“A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos”
(Gandhi).
Em um mês que celebramos os 200 anos da Independência de nosso país, as reflexões para o futuro também ganham grande destaque. Inegavelmente, germinam em todos nós pensamentos que descortinam um amanhã feliz. Sim, quem pode dizer que não almeja esta tal “felicidade”, mas como fazer que ela se concretize em nossas vidas? Sem dúvida, é muito válido refletirmos, pensarmos de forma profunda sobre os passos que podemos dar na direção desse sonho.
Se fizermos esse questionamento para as pessoas, muitas podem definir a felicidade como algo que lhes promova paz e bem-estar. O que vale dizer que, para desfrutarmos dessas conquistas de forma individual, devemos pensar e agir de forma coletiva. Como assim? Quer dizer que, ao pensar naquilo que mais desejo para mim, devo considerar o que também serve ao outro? Parece complicado e muito complexo, mas essa afirmação também repousa na máxima do Cristo: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”.
Se temos a consciência de que nosso progresso se dá por meio do esforço e diante de desafios que a vida terrena nos proporciona, não há dúvidas de que um dos exercícios mais profícuos e, ao mesmo tempo, muito difícil para abstrairmos nossa visão limitada e egoísta da vida e pensarmos na coletividade se dá nas eleições. É nesse momento que temos a chance de nos deparar com nossa capacidade de expressar nosso respeito e tolerância. Será que estamos sendo tolerantes, compreendendo as diferenças, respeitando o ponto de vista de nossos semelhantes da mesma forma que desejaríamos para nós mesmos? Será que estamos enraizando em nós mesmos a tolerância como base para o amor incondicional?
O ensinamento de Gandhi que colocamos no início deste texto nos convida a buscar como regra de ouro a tolerância, pois se assim agirmos de forma individual, tolerando-nos, promoveremos uma cultura de paz para uma sociedade onde todos estamos inseridos, fazendo ao nosso semelhante aquilo que desejamos para nós mesmos.
Infelizmente, a dificuldade em tolerar os nossos semelhantes pode chegar a limites extremos. E justificando a nossa conduta com a necessidade de estabelecer a nossa verdade, inclusive para sermos felizes, nos lançamos às rinhas da disputa desrespeitosa e até por vezes violenta. Quando analisa a violência como caminho para impor uma verdade, Gandhi nos ensina assim: “Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem só é temporário; o mal que faz é que é permanente”. A tolerância é o caminho para evitar a violência e nos ajuda a compreender o semelhante, com isso compreendemos a nós mesmos.
As eleições nos convidam a pensar de forma coletiva e a olhar para dentro de nós, para lutarmos contra a intolerância que habita em nossos corações e sustenta a violência que ainda existe no mundo. É tempo de nos pacificar, pensar em nossos semelhantes, fazer ao outro o que gostaríamos que fosse feito para nós mesmos.
Em uma página memorável, no livro Fontaine vivante, com o título “Embainha tua espada”, Emmanuel nos aconselha: “Embainha tua espada! Alimentando a guerra com os outros, perdemo-nos nas trevas exteriores, esquecendo o bom combate que nos cabe manter em nós mesmos. De lança em riste, jamais conquistaremos o bem que desejamos”.
O caminho para a pacificação e a unificação só é possível quando escolhemos a rota da tolerância mútua, afastando de nós a violência de qualquer espécie.
Vamos eleger a tolerância para coroarmos a paz!