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O futuro a Deus pertence

Já abordamos algumas vezes o quanto viver “agarrados” ao passado pode nos prejudicar. Pautar a nossa vida pelo que passou, principalmente por velhos traumas e lembranças dolorosas, é uma das piores escolhas que podemos fazer. Entretanto, você já pensou que viver na ansiedade do futuro pode ser tão prejudicial quanto?

Minha mãe costumava responder, sempre que alguém perguntava qualquer coisa referente ao dia seguinte, ou a outro dia qualquer que ainda estava por vir, com sua inesquecível frase: “O futuro a Deus pertence”. Confesso que não gostava quando ela falava assim, pois pensava que precisamos ter prognósticos e, por isso, de algum modo, supor o futuro. Também achava que não ter expectativas era sinal de falta de planejamento ou desorganização.

Hoje, porém, compreendo a razão pela qual minha mãe insistia em repetir aquela resposta sempre que alguém lhe perguntava sobre qualquer previsão. Sabemos que a ansiedade é, sem dúvida, um dos males que mais têm prejudicado a saúde mental das pessoas neste século – inclusive das crianças. A ansiedade caracteriza-se, em parte, pelo desespero em antecipar um futuro que não se pode controlar.

Assim, o medo – o grande vilão – tem ceifado a alegria de muita gente. Sem mesmo saber que é medo, as pessoas parecem “viver” temendo pelo futuro incerto. E que futuro é este? Quem de nós é capaz de prever o que acontecerá, mesmo no próximo minuto? Ninguém, nem mesmo os Espíritos, como muitos supõem.

O que existe, de fato, é o presente. É nele que está tudo o que precisamos para o futuro – o qual se constrói pouco a pouco, segundo o que estamos plantando agora. Note que muitos de nós vivem segundo projeções baseadas em preconceitos e medos. Daí o enorme número de pessoas que deixam de viver o presente por medo do futuro. Vivem aflitas, antecipando problemas. André Luiz, no livro Sinal verde, nos escreve: “Não se aflija por antecipação, porquanto é possível que a vida resolva o problema ainda hoje, sem qualquer esforço de sua parte”.

Verdade absoluta. Quantas vezes nos debruçamos sobre uma única questão durante semanas, imaginando todos os problemas futuros que poderão decorrer dela e, sem mais nem menos, antes mesmo que façamos qualquer coisa, tudo parece se resolver – fazendo-nos perceber que estávamos sofrendo à toa?

Acredito que um dos componentes que nutrem esse medo generalizado que a maioria das pessoas tem do futuro é a falta de fé – não somente na força divina, mas, principalmente, em si mesmas. Preferimos, mais comumente, supor o pior do que buscar dentro de nós a inspiração e a solução. Quando não temos possibilidade de interferir em determinada situação, confiemos em Deus, na Providência Divina, que em tudo intervém para o melhor.

Seguem alguns exemplos de situações comuns que demonstram ansiedade e, consequentemente, falta de fé:

  • a insegurança que leva certas gestantes à realização de exames complexos, fora do protocolo normal de pré-natal, apenas para “terem a certeza” de que seu bebê está livre de qualquer anomalia física. Ansiosas, deixam de viver com tranquilidade esse momento tão sublime para a mulher, aguardando que tudo evolua dentro dos padrões naturais. Será que tanta ansiedade e insegurança não poderão interferir negativamente no desenvolvimento do bebê, que recebe toda a carga emocional da futura mamãe? Reflita;
  • quando o pai ou a mãe de família se vê desempregado(a). Nesse caso, qual é o pensamento mais comum? A pessoa passa a cultivar o medo, visualizando apenas as consequências da escassez de recursos: o receio de não conseguir um novo trabalho, de ser rejeitado(a) pelo mercado. Prefere pensar que tem muita idade, que será difícil etc. Note como a pessoa, nesse ciclo de pensamento, está de fato projetando o pior dos futuros e, por isso, sente medo.

Percebe como somos capazes de nos boicotar quando o assunto é o nosso futuro? Acredito que podemos reverter esse quadro de ansiedade, fazendo a nossa parte com serenidade e confiança, certos de que a Providência garantirá que o nosso futuro seja melhor que o hoje. Por enquanto, o hoje continua sendo o nosso melhor momento. Assim, investir no presente é, sem dúvida, a opção mais acertada.

Referência

LUIZ, André (Espírito). Sinal verde. Psicografado por Francisco Candido Xavier. 54. ed. Uberaba, MG: Comunhão Espírita Cristã, 2009.

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