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La maladie morale : un sujet à étudier

No Mednesp 2025, realizado no último mês, grandes pesquisadores debateram diversos assuntos. Muitos deles abordaram temas relacionados a aspectos espirituais e valores como perdão, gratidão, solidariedade, compaixão, otimismo, esperança. Esse conjunto de valores ou estado moral interno – emoções como raiva, gratidão, perdão e propósito – pode ser mensurado com questionários, escalas psicológicas e correlacionado a alterações bioquímicas, hormonais e eventos clínicos.

Saúde mental, um dos temas tratados no Mednesp

Em 2020, o cardiologista Álvaro Avezum, responsável pelo Departamento de Espiritualidade e Medicina Cardiovascular (DEMCA) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), e seus colaboradores escreveram um artigo na Revista da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Estado de São Paulo discorrendo sobre a enfermidade moral. Segundo os autores, enfermidade moral é definida por uma resposta subjetiva, que afeta o comportamento ou relacionamento com os outros, envolvendo valores, sentimentos, ou atitudes associadas com prejuízo para si e/ou para o outro. Como enfermidade não é sinônimo de doença, pois não há confirmação laboratorial ou clínica, ela pode ser avaliada objetivamente por meio de questionários ou escalas.

Enfermidade inclui a percepção individual de uma experiência e um significado de adoecimento, o que envolve a influência da dimensão emocional, social e espiritual do indivíduo. Os autores sugerem que a enfermidade moral poderia ser mensurada por meio da avaliação de sentimentos e virtudes como felicidade, predisposição ao perdão, gratidão, resiliência, altruísmo, propósito de vida, florescimento e otimismo.

Um exemplo interessante do papel das emoções e da personalidade nos aspectos de adoecimento se refere ao fato de que pessoas estressadas, competitivas, agressivas, com sentimentos de hostilidade e raiva estão mais susceptíveis a doenças do coração (arritmia cardíaca, infarto agudo do miocárdio). Fatores estressores persistentes levam à hiperativação dos eixos simpático-adrenal e hipotalâmico-hipófise-adrenocortical, que podem contribuir para o aparecimento de doença cardíaca por meio do aumento da atividade simpática ou pela redução da atividade vagal. A liberação excessiva de catecolaminas (como a adrenalina) por influência do giro cingulado do córtex cerebral aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial.

Por outro lado, sentimentos positivos e virtudes, como benevolência, misericórdia, humildade, temperança, piedade, sabedoria, resiliência e gratidão, estão associados a melhores desfechos em saúde. Vejamos alguns exemplos:

  • a prática regular da gratidão está associada a uma saúde mental mais equilibrada, melhor qualidade do sono, menor nível de estresse e redução dos sintomas de depressão. Participantes que escreveram diariamente sobre gratidão relataram maior otimismo, aumento na prática de atividades físicas e menos consultas médicas;
  • a resiliência protege contra transtornos psiquiátricos, favorece a adaptação ao estresse e está associada a menor risco cardiovascular;
  • a humildade está relacionada a relacionamentos interpessoais mais saudáveis, maior cooperação e menor tendência ao narcisismo. Já a temperança emocional (autocontrole) contribui para a prevenção da impulsividade e do abuso de substâncias;
  • ajudar os outros – por meio de comportamentos pró-sociais – reduz os níveis de depressão e ansiedade, além de aumentar a longevidade. O voluntariado regular está associado à redução da mortalidade entre pessoas idosas;
  • a sabedoria está ligada a menor sofrimento psicológico e a um maior senso de propósito na vida;
  • as forças de caráter da psicologia positiva evidenciam que virtudes como coragem, humanidade, justiça, temperança, sabedoria e transcendência estão diretamente relacionadas ao florescimento humano.

Portanto, compreendemos que o convite estendido a nós por Cristo, e reforçado pelos amigos espirituais, para que possamos “vencer a nós mesmos”, é uma tarefa bendita e oportuna, capaz de evitar o cultivo das enfermidades morais em nosso íntimo e o consequente processo de adoecimento físico, mental e espiritual.

Luís Gustavo Mariotti est médecin spécialisé en gériatrie à l'Escola Paulista de Medicina, avec une spécialisation en médecine palliative, et coordinateur du département des soins palliatifs de l'Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil).

Références

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