{"id":8179,"date":"2025-06-03T10:49:14","date_gmt":"2025-06-03T13:49:14","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=8179"},"modified":"2026-01-23T20:17:02","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:02","slug":"quando-o-amor-atravessa-o-veu-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/es\/2025\/06\/03\/quando-o-amor-atravessa-o-veu-da-morte\/","title":{"rendered":"Quando o amor atravessa o v\u00e9u da morte"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"726\" height=\"482\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Homem_e_mulher_idosos_felizes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8285\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Homem_e_mulher_idosos_felizes.jpg 726w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Homem_e_mulher_idosos_felizes-300x199.jpg 300w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Homem_e_mulher_idosos_felizes-600x398.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 726px) 100vw, 726px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Eles partiram com poucas horas de diferen\u00e7a, ap\u00f3s 74 anos de um casamento vivido lado a lado, com simplicidade e cumplicidade. A hist\u00f3ria de Odileta e Paschoal de Haro, de Votuporanga\/SP, ecoa al\u00e9m do luto: levanta quest\u00f5es sobre os v\u00ednculos invis\u00edveis que sustentam algumas almas ao longo de muitas vidas. Seriam almas g\u00eameas? Amor maduro ou apego espiritual? \u00c9 poss\u00edvel desencarnar por amor?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"544\" height=\"545\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Talita_Junqueira.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8258\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Talita_Junqueira.jpg 544w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Talita_Junqueira-300x300.jpg 300w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Talita_Junqueira-150x150.jpg 150w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Talita_Junqueira-100x100.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Para entender essas conex\u00f5es que resistem ao tempo e ao corpo f\u00edsico, conversamos com a geriatra Talita Junqueira (foto), da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dico-Esp\u00edrita de S\u00e3o Paulo. Com base em sua viv\u00eancia cl\u00ednica e no olhar esp\u00edrita, ela nos ajuda a enxergar al\u00e9m da biologia e compreender por que certos reencontros, nesta ou em outra vida, parecem simplesmente inevit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 No seu hist\u00f3rico como geriatra, voc\u00ea j\u00e1 viu outros casos como este?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013 <\/strong>Sim, j\u00e1 acompanhei outros casos assim, e eles sempre me tocam profundamente. Quando duas pessoas idosas vivem d\u00e9cadas lado a lado, muitas vezes existe uma conex\u00e3o emocional, ps\u00edquica e espiritual t\u00e3o intensa que o adoecimento ou a morte de um pode provocar, no outro, um processo de desligamento da vida f\u00edsica. No consult\u00f3rio ou nas visitas domiciliares, j\u00e1 vi esposas ou maridos adoecerem rapidamente ap\u00f3s o falecimento do companheiro. A medicina tenta explicar isso como uma resposta ao estresse e \u00e0 tristeza, mas h\u00e1 tamb\u00e9m algo mais sutil e profundo em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 O que pode levar quem ficou a \u201cdesligar a chave\u201d e simplesmente partir tamb\u00e9m? Como isso se processa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013 <\/strong>Do ponto de vista espiritual, esse \u201cdesligar da chave\u201d pode ser compreendido como um esgotamento dos la\u00e7os que ainda prendiam o Esp\u00edrito ao corpo f\u00edsico. Isso pode acontecer de forma r\u00e1pida em pessoas com a vitalidade f\u00edsica j\u00e1 fragilizada e emocionalmente muito ligadas ao outro. O Esp\u00edrito, ent\u00e3o, se sente livre para partir, pois j\u00e1 cumpriu seu papel e deseja reencontrar o ente querido. \u00c9 como se o amor entre eles servisse de ponte entre os dois planos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Podemos considerar esse casal como almas g\u00eameas? Como explicar quem s\u00e3o as almas g\u00eameas? Elas existem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013 <\/strong>A Doutrina Esp\u00edrita nos ensina que, sim, existem Esp\u00edritos que t\u00eam profunda afinidade e que, ao longo de v\u00e1rias encarna\u00e7\u00f5es, se buscam e se reencontram. Isso n\u00e3o significa que haja uma \u00fanica alma feita para outra, mas, sim, que podemos desenvolver la\u00e7os t\u00e3o fortes que nos tornamos verdadeiros irm\u00e3os de alma. Quando vemos casais com tamanha harmonia e dedica\u00e7\u00e3o m\u00fatua, \u00e9 poss\u00edvel que estejam unidos por esses v\u00ednculos antigos e sagrados. Mais do que r\u00f3tulos, o que importa \u00e9 o sentimento real e construtivo que cultivam um pelo outro.O apego aprisiona, o amor liberta. E esse casal parece ter vivido o amor que edifica, que d\u00e1 sentido \u00e0 vida. O reencontro deles, se houver, ser\u00e1 fruto do merecimento e do bem que constru\u00edram juntos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 \u00c9 mais comum termos casais como este ou aqueles com muitos desafios a enfrentar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013 <\/strong>A maioria dos casais, conforme observamos tanto na vida quanto nos livros da Codifica\u00e7\u00e3o e da s\u00e9rie Andr\u00e9 Luiz, ainda vive relacionamentos marcados por resgates, ajustes e aprendizados. Casais harmonizados, como este, existem e nos inspiram, mas s\u00e3o menos frequentes. Por isso, quando os encontramos, devemos valorizar esse exemplo de amor maduro e fiel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 \u00c9 poss\u00edvel que a vontade de permanecerem juntos possa adiar ou antecipar o desencarne do casal?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013<\/strong> Sim, a vontade sincera e profunda pode exercer influ\u00eancia sobre o tempo do desencarne. A espiritualidade respeita os la\u00e7os de amor verdadeiro. H\u00e1 relatos de desencarnes adiados por causa de uma miss\u00e3o a cumprir, ou antecipados quando a miss\u00e3o j\u00e1 se completou e o Esp\u00edrito deseja reencontrar o ente querido. Tudo acontece com o amparo de Deus e dos benfeitores espirituais, dentro da Lei de Amor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Nos casos estudados na obra de Andr\u00e9 Luiz, os casais, muitas vezes, possuem condi\u00e7\u00f5es evolutivas diferentes ao desencarnar. Nesse caso, seria diferente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013 <\/strong>Pode ser. Em muitos casos, o desencarne separa temporariamente os casais devido a diferen\u00e7as vibrat\u00f3rias. No entanto, quando h\u00e1 verdadeira harmonia e uma vida de constru\u00e7\u00e3o m\u00fatua, \u00e9 poss\u00edvel que ambos estejam em condi\u00e7\u00f5es semelhantes e sejam amparados juntos, reencontrando-se no plano espiritual em ambientes compat\u00edveis. A forma como viveram e se amaram pode ter elevado ambos espiritualmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Essa situa\u00e7\u00e3o foi gerada por apego excessivo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013 <\/strong>N\u00e3o me parece apego no sentido negativo, e sim um amor constru\u00eddo com maturidade, respeito e entrega. O apego aprisiona, o amor liberta. E esse casal parece ter vivido o amor que edifica, que transforma e d\u00e1 sentido \u00e0 vida. Se houver reencontro, ser\u00e1 por merecimento e pela hist\u00f3ria luminosa que teceram juntos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Qual \u00e9, na sua opini\u00e3o, a li\u00e7\u00e3o mais importante que podemos extrair desse caso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Talita \u2013 <\/strong>A maior li\u00e7\u00e3o \u00e9 que o amor verdadeiro existe e sobrevive \u00e0 morte. Quando vivemos com dedica\u00e7\u00e3o ao outro, com companheirismo, generosidade e respeito, criamos la\u00e7os que ultrapassam o tempo e o espa\u00e7o. Esse casal nos ensina que \u00e9 poss\u00edvel envelhecer com dignidade e afeto, assim como que a morte pode ser apenas uma pausa entre dois cora\u00e7\u00f5es que j\u00e1 aprenderam a caminhar juntos, em paz.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles partiram com poucas horas de diferen\u00e7a, ap\u00f3s 74 anos de um casamento vivido lado a lado, com simplicidade e cumplicidade. A hist\u00f3ria de Odileta e Paschoal de Haro, de Votuporanga\/SP, ecoa al\u00e9m do luto: levanta quest\u00f5es sobre os v\u00ednculos invis\u00edveis que sustentam algumas almas ao longo de muitas vidas. Seriam almas g\u00eameas? 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