{"id":13387,"date":"2026-04-06T23:22:22","date_gmt":"2026-04-07T02:22:22","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/?p=13387"},"modified":"2026-04-07T14:32:06","modified_gmt":"2026-04-07T17:32:06","slug":"felicidade-em-tempos-de-algoritmo-conexoes-reais-em-um-mundo-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/fr\/2026\/04\/06\/felicidade-em-tempos-de-algoritmo-conexoes-reais-em-um-mundo-digital\/","title":{"rendered":"Le bonheur \u00e0 l'heure des algorithmes : de vraies connexions dans un monde num\u00e9rique"},"content":{"rendered":"<p>Se perguntarmos a 100 pessoas o que elas desejam da vida, a maioria, provavelmente, vai dizer que quer ser feliz, que quer ter paz, e assim por diante. Ent\u00e3o, devemos nos perguntar: como entendemos a felicidade? Como a estamos buscando? Com base em Steven Pinker e nos estudos de Charlotte Fox Weber, aprendemos que a felicidade n\u00e3o \u00e9 um produto de consumo, mas, sim, uma experi\u00eancia dual: <em>emocional<\/em>, ou seja, sentir prazer, e <em>cognitiva<\/em>, isto \u00e9, avaliar a vida positivamente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"432\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/amigas_felizes_gravando_um_vlog_em_casa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13399\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/amigas_felizes_gravando_um_vlog_em_casa.jpg 819w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/amigas_felizes_gravando_um_vlog_em_casa-300x158.jpg 300w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/amigas_felizes_gravando_um_vlog_em_casa-768x405.jpg 768w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/amigas_felizes_gravando_um_vlog_em_casa-18x9.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A busca incessante pela felicidade pode ser frustrante, pois desejamos, mais profundamente, conex\u00f5es, prop\u00f3sito e aceita\u00e7\u00e3o mais do que euforia constante. Creio que o ponto crucial de nossa aten\u00e7\u00e3o deva estar na quest\u00e3o dessa busca incessante, ou seja, onde e como estamos realizando essa busca.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 20 de mar\u00e7o, Dia Internacional da Felicidade, foi apresentado o <em>Relat\u00f3rio Mundial da Felicidade 2026<\/em>, publicado pelo Centro de Pesquisas de Bem-Estar da Universidade de Oxford. Nessa edi\u00e7\u00e3o, o relat\u00f3rio centra a an\u00e1lise em um tema muito atual: a interse\u00e7\u00e3o entre a felicidade global e o uso das redes sociais. Trata-se de uma reflex\u00e3o muito importante, porque podemos nos perguntar: quantas pessoas est\u00e3o procurando os caminhos da felicidade nos algoritmos, que nos seduzem com exemplos e com a promessa de uma receita infal\u00edvel para ser feliz? E como ser\u00e1 que essa rela\u00e7\u00e3o realmente acontece?<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ponto que devemos observar \u00e9 que a percep\u00e7\u00e3o de felicidade \u00e9 diferente entre os pa\u00edses, bem como o uso das redes sociais. Enquanto os pa\u00edses n\u00f3rdicos, liderados pela Finl\u00e2ndia, continuam dominando o topo do <em>classement <\/em>de felicidade, observa-se uma queda dr\u00e1stica no bem-estar dos jovens em pa\u00edses de l\u00edngua inglesa, como Estados Unidos, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia \u2013 regi\u00e3o NANZ \u2013, e na Europa Ocidental. O relat\u00f3rio investiga se o aumento do uso de tecnologias digitais \u00e9 o principal culpado por essa tend\u00eancia, revelando que o impacto das redes sociais n\u00e3o \u00e9 uniforme, mas depende profundamente do design da plataforma e do contexto cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos pontos mais detalhados do relat\u00f3rio \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o entre as atividades na Internet que promovem ou prejudicam a satisfa\u00e7\u00e3o com a vida. Atividades focadas em comunica\u00e7\u00e3o, aprendizado e cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado est\u00e3o, geralmente, associadas a n\u00edveis mais altos de felicidade. Em contrapartida, o uso intensivo de redes sociais baseadas em algoritmos, jogos e navega\u00e7\u00e3o passiva est\u00e1 correlacionado com menor satisfa\u00e7\u00e3o, especialmente entre meninas e jovens em pa\u00edses de l\u00edngua inglesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio apresenta evid\u00eancias de que o uso intenso \u2013 mais de sete horas por dia \u2013 coloca os adolescentes em risco, contribuindo para problemas como priva\u00e7\u00e3o de sono, depress\u00e3o e ansiedade. Aqui temos duas informa\u00e7\u00f5es important\u00edssimas: n\u00e3o podemos imaginar que o uso, por si s\u00f3, da tecnologia nos deixe mais infelizes, e sim que isso depender\u00e1 do que estamos buscando nas redes. O h\u00e1bito de \u201cficar deslizando o dedo para cima\u201d, consumindo conte\u00fados que despertam uma dopamina imediata, e o fato de o algoritmo ir nos entregando mais e mais daquilo que estamos vendo v\u00e3o nos hipnotizando, e o resultado, no final, n\u00e3o \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o permanente, mas apenas microssatisfa\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para nos aproximarmos mais de nossa realidade, o relat\u00f3rio tamb\u00e9m foca na Am\u00e9rica Latina e no Brasil, que, ali\u00e1s, ocupa a 32\u00aa posi\u00e7\u00e3o no <em>classement <\/em>global de felicidade. Podemos encontrar nesse documento a constata\u00e7\u00e3o de que pa\u00edses latino-americanos possuem avalia\u00e7\u00f5es de vida significativamente superiores \u00e0s previstas pelos modelos econ\u00f4micos tradicionais, o que \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 for\u00e7a das redes de apoio social e \u00e0 vida familiar na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil e em outros pa\u00edses vizinhos, plataformas que facilitam a conex\u00e3o social direta, como o WhatsApp e o Facebook, mostram uma associa\u00e7\u00e3o positiva clara com a felicidade. Essas ferramentas s\u00e3o usadas para fortalecer la\u00e7os existentes e manter conex\u00f5es emocionais profundas, funcionando como \u201cbens relacionais\u201d. Por outro lado, plataformas de conte\u00fado algor\u00edtmico, como TikTok e Instagram, tendem a ter associa\u00e7\u00f5es negativas com o bem-estar, pois incentivam a compara\u00e7\u00e3o social e a visualiza\u00e7\u00e3o passiva de vidas idealizadas por influenciadores. Aqui vemos que o uso de redes que apresentam maior proximidade e contato direto nos ajuda a criar bases mais consistentes para o nosso bem-estar e para a nossa felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que nos chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o que o relat\u00f3rio chama de \u201carmadilhas de produtos\u201d, em que se percebe que muitos jovens utilizam as redes sociais n\u00e3o exatamente porque desejam, mas porque seus pares tamb\u00e9m as utilizam, o que cria o medo de exclus\u00e3o social (FOMO).<\/p>\n\n\n\n<p>Vale dizer que temos um ponto bem positivo, pois o relat\u00f3rio mostra um caminho de bom uso das redes. Segundo a pesquisa, sobretudo em pa\u00edses latino-americanos, incluindo o Brasil, h\u00e1 evid\u00eancias de que, em sociedades onde j\u00e1 existem conex\u00f5es mais densas e profundas com o mundo f\u00edsico, as plataformas podem atuar como um suporte adicional para essa felicidade, ou seja, sem ocupar o papel de protagonista da felicidade ou da infelicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, podemos concluir que os dados nos convidam a observar que n\u00e3o h\u00e1 apenas mal, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 apenas elementos positivos, e que a base da felicidade que buscamos reside, principalmente, nas experi\u00eancias genu\u00ednas que temos com as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo V de <em>L'\u00c9vangile selon le spiritisme<\/em>, encontramos a afirma\u00e7\u00e3o de que a felicidade n\u00e3o \u00e9 deste mundo. Assim, podemos crer que os dados do <em>Relat\u00f3rio da felicidade<\/em> nos sinalizam que, enquanto nossas buscas por essa tal felicidade se pautarem em rela\u00e7\u00f5es superficiais, em algoritmos que nos preenchem com microrrecompensas moment\u00e2neas, \u00e9 muito poss\u00edvel que acumulemos ainda mais infelicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o dessa obra \u00e9 sempre atual e importante ao nos dizer que a verdadeira e duradoura felicidade \u00e9 a espiritual, alcan\u00e7ada pela evolu\u00e7\u00e3o moral, pela paz interior e pelo desapego. N\u00e3o temos d\u00favidas de que essa busca passa pelo nosso interesse genu\u00edno em nos conectarmos, em fazermos o bem, em escolhermos boas fontes de conte\u00fado e em decidirmos pelo bom uso de todos os recursos que temos \u00e0 nossa volta, incluindo as redes sociais e a tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">R\u00e9f\u00e9rences<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a>KARDEC, Allan. <strong>L'\u00c9vangile selon le spiritisme. <\/strong>Traduction de Guillon Ribeiro. 131. ed. Bras\u00edlia, DF : FEB, 2019. Disponible \u00e0 l'adresse suivante : <\/a><a href=\"https:\/\/www.febnet.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/WEB-O-Evangelho-segundo-o-Espiritismo-Guillon.pdf\">https:\/\/www.febnet.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/WEB-O-Evangelho-segundo-o-Espiritismo-Guillon.pdf<\/a>. Acesso em: 2 mar. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">PINKER, Steven. Felicidade.<em> En :<\/em> PINKER, Steven. <strong>O novo Iluminismo:<\/strong> Em defesa da raz\u00e3o, da ci\u00eancia e do humanismo. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">UNIVERSITY OF OXFORD. <strong>World Happiness Report 2026.<\/strong> 2026. Disponible \u00e0 l'adresse suivante <a href=\"https:\/\/www.worldhappiness.report\/\">https:\/\/www.worldhappiness.report\/<\/a>. Acesso em: 2 abr. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">WEBER, Charlotte Fox. <strong>What We Want:<\/strong> A Journey Through Twelve of Our Deepest Desires. London: Headline Publishing Group, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se perguntarmos a 100 pessoas o que elas desejam da vida, a maioria, provavelmente, vai dizer que quer ser feliz, que quer ter paz, e assim por diante. Ent\u00e3o, devemos nos perguntar: como entendemos a felicidade? Como a estamos buscando? 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