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irNovo presidente da Associação Médico-Espírita fala sobre os desafios da integração nacional, os cursos voltados ao acolhimento fraterno e a ampliação da abordagem espiritual na prática médica

Recém-empossado como presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), o geriatra Fábio Nasri (foto) chega com metas ousadas e um compromisso claro: fortalecer os vínculos entre as mais de 70 AMEs espalhadas pelo país. Em entrevista à Folha Espírita, ele compartilhou os primeiros passos da nova gestão, os bastidores da reestruturação administrativa e sua visão para um movimento mais integrado, dinâmico e acessível.
“O Brasil é enorme e muito regionalizado. O que se faz no Norte é diferente do que se faz no Sul. Nosso maior desafio é a reintegração pós-pandemia”, afirma. Para isso, a diretoria instituiu núcleos regionais – Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste – que servirão de ponte entre a AME-Brasil e as instituições locais, ouvindo suas dificuldades e especificidades.
Nasri reconhece o peso de suceder nomes como Marlene Nobre e Gilson Luís Roberto, que conduziram a entidade por décadas. E reforça que o Mednesp 2025 – congresso realizado em junho – foi um marco, não só pelo tamanho, mas pela ousadia temática: “Trouxemos assuntos que antes ficavam debaixo do tapete e aplicamos meritocracia – só palestrou quem dominava o tema”, conta.
A partir dessa experiência, foi criada uma comissão permanente do Mednesp, garantindo coerência e excelência na organização dos próximos eventos, independentemente da cidade-sede.
Entre as prioridades da nova gestão está a oferta de cursos voltados não apenas à classe médica, mas também aos trabalhadores dos centros espíritas que atuam no acolhimento fraterno. A proposta é oferecer capacitação para lidar com casos sensíveis – como depressão, esquizofrenia e drogadição – com mais preparo e empatia. “A ideia é ajudar o trabalhador a reconhecer a diferença entre um médium em desequilíbrio e um paciente com transtorno mental, por exemplo”, explica.
Esses cursos terão diferentes níveis de linguagem e profundidade, atingindo desde o público leigo até pesquisadores e profissionais da saúde.
A editora da AME também será reposicionada, com ênfase em bioética, medicina e espiritualidade aplicada e uma linguagem mais moderna e acessível. “A gente quer sair um pouco daquele formato antiquado. Precisamos falar com os jovens, estar nas redes sociais, criar cursos dinâmicos e que dialoguem com a realidade”, diz Nasri. Um dos projetos é criar um “board” de especialistas que analisem, em tempo real e ao vivo, casos enviados por centros espíritas, promovendo troca de experiências e construção coletiva de conhecimento.
O médico ressalta que hospitais como Sírio-Libanês, Albert Einstein e 9 de Julho já contam com núcleos de espiritualidade. “Hoje há um consenso sobre a importância da espiritualidade para o bem envelhecer, junto com sono, alimentação e atividade física”, diz.
Apesar disso, ele critica o uso tardio da abordagem espiritual: “Ainda é muito atrelada aos cuidados paliativos. Quando a Medicina não tem mais nada a fazer, chamam o capelão. O ideal seria que essa escuta começasse no diagnóstico, quando a dor psíquica começa”.
Nasri propõe, inclusive, um novo tipo de escuta no ambiente hospitalar: atenta às entrelinhas. “O paciente pode dizer: ‘acho que mereço essa doença’, ou ‘Deus foi injusto comigo’. Isso é conflito espiritual. E muitas vezes eles não dizem ao médico, mas à enfermeira, à fisioterapeuta. Precisamos integrar essas escutas num cuidado único”.

Fábio Nasri e Gilson Luís Roberto, ex-presidente da AME Brasil, em momento de celebração pela construção do movimento médico-espírita
Questionado sobre as visões fatalistas do Espiritismo, o geriatra rejeita a simplificação de que todo sofrimento atual é punição do passado. Para ilustrar sua visão, recorre a uma metáfora inusitada, mas poderosa: “Somos como um chiclete grudado no banco. Queremos subir, mas os pedacinhos que ficaram grudados nos puxam. São os nossos nós. A encarnação é a chance de desfazer esses nós”.
E complementa: “A doutora Marlene Nobre dizia que o perispírito tem peso. Para onde vamos depois da morte? Para onde nosso peso espiritual nos leva”.
Médicos interessados em integrar a AME são acolhidos e orientados a buscar a unidade mais próxima. Um curso introdutório – já implementado em algumas AMEs – oferece as bases da abordagem médico-espírita. Após isso, os profissionais são convidados a se engajar em ações locais.
O novo presidente da AME-Brasil finaliza a conversa citando o livro As várias vidas da alma, do terapeuta Roger Woolger, para defender que nem todo sofrimento é castigo e que o aprendizado espiritual é uma construção milenar. “Já morremos de facada, de incêndio, já matamos e fomos mortos. Hoje temos maturidade para escolher o que queremos ser”, diz. E conclui: “Não precisa ser espírita para entender isso. Está no budismo, no hinduísmo, na Kabbalah. O que importa é que o conhecimento espiritual amplia nossa visão e alivia nossas dores”.