainda temos que lidar com manifesta\u00e7\u00f5es infelizes que tentam explicar, por meio de uma argumenta\u00e7\u00e3o equivocada a respeito das a\u00e7\u00f5es da Provid\u00eancia Divina, a raz\u00e3o pela qual cat\u00e1strofes como essas acontecem. Lamentamos ver na m\u00eddia os relatos da prega\u00e7\u00e3o de um padre do estado do Mato Grosso do Sul, que alertou aos fi\u00e9is que as raz\u00f5es das enchentes no Rio Grande do Sul decorrem de um \u201cafastamento\u201d dos ga\u00fachos de Deus, justificando ser o estado o mais ateu da federa\u00e7\u00e3o e declarando haver \u201cmais centros de macumba na cidade de Porto Alegre do que no estado da Bahia inteiro\u201d (<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>O que ser\u00e1 que S\u00e3o Vicente de Paulo se dedicaria a fazer e a pregar em um momento de tanta dor e sofrimento como este? Seria este um ato de caridade? Vale nos perguntarmos: ser\u00e1 que Rolf Jesse F\u00fcrstenau, pai de duas filhas, morador de Canoas que perdeu tudo, n\u00e3o pode professar a mesma religi\u00e3o que o padre? E se assim for, por que motivo ele, sendo fiel, teria sido tamb\u00e9m penalizado pela escolha de uma parcela do povo ga\u00facho? Onde est\u00e1 a Justi\u00e7a Divina pregada pelo padre, que em um momento como este pune milhares de pessoas, tornando a vida ainda mais dura para pessoas j\u00e1 sofridas por conta da escolha de alguns?<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, \u00e9 preciso ter muita responsabilidade para lidar com um assunto como este. Certamente, n\u00e3o \u00e9 isso que a Espiritualidade espera de n\u00f3s diante do sofrimento alheio. Quem somos n\u00f3s para explicarmos as raz\u00f5es dos acontecimentos?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m, como esp\u00edritas, n\u00e3o devemos dedicar tempo, energia e muito menos propagar coment\u00e1rios que se dedicam a explicar, desta vez, com base nos mecanismos da reencarna\u00e7\u00e3o, o sofrimento do povo ga\u00facho. Momentos como estes s\u00e3o verdadeiros convites ao nosso amadurecimento. Uma chance de nos unirmos por meio da caridade, sem perdermos tempo com a pequenez de nossa incompreens\u00e3o. Devemos ampliar nossa percep\u00e7\u00e3o de Deus; a vis\u00e3o m\u00edope do Deus vingativo e que pune n\u00e3o tem sustenta\u00e7\u00e3o em um mundo que necessita caminhar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Fraternidade Universal. Somos todos irm\u00e3os e necessitamos das m\u00e3os uns dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomemos cuidado com as elucubra\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias que podem causar falsas interpreta\u00e7\u00f5es dos acontecimentos e nos distanciar do essencial, que \u00e9 fazer o bem. Disse Jesus aos seus disc\u00edpulos: \u201c\u00c9 imposs\u00edvel que n\u00e3o venham esc\u00e2ndalos, mas ai daquele por quem vierem!\u201d E \u00e9 isso que temos visto de forma t\u00e3o dolorosa. Nesses momentos t\u00e3o dif\u00edceis, o melhor que temos a fazer \u00e9 arrega\u00e7ar as mangas e atuarmos de forma caridosa e amorosa, aliviando o quanto pudermos a dor dos que sofrem. Pensemos nisto: n\u00e3o nos cabe compreender as raz\u00f5es, mas nos \u00e9 solicitado que atuemos de forma caridosa para aliviar o sofrimento de quem quer que seja.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no meio de uma madrugada, nos primeiros dias de maio que, uma vez mais, a fam\u00edlia de Rolf Jesse F\u00fcrstenau viu as \u00e1guas do Rio Gravata\u00ed, na cidade de Canoas\/RS, avan\u00e7arem em minutos de forma avassaladora. Era imposs\u00edvel conter a for\u00e7a da \u00e1gua. 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