{"id":7442,"date":"2024-10-07T12:31:11","date_gmt":"2024-10-07T15:31:11","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7442"},"modified":"2026-01-23T20:17:05","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:05","slug":"psicologo-aponta-para-um-novo-olhar-sobre-o-uso-problematico-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/es\/2024\/10\/07\/psicologo-aponta-para-um-novo-olhar-sobre-o-uso-problematico-da-internet\/","title":{"rendered":"Un psic\u00f3logo apunta una nueva perspectiva sobre el uso problem\u00e1tico de Internet"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"533\" height=\"369\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Aroldo_de_Lara_Cardoso_Junior.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7443\" style=\"width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Aroldo_de_Lara_Cardoso_Junior.jpg 533w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Aroldo_de_Lara_Cardoso_Junior-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 533px) 100vw, 533px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em uma conversa esclarecedora, o psic\u00f3logo Aroldo de Lara Cardoso J\u00fanior (foto) debateu o conceito de \u201cuso problem\u00e1tico da Internet\u201d, um tema que desperta interesse crescente no campo da sa\u00fade. Ao contr\u00e1rio de diagn\u00f3sticos concretos, como transtornos de ansiedade ou depress\u00e3o, o uso problem\u00e1tico da Internet \u00e9 descrito como um \u201cconstruto\u201d, ou seja, uma forma de entender comportamentos humanos, sem necessariamente categoriz\u00e1-los como doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9?<\/h2>\n\n\n\n<p>Cardoso explica que o termo n\u00e3o deve ser confundido com depend\u00eancia ou v\u00edcio, como \u00e9 frequentemente retratado. \u201cO uso problem\u00e1tico da Internet \u00e9 um conceito que surgiu nos anos 1990, quando Kimberly Young, psic\u00f3loga norte-americana, estudou o caso de uma mulher que parou de realizar atividades cotidianas, como cuidar da casa ou de si mesma, para passar a maior parte do tempo em um servi\u00e7o online popular na \u00e9poca, o America Online\u201d, relembra. Naquele per\u00edodo, a ideia de depend\u00eancia de Internet foi recebida com ceticismo e cr\u00edticas. No entanto, os relatos de pessoas que passaram a descrever dificuldades em controlar o tempo online geraram uma s\u00e9rie de estudos, que, ao longo de mais de 25 anos, constru\u00edram a base de compreens\u00e3o que temos hoje.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A evolu\u00e7\u00e3o do conceito: n\u00e3o se trata de depend\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Hoje, a vis\u00e3o sobre o uso problem\u00e1tico da Internet \u00e9 mais ampla e n\u00e3o se restringe a um simples diagn\u00f3stico de depend\u00eancia. Cardoso ressalta que \u201cn\u00e3o se fala mais em depend\u00eancia ou v\u00edcio, como se fosse algo similar \u00e0 adi\u00e7\u00e3o por subst\u00e2ncias, onde a perda de controle tem uma determina\u00e7\u00e3o mais biol\u00f3gica, com presen\u00e7a de sintomas de abstin\u00eancia. Em vez disso, o foco est\u00e1 no sofrimento gerado pelo FoMo (Fear of Missing Out), que muitas vezes pode estar atrelado a comorbidades, como depress\u00e3o e ansiedade. Ele destaca que o comportamento pode ser uma forma mal adaptada de lidar com problemas emocionais: \u201cO uso da Internet pode ser um mecanismo de escape, quando a pessoa est\u00e1 enfrentando dificuldades na realidade e busca se regular emocionalmente no ambiente digital\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-0213f6b9823ed29efbf8e5de187b29df\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cO ponto de alerta \u00e9 quando o uso da Internet gera sofrimento\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fatores de personalidade e o modelo I-PACE<\/h2>\n\n\n\n<p>O especialista tamb\u00e9m aborda um modelo recente, o I-PACE (Intera\u00e7\u00e3o entre Personalidade, Afeto, Cogni\u00e7\u00e3o e Emo\u00e7\u00e3o), que busca explicar os m\u00faltiplos fatores envolvidos no uso problem\u00e1tico da Internet. \u201cEsse modelo prop\u00f5e que certos tra\u00e7os de personalidade, como o neuroticismo, podem tornar as pessoas mais vulner\u00e1veis a um uso excessivo de Internet, como uma maneira de lidar com o sofrimento\u201d, afirma. Cardoso observa que, em geral, pessoas com maiores n\u00edveis de neuroticismo ou extrovers\u00e3o t\u00eam maior propens\u00e3o a desenvolver comportamentos problem\u00e1ticos, em parte pelo pr\u00f3prio design das plataformas, que utilizam algoritmos para manter o engajamento dos usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O sofrimento como principal indicador<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando perguntado sobre como identificar o momento em que o uso da Internet se torna prejudicial, Cardoso foi claro: \u201cO ponto de alerta \u00e9 quando o uso da Internet gera sofrimento\u201d. Ele exemplifica situa\u00e7\u00f5es como o uso do WhatsApp enquanto dirige, resultando em m\u00faltiplos acidentes, ou quando o indiv\u00edduo perde noites de sono devido a jogos online, mesmo sabendo que precisa descansar. Nesse sentido, o tempo de uso, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 necessariamente um indicador de problema. \u201cPessoas podem passar muitas horas conectadas, seja por trabalho ou lazer, sem que isso cause sofrimento ou prejudique suas vidas\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto nas novas gera\u00e7\u00f5es e redes sociais<\/h2>\n\n\n\n<p>Um ponto importante levantado durante a entrevista foi o impacto das redes sociais, especialmente em adolescentes. Cardoso comenta que plataformas como Instagram e TikTok criam um ambiente prop\u00edcio ao engajamento excessivo, em que jovens se sentem pressionados a constantemente checar o que est\u00e1 acontecendo. Contudo, ele faz uma ressalva: \u201cO problema n\u00e3o \u00e9 o tempo que eles passam online, mas o que acontece quando eles n\u00e3o conseguem parar de pensar nisso, como a preocupa\u00e7\u00e3o excessiva com a imagem ou os coment\u00e1rios recebidos nas redes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-7d8b601ef411eb883560c2036f355950\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cO uso da Internet \u00e9 parte do comportamento humano e devemos trat\u00e1-lo com a devida complexidade, buscando entender o que est\u00e1 por tr\u00e1s dele\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Jogos online e apostas: um novo desafio<\/h2>\n\n\n\n<p>A conversa tamb\u00e9m abordou a quest\u00e3o dos jogos online e apostas, que dominaram o notici\u00e1rio recentemente. Cardoso explicou que, embora existam semelhan\u00e7as com o uso problem\u00e1tico da Internet, as apostas t\u00eam caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. \u201cH\u00e1 um refor\u00e7o intermitente, em que a pessoa ganha de vez em quando, o que a faz acreditar que na pr\u00f3xima vez ter\u00e1 mais sorte\u201d, disse. Esse tipo de comportamento pode ter outras influ\u00eancias, como a incerteza econ\u00f4mica no Brasil, que leva as pessoas a buscarem formas de ter mais dinheiro facilmente. Ele tamb\u00e9m destacou que o f\u00e1cil acesso \u00e0s apostas, agora dispon\u00edveis at\u00e9 em aplicativos de celular, contribui para o aumento de casos de pessoas que perdem o controle sobre seus gastos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o: o caminho para a autodescoberta<\/h2>\n\n\n\n<p>Cardoso conclui refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de uma abordagem mais ampla e cuidadosa ao tratar o uso problem\u00e1tico da Internet. Segundo ele, \u00e9 fundamental n\u00e3o patologizar todos os comportamentos, mas, sim, observar o sofrimento individual como um reflexo de quest\u00f5es mais profundas. \u201cO uso da Internet \u00e9 parte do comportamento humano, e devemos trat\u00e1-lo com a devida complexidade, buscando entender o que est\u00e1 por tr\u00e1s dele\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa an\u00e1lise oferece uma vis\u00e3o detalhada de como o uso excessivo da Internet pode impactar a sa\u00fade mental, destacando a import\u00e2ncia de buscar equil\u00edbrio e autoconhecimento em um mundo cada vez mais conectado.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse di\u00e1logo traz uma reflex\u00e3o muito rica sobre v\u00edcios, compuls\u00f5es e o impacto das tecnologias modernas na vida das pessoas, tanto do ponto de vista psicol\u00f3gico quanto espiritual. A fala toca em v\u00e1rios pontos importantes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>percep\u00e7\u00e3o de quando o comportamento se torna problem\u00e1tico<\/strong> \u2013 o entrevistado aborda o conceito de FoMo (<em>Fear of Missing Out<\/em>), que \u00e9 o medo de estar perdendo algo ao ficar desconectado. Esse sentimento \u00e9 um dos principais sinais de que o uso da tecnologia ou da Internet pode estar se tornando prejudicial. Al\u00e9m disso, ele menciona o uso de testes, como o de depend\u00eancia de Internet para avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do caso, que deve ser feita preferencialmente em conjunto com profissional habilitado;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico profissional<\/strong> \u2013 \u00e9 destacado que o autodiagn\u00f3stico pode ser enganoso, e que o mais adequado \u00e9 buscar um especialista, como um psic\u00f3logo ou psiquiatra, para uma avalia\u00e7\u00e3o precisa. Isso vale tanto para comportamentos relacionados a jogos de azar quanto para o uso de redes sociais e aplicativos;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>influ\u00eancia espiritual e obsess\u00e3o<\/strong> \u2013 a perspectiva espiritual sugere que comportamentos considerados compulsivos podem ser considerados at\u00e1vicos, ou seja, que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com experi\u00eancias de vidas passadas. Obsess\u00f5es poder\u00e3o ser engendradas especialmente na busca de conte\u00fado danoso na Internet, tal como grupos que ensinam automutila\u00e7\u00e3o ou conte\u00fados pornogr\u00e1ficos, havendo uma rela\u00e7\u00e3o de mutualidade entre o consumo de conte\u00fado e o processo obsessivo;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>pornografia e padr\u00f5es corporais<\/strong> \u2013 pode trazer padr\u00f5es cujos comportamentos afetem as fantasias das pessoas, distanciando-as de um autoconhecimento. Pode criar expectativas sobre as rela\u00e7\u00f5es sexuais e sobre o pr\u00f3prio corpo que afetam a sa\u00fade mental.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esse tipo de discuss\u00e3o \u00e9 fundamental para gerar uma conscientiza\u00e7\u00e3o tanto sobre a sa\u00fade mental quanto sobre o impacto espiritual das escolhas e dos comportamentos no mundo atual, em que a tecnologia desempenha um papel central.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aroldo de Lara Cardoso Jr.<\/strong> \u00e9 formado em Direito e em Psicologia pela PUC-SP; especialista em Adolesc\u00eancia (Unifesp), Psicodrama (Sedes Sapientiae\/Profint) e Psicologia Cl\u00ednica (CRP\/SP); mestre em Psicologia Cl\u00ednica. Atualmente, \u00e9 psic\u00f3logo cl\u00ednico e doutorando na PUC-SP.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7a a entrevista completa no podcast da Folha Esp\u00edrita<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma conversa esclarecedora, o psic\u00f3logo Aroldo de Lara Cardoso J\u00fanior (foto) debateu o conceito de \u201cuso problem\u00e1tico da Internet\u201d, um tema que desperta interesse crescente no campo da sa\u00fade. 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