“Que pensam de nós os Espíritos que estão ao nosso redor e nos observam? Isso depende. Os Espíritos levianos riem das pequenas traquinices que vos fazem e zombam das vossas impaciências. Os Espíritos sérios lamentam as vossas trapalhadas e tratam de vos ajudar” (Kardec, 2019, questão n. 458).

Paulo de Tarso, há muito, afirmou que estamos cercados por uma multidão de testemunhas, dando-nos notícias claras de que os Espíritos estão ao nosso redor, evidentemente de acordo com o móvel dos nossos pensamentos.
Aqui na Terra, no contexto social em que vivemos, mantemos nossas amizades de acordo com os nossos interesses e desejos. Os esportistas ligam-se aos que gostam de esportes. Os caridosos se afeiçoam aos que praticam a solidariedade. Os trabalhadores têm preferência por aqueles que cultivam o labor. Já os ociosos e indiferentes preferem a companhia dos que apreciam a vida sem compromissos e obrigações. No mundo espiritual, a mesma lei impera – e lá, como aqui, os afins se buscam e se entrelaçam.
Conhecendo tal realidade, não teremos dificuldade em saber quais Espíritos permanecem ao nosso lado. Basta, naturalmente, observar o que fazemos, o que cultivamos em nossos pensamentos, como procedemos diante dos acontecimentos cotidianos, e logo concluiremos com que natureza de desencarnados convivemos. E, sem sombra de dúvida, queiramos ou não, ao nosso lado seguem os Espíritos que se afinizam conosco, tanto para as coisas belas e nobres como para aquelas que são indignas e nocivas.
A criatura que cultiva na mente e no coração o firme desejo de servir ao próximo e procura conduzir seus dias no clima da fraternidade e do altruísmo contará sempre com a presença de Espíritos generosos e desprendidos, que atuam incentivando ainda mais a prática e o exercício do bem.
Aquela que ocupa seu tempo no trabalho em favor da humanidade, ganhando honestamente o sustento e contribuindo decisivamente para a formação de uma sociedade mais justa e fraterna, terá constantemente a companhia de Espíritos que se comprazem com o labor profícuo.
Homens destemidos, que lutam por causas dignas e defendem corajosamente os interesses nobres das comunidades em que vivem, nunca estão isolados da assistência precisa e determinada dos seres desencarnados que igualmente desejam o bem geral.
No entanto, quem caminha pela vida espalhando dores e sofrimentos, agindo com desonestidade, velhacaria e desobediência às leis naturais e humanas, contará com a presença desagradável de Espíritos indisciplinados, infelizes e perversos, que incentivam a desordem e os desequilíbrios sociais.
Criminosos, delinquentes e desordeiros, certamente, não poderão contar com a presença de seres angelicais – a não ser em momentos breves, quando esses emissários do amor e do bem, em ações contínuas, tentam redimir quem se encontra no erro e no equívoco.
Os Espíritos que estão ao nosso redor, encontrando sintonia, zombam da nossa ingenuidade, indiferença e vocações para o mal, ou festejam a nossa maneira determinada de seguir as trilhas seguras e promissoras da moralidade, honradez e sublimidade dos nossos atos. Não tenhamos dúvida: cada qual terá a amizade espiritual que deseja, pois os Espíritos nos rodeiam e serão bons ou maus de acordo com a natureza das nossas ações. Portanto, até por uma questão de bom senso, será sempre melhor ser bom.
Referência
KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília, DF: FEB, 2019. Disponível em: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/WEB-Livro-dos-Esp%C3%ADritos-Guillon-1.pdf. Acesso em: 29 set. 2025.