{"id":7066,"date":"2024-06-07T12:05:35","date_gmt":"2024-06-07T15:05:35","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7066"},"modified":"2026-01-23T20:17:06","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:06","slug":"tragedias-familiares-pedem-reflexao-sobre-nosso-papel-como-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/fr\/2024\/06\/07\/tragedias-familiares-pedem-reflexao-sobre-nosso-papel-como-sociedade\/","title":{"rendered":"Les trag\u00e9dies familiales appellent \u00e0 une r\u00e9flexion sur notre r\u00f4le en tant que soci\u00e9t\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>No \u00faltimo m\u00eas, um adolescente de 16 anos confessou ter matado o pai, a m\u00e3e e a irm\u00e3 na casa onde a fam\u00edlia morava, na Zona Oeste da capital paulista, <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/nacional\/adolescente-diz-que-matou-pais-e-irma-apos-briga-por-celular\/\">ap\u00f3s uma briga por conta de um celular<\/a>. O crime chocou o pa\u00eds porque, apesar de ter procurado a pol\u00edcia para revelar o ato, ele s\u00f3 o fez tr\u00eas dias depois, tendo mantido os corpos em casa. Em depoimento \u00e0 <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/claud\/Downloads\/_blank\">Pol\u00edcia Civil<\/a>, o garoto demonstrou frieza e falou com naturalidade sobre como teria atacado os familiares. Questionado, <a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/sao-paulo\/faria-de-novo-diz-adolescente-que-matou-pais-e-irma-a-tiros-em-casa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ele disse n\u00e3o estar arrependido e afirmou que, se fosse poss\u00edvel, faria de novo<\/a>. Ele chegou a ir \u00e0 academia e fez compras de alimentos com os familiares j\u00e1 mortos em casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"751\" height=\"501\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Grupo_de_pessoas_da_cadeia_de_papel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7114\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Grupo_de_pessoas_da_cadeia_de_papel.jpg 751w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Grupo_de_pessoas_da_cadeia_de_papel-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 751px) 100vw, 751px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No mesmo per\u00edodo, um outro jovem da mesma idade matou os pais adotivos a marteladas, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, saiu de casa para lanchar com um amigo e, quando voltou, ateou fogo no quarto do casal. O menino, que vivia com a fam\u00edlia desde 2014, quando foi adotado, ligou para a pol\u00edcia e contou que o motivo foi uma discuss\u00e3o porque os pais n\u00e3o queriam que o jovem faltasse \u00e0 escola para ir \u00e0 aula de jiu-j\u00edtsu.<\/p>\n\n\n\n<p>Certeza que todos n\u00f3s, ao nos depararmos com essas not\u00edcias, fizemos uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es sobre o porqu\u00ea desses atos. Seriam reflexos psiqui\u00e1tricos ou espirituais? Sobre isso, fomos ouvir o psiquiatra da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia Marcus Ribeiro (foto), presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dico-Esp\u00edrita de S\u00e3o Paulo (AME-SP).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Marcus-Ribeiro-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7079\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Marcus-Ribeiro-2.jpg 600w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Marcus-Ribeiro-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Folha Esp\u00edrita \u2013 Como voc\u00ea avalia os epis\u00f3dios do ponto de vista psiqui\u00e1trico e espiritual?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcus Ribeiro <\/strong>\u2013 Aqui cabe uma discuss\u00e3o que perpassa tanto o campo jur\u00eddico quanto o m\u00e9dico: at\u00e9 que ponto esse comportamento pode ser entendido pelo prisma da psicopatologia ou n\u00e3o. Sem ter o entendimento profundo do caso, \u00e9 imprudente dar qualquer opini\u00e3o espec\u00edfica. De todo modo, um ponto importante para refletirmos em casos como esses \u00e9 que, quando algo assim acontece, n\u00f3s falhamos enquanto sociedade, humanidade e Esp\u00edritos. Acredito que a reflex\u00e3o maior deve ser sobre preven\u00e7\u00e3o. O que temos feito ou como temos feito quando se trata de orienta\u00e7\u00e3o, cuidado e instru\u00e7\u00e3o das nossas crian\u00e7as? O que temos cultivado e repassado para as nossas crian\u00e7as enquanto valores e princ\u00edpios e qual o investimento afetivo, emocional para elas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color wp-elements-1c9c07c21ffd75bbb5857ebf635df44d\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cEsse tipo de trag\u00e9dia sempre nos toca em lugares muito sens\u00edveis. \u00c0s vezes, sentimos tamb\u00e9m dentro de n\u00f3s diversas emo\u00e7\u00f5es e pensamentos que t\u00eam a ver com aquilo que a gente viveu, aprendeu, ouviu, com os nossos valores, com os nossos princ\u00edpios\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Muitos dir\u00e3o que deveria voltar a se discutir sobre a maioridade penal&#8230; Como voc\u00ea v\u00ea essa quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribeiro \u2013 <\/strong>Discutir a maioridade penal \u00e9 focar no final do problema, quando a trag\u00e9dia j\u00e1 aconteceu. \u00c9 uma discuss\u00e3o sobre como enxugar o gelo: se ser\u00e1 com pano, com papel higi\u00eanico ou com guardanapo. Acredito que dever\u00edamos direcionar o nosso esfor\u00e7o enquanto sociedade, enquanto indiv\u00edduos, para lidar com o come\u00e7o, antes de isso acontecer. Esse deveria ser o maior investimento. \u00c9 claro que em ambos os casos cabe \u00e0 Justi\u00e7a, depois do ocorrido, e a verifica\u00e7\u00e3o sobre quais as medidas preventivas para evitar que algo nesse sentido aconte\u00e7a novamente. E n\u00e3o cabe a mim decidir nada disso. Mas acho que precisamos come\u00e7ar a desenvolver um outro olhar sobre o que temos feito. Muitos se mobilizam com for\u00e7a para discutir a maioridade penal, mas n\u00e3o usam a mesma energia para discutir educa\u00e7\u00e3o, para buscar apoio \u00e0s fam\u00edlias e oportunizar ambientes mais qualitativos do ponto de vista do desenvolvimento socioemocional. Uma pergunta importante \u00e9: o quanto temos possibilitado que as fam\u00edlias estejam com seus filhos? O quanto temos investido na educa\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o dos pais para que eles tamb\u00e9m desenvolvam habilidades de educa\u00e7\u00e3o socioemocional? Creio que estamos canalizando, na maioria das vezes, a for\u00e7a e a energia para a puni\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s da preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Ambos os garotos foram adotados. Isso influencia em atos assim?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribeiro \u2013<\/strong> Isso n\u00e3o tem a ver com a ado\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um ato de amor. A gente sabe o quanto as crian\u00e7as que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, neglig\u00eancia, ou em situa\u00e7\u00f5es nas quais n\u00e3o t\u00eam acesso a uma fam\u00edlia, a um cuidado, o quanto isso implica na sa\u00fade dela e no seu desenvolvimento de uma forma geral. Ent\u00e3o, acho que a gente tem que ser muito cuidadoso em n\u00e3o estigmatizar a ado\u00e7\u00e3o como algo de risco, como algo negativo. Pelo contr\u00e1rio, acho que temos que pensar isso como algo que ajuda, que auxilia. Claro que v\u00e3o ter desafios decorrentes naturais desse processo, assim como a gesta\u00e7\u00e3o natural tamb\u00e9m tem os seus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 O que deve ser avaliado em casos assim?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribeiro \u2013<\/strong> O que precisamos pensar \u00e9 que crian\u00e7as que vivenciaram traumas, abusos, sejam eles quais forem, precisam de um cuidado, de uma interven\u00e7\u00e3o, desenvolvida por profissionais capacitados, nessa \u00e1rea espec\u00edfica para que seu desenvolvimento possa percorrer uma trajet\u00f3ria mais saud\u00e1vel diante de muitas fragilidades. \u00c9 poss\u00edvel fazer isso, buscando-se ferramentas para que isso gere um lugar de acolhimento. Sabemos que em rela\u00e7\u00e3o ao neurodesenvolvimento, principalmente na primeira inf\u00e2ncia, ter uma figura de refer\u00eancia que ofere\u00e7a um lugar de acolhimento, de apoio, de refer\u00eancia de limites e um apego seguro s\u00e3o fatores isolados de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental. Ent\u00e3o, se h\u00e1 algo que a gente possa fazer nesse sentido, \u00e9 pensar mais, refletir mais sobre o quanto temos oferecido algo nesse sentido. Seja no ambiente familiar ou no ambiente institucional, buscar experi\u00eancias de acolhimento, de afeto de qualidade positiva e de constru\u00e7\u00e3o de limites servir\u00e1 de modelo para essas crian\u00e7as e para esses jovens, porque \u00e9 isso que vai criar uma estrutura emocional e cerebral que permita, mais tarde, na inf\u00e2ncia mais tardia ou mesmo na adolesc\u00eancia, que hajam ali recursos de autorregula\u00e7\u00e3o, de lidar com as pr\u00f3prias frustra\u00e7\u00f5es, uma s\u00e9rie de habilidades socioemocionais important\u00edssimas para o desenvolvimento saud\u00e1vel. Isso precisa ser constru\u00eddo desde cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color wp-elements-84bfe7103d6bbf5718068735d9d1d8dc\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201c\u00c9 muito comum termos sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, compaix\u00e3o, buscando alguma explica\u00e7\u00e3o, alguma raz\u00e3o que justifique de uma forma \u00fanica tal acontecimento grave e tr\u00e1gico. Importante termos em mente que esse tipo de evento \u00e9 extremamente complexo. \u00c9 dif\u00edcil explicar sob uma \u00fanica perspectiva, por mais que desejemos. Pela perspectiva psiqui\u00e1trica, diversos fatores podem ter contribu\u00eddo para esses comportamentos extremos\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 O que \u00e9 preciso levar em conta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribeiro \u2013<\/strong> Poss\u00edveis transtornos mentais, sejam eles quais forem, que podem levar a esse comportamento violento. Sabemos que hist\u00f3ricos de abuso f\u00edsico, emocional e sexual podem resultar em traumas profundos, que podem levar tamb\u00e9m a estados e a atos de extrema viol\u00eancia. N\u00e3o sabemos se \u00e9 o caso, mas precisamos levar isso em considera\u00e7\u00e3o. Din\u00e2micas familiares, influ\u00eancias externas, como a pr\u00f3pria m\u00eddia, <em>bullying<\/em>, influ\u00eancia de grupos extremistas, tudo isso pode influenciar bastante, de uma forma geral. No entanto, especificamente nesses casos, \u00e9 necess\u00e1ria uma avalia\u00e7\u00e3o mais completa, uma an\u00e1lise detalhada do hist\u00f3rico de sa\u00fade mental desses jovens, das din\u00e2micas familiares e de outros fatores contextuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Sob a perspectiva espiritual, como enxerga esses casos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribeiro \u2013<\/strong> Da perspectiva espiritual, tamb\u00e9m diversas quest\u00f5es poderiam implicar, e nenhuma delas pode ser uma causa espec\u00edfica. A gente poderia falar, e n\u00e3o estou falando do caso em si, mas de uma forma geral, de quest\u00f5es que envolveriam desequil\u00edbrio espiritual e influ\u00eancias negativas, assim como tantos outros fatores. Devemos vibrar por essas fam\u00edlias e por esses Esp\u00edritos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"560\" height=\"373\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Marcus-Ribeiro_-em_congresso.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7081\" style=\"width:734px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Marcus-Ribeiro_-em_congresso.jpg 560w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Marcus-Ribeiro_-em_congresso-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color wp-elements-5ac22cbfe9a888c2649ec5972be5debf\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cQuando uma coisa assim acontece, todos erramos enquanto sociedade, humanidade, institui\u00e7\u00f5es, Estado e fam\u00edlia. \u00c9 tr\u00e1gico pensar que algo assim acontece e tantas coisas poderiam ter sido diferentes para que n\u00e3o se chegasse nesse lugar ou dessa forma. Acredito que mais do que a gente pensar em quem errou, porque eu acho que todos temos de alguma forma algo em rela\u00e7\u00e3o a isso, temos que pensar o que a gente precisa fazer para que isso seja diferente. E como podemos mudar essa realidade\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Como sociedade, o que podemos fazer para diminuir a ocorr\u00eancia de casos como esses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribeiro \u2013<\/strong> Precisamos nos mobilizar mais em a\u00e7\u00f5es, em mudan\u00e7as reais, significativas, primeiro com n\u00f3s mesmos. E isso precisa ser ampliado para outras frentes sociais, pol\u00edticas, familiares, escolares etc., para que possamos trabalhar todos em uma \u00fanica dire\u00e7\u00e3o. E isso tem que come\u00e7ar em n\u00f3s, porque se os nossos valores n\u00e3o est\u00e3o alinhados a isso, a uma pr\u00e1tica de fraternidade, de acolhimento, de amorosidade, como \u00e9 que vamos passar isso enquanto fam\u00edlia, enquanto sociedade, enquanto institui\u00e7\u00f5es para as crian\u00e7as? Fica uma coisa meio amb\u00edgua, meio hip\u00f3crita. Falamos, mas n\u00e3o vivemos. Achamos, mas n\u00e3o fazemos. Ent\u00e3o, acho que isso leva para essa reflex\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Jovens como esses, que cometeram um crime b\u00e1rbaro, foram para a Funda\u00e7\u00e3o Casa e sair\u00e3o em dois anos por conta da idade. Algu\u00e9m assim pode voltar a viver em sociedade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ribeiro \u2013 <\/strong>Se n\u00e3o acreditarmos nisso, estamos fadados a nos destruir. Se n\u00e3o acreditarmos que as pessoas possam melhorar, que possam se modificar. Muitas vezes, isso n\u00e3o depende s\u00f3 do indiv\u00edduo. Temos de nos questionar enquanto sociedade e enquanto sistema tamb\u00e9m. O que esse sistema tem oferecido de reabilita\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que o que temos oferecido realmente reabilita? Ser\u00e1 que isso realmente oferece oportunidades? De uma forma geral, n\u00e3o estou falando dos casos especificamente. H\u00e1 outras perspectivas para isso, porque se queremos realmente reabilitar algu\u00e9m, se o interesse \u00e9 realmente esse e nos importarmos com isso, precisamos tamb\u00e9m nos questionar, porque \u00e0s vezes o sistema n\u00e3o faz isso, \u00e0s vezes o sistema faz o aprisionamento ou faz s\u00f3 o aumento da viol\u00eancia, do estigma, daquilo que j\u00e1 \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio crime, por exemplo. Ent\u00e3o, h\u00e1 v\u00e1rias perspectivas. Desde uma perspectiva, por exemplo, psiqui\u00e1trica, que vai desde a avalia\u00e7\u00e3o at\u00e9 o tratamento. Se estamos falando de um diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico, se \u00e9 isso o caso, como reintegrar? Como que esse jovem vai ser avaliado? Ele est\u00e1 sendo avaliado? Que tipo de tratamento ser\u00e1 oferecido? Ser\u00e1 que \u00e9 um tratamento adequado, com terapia, medica\u00e7\u00e3o, suporte? Como \u00e9 que se d\u00e1 essa reabilita\u00e7\u00e3o, desde o desenvolvimento de habilidades sociais, controle de impulso, participa\u00e7\u00e3o em programas que possam aumentar a chance de uma reintegra\u00e7\u00e3o bem-sucedida, se ele vai ter um suporte, um monitoramento cont\u00ednuo, mesmo ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o, se vamos conseguir garantir para esse jovem os recursos para que ele progrida e receba o tratamento necess\u00e1rio. Na perspectiva social, que engloba a quest\u00e3o do estigma, da aceita\u00e7\u00e3o, isso tamb\u00e9m implica oportunidade de educa\u00e7\u00e3o, de emprego; e na perspectiva jur\u00eddica, isso implica em como funciona o sistema de justi\u00e7a juvenil, as condi\u00e7\u00f5es de liberdade, enfim. H\u00e1 tantas quest\u00f5es que podemos ter uma ideia da dificuldade. Tudo \u00e9 um desafio, mas n\u00e3o algo imposs\u00edvel. Cada caso \u00e9 \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color wp-elements-be95c86b74910f97beec4448442296c7\" style=\"font-size:24px\"><strong>\u201cAcredito que o sucesso do trato com o paciente depende de uma abordagem de v\u00e1rios fatores, que inclui, por exemplo, em alguns casos, o tratamento psiqui\u00e1trico, suporte social, educa\u00e7\u00e3o, oportunidade de emprego e diversas outras a\u00e7\u00f5es. Precisamos buscar, de alguma forma, um equil\u00edbrio. A sociedade precisa equilibrar essa necessidade de justi\u00e7a, que \u00e9 importante e faz parte da nossa sociedade, e seguran\u00e7a, por exemplo, com oportunidade de reabilita\u00e7\u00e3o e uma segunda chance, mesmo para aqueles que cometeram crimes graves\u201d<\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo m\u00eas, um adolescente de 16 anos confessou ter matado o pai, a m\u00e3e e a irm\u00e3 na casa onde a fam\u00edlia morava, na Zona Oeste da capital paulista, ap\u00f3s uma briga por conta de um celular. 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