{"id":13475,"date":"2026-05-10T23:03:59","date_gmt":"2026-05-11T02:03:59","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/?p=13475"},"modified":"2026-05-10T23:04:02","modified_gmt":"2026-05-11T02:04:02","slug":"por-que-vivemos-a-busca-de-sentido-como-essencia-do-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/2026\/05\/10\/por-que-vivemos-a-busca-de-sentido-como-essencia-do-ser-humano\/","title":{"rendered":"Por que vivemos? A busca de sentido como ess\u00eancia do ser humano"},"content":{"rendered":"<p>Em um tempo em que tantas pessoas se veem perdidas, angustiadas e sem dire\u00e7\u00e3o, a pergunta que Viktor Frankl fez ao longo de toda a sua vida volta com for\u00e7a in\u00e9dita: a vida tem sentido? E, se tem, como encontr\u00e1-lo? Confira este artigo do psiquiatra Alejandro Vera, especialista em Logoterapia e An\u00e1lise Existencial e coordenador do Departamento de Sa\u00fade Mental da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dico-Esp\u00edrita do Brasil (AME-Brasil), em que ele apresenta os fundamentos da Logoterapia, criada por Viktor Frankl. No texto, ele nos convida a compreender o ser humano em sua integralidade e a import\u00e2ncia de encontrarmos sentido mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais dolorosas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Viktor Frankl e o nascimento da Logoterapia<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Alejandro Vera<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Viktor Frankl nasceu em 1905, em Viena. M\u00e9dico neurologista, psiquiatra e doutor em Filosofia, desde a inf\u00e2ncia carregava uma inquieta\u00e7\u00e3o profunda sobre o sentido da vida. Teve contato com Sigmund Freud e Alfred Adler, bebeu dessas fontes e delas se afastou, convicto de que nenhuma delas tocava o n\u00facleo do que nos move. Freud via no prazer a for\u00e7a central do ser humano; Adler, no poder. Frankl enxergava algo diferente: somos, essencialmente, buscadores de sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa convic\u00e7\u00e3o foi testada no limite. Deportado para campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo Auschwitz, Frankl perdeu seus pais, seus irm\u00e3os e sua esposa gr\u00e1vida. Em meio ao horror absoluto, descobriu que, mesmo quando tudo \u00e9 tirado de algu\u00e9m, uma liberdade permanece intacta: a de escolher a pr\u00f3pria atitude diante do que se vive. Dessa travessia nasceu a Logoterapia e o livro<em> Em busca de sentido<\/em>, uma das obras mais lidas do s\u00e9culo XX. Frankl viveu at\u00e9 os 92 anos, disseminando seu legado pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O ser humano \u00e9 muito mais do que corpo e mente<\/h4>\n\n\n\n<p>A Logoterapia parte de uma compreens\u00e3o integral do ser humano. Para Frankl, somos seres biopsicoespirituais: temos uma dimens\u00e3o biol\u00f3gica, uma psicol\u00f3gica e uma espiritual. N\u00e3o se trata de espiritualidade no sentido dogm\u00e1tico ou religioso estrito. A dimens\u00e3o espiritual, em Frankl, \u00e9 onde residem nossas potencialidades mais profundas: a vontade de sentido, a liberdade, a responsabilidade, os valores e a dignidade humana. \u00c9 o que nos faz ir al\u00e9m do instinto, do condicionamento e das circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ignorar essa dimens\u00e3o \u00e9 olhar para o ser humano de forma incompleta. E tratar apenas o biol\u00f3gico ou o psicol\u00f3gico, sem contemplar o espiritual, \u00e9 cuidar das partes sem cuidar do todo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sentido n\u00e3o \u00e9 o mesmo que prop\u00f3sito<\/h4>\n\n\n\n<p>Vivemos em uma \u00e9poca em que muito se fala em prop\u00f3sito. No entanto, Frankl nos oferece uma distin\u00e7\u00e3o essencial. O prop\u00f3sito \u00e9 subjetivo: nasce dos nossos desejos, das nossas metas, da nossa vis\u00e3o de futuro. Pode mudar com o tempo, e isso \u00e9 natural. O sentido, por\u00e9m, \u00e9 objetivo e concreto, existe independentemente de n\u00f3s. N\u00e3o nos cabe interrogar a vida como se ela nos devesse respostas, pois \u00e9 ela que nos interroga, a cada momento, convidando-nos a responder por meio de nossas escolhas e atitudes. Essa invers\u00e3o transforma tudo: deixo de ser v\u00edtima das circunst\u00e2ncias e passo a ser interlocutor da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O sentido pode ser encontrado por tr\u00eas caminhos: pelos valores criativos, naquilo que realizamos e contribu\u00edmos; pelos valores vivenciais, naquilo que experienciamos na rela\u00e7\u00e3o com o outro, com a arte e com a natureza; e pelos valores atitudinais, talvez os mais profundos, que se revelam na postura que adotamos diante do sofrimento inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Liberdade e responsabilidade: duas faces da mesma moeda<\/h4>\n\n\n\n<p>A liberdade de vontade \u00e9 um dos pilares centrais da Logoterapia. Somos livres para escolher nossa atitude diante de qualquer circunst\u00e2ncia. Nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, onde tudo era negado, essa foi a descoberta mais visceral de Frankl: a liberdade interior permanece intacta. Ningu\u00e9m pode nos tirar a maneira como escolhemos encarar o que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, essa liberdade exige responsabilidade. O livre-arb\u00edtrio n\u00e3o \u00e9 licen\u00e7a para viver sem consequ\u00eancias. \u00c9 o convite permanente a abra\u00e7ar as consequ\u00eancias das pr\u00f3prias escolhas com maturidade e consci\u00eancia. Sou livre para escolher minha atitude. E sou respons\u00e1vel por ela.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Todo ser humano tem uma miss\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Frankl era categ\u00f3rico: todo ser humano tem uma miss\u00e3o na vida, \u00fanica, irrepet\u00edvel e intransfer\u00edvel. E, para aqueles que ainda n\u00e3o a encontraram, que sentem o vazio e a ang\u00fastia, ele dizia com firmeza: encontrar essa miss\u00e3o j\u00e1 \u00e9, em si, a sua miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O vazio existencial, essa sensa\u00e7\u00e3o dolorosa de falta de sentido, \u00e9 uma das realidades mais preocupantes do nosso tempo. Est\u00e1 presente em adultos que se perdem na rotina e no consumo e, de forma alarmante, em jovens que dizem n\u00e3o encontrar raz\u00e3o para viver. O esvaziamento de sentido \u00e9 um fator de risco real, que n\u00e3o podemos ignorar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o somos feitos para existir no vazio. Somos, em nossa mais profunda ess\u00eancia, buscadores de sentido. E essa busca, quando vivida com consci\u00eancia e abertura para a dimens\u00e3o espiritual, nos aproxima do que Frankl chamou de suprassentido: uma consci\u00eancia c\u00f3smica que permeia a exist\u00eancia, uma presen\u00e7a maior que governa tudo com amor e sabedoria \u2013 o que muitos chamam de Deus.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Transforme-se<\/h4>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m passa por esta exist\u00eancia sem sentir dor. Ningu\u00e9m atravessa a vida sem carregar, em algum momento, o peso da culpa. E todos nos deparamos com a morte. Frankl chamou essa realidade de tr\u00edade tr\u00e1gica da exist\u00eancia. Quando aceitamos que o sofrimento \u00e9 parte inerente do caminho, deixamos de nos perguntar \u201cpor que eu?\u201d e come\u00e7amos a perguntar \u201co que fa\u00e7o com isso?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a\u00ed que a busca de sentido se revela em toda a sua for\u00e7a. N\u00e3o somos n\u00f3s que questionamos a vida; \u00e9 ela que nos questiona, a cada circunst\u00e2ncia, a cada perda, a cada alegria. E somos n\u00f3s que precisamos responder, com nossas escolhas, com nossa postura, com a abertura que temos, ou n\u00e3o, para enxergar o sentido que j\u00e1 est\u00e1 ali, esperando ser encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa resposta raramente vem sozinha. Ela nasce na rela\u00e7\u00e3o com o outro, no amor que Frankl descrevia n\u00e3o como sentimento passageiro, mas como for\u00e7a c\u00f3smica transformadora, capaz de nos vincular \u00e0 humanidade e de nos aproximar do sentido mais profundo da exist\u00eancia. Encontro o meu sentido quando ajudo o outro a encontrar o seu. \u00c9 nessa entrega que algo maior se revela.<\/p>\n\n\n\n<p>Frankl nos deixou uma frase que \u00e9, ao mesmo tempo, diagn\u00f3stico e reflex\u00e3o: \u201cQuando a situa\u00e7\u00e3o for boa, desfrute-a. Quando a situa\u00e7\u00e3o for ruim, transforme-a. Quando a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o puder ser transformada, transforme-se\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre h\u00e1 uma resposta poss\u00edvel. Sempre h\u00e1 sentido, mesmo quando ainda n\u00e3o est\u00e1 vis\u00edvel. A vida nos questiona a cada amanhecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Alejandro Vera<\/strong> \u00e9 psiquiatra pela Unifesp, especialista em Logoterapia e An\u00e1lise Existencial pelo m\u00e9todo de Viktor Frankl; vice-presidente do Grupo Assistencial Esp\u00edrita Israel (Osasco); presidente da AME-Osasco e coordenador do Departamento de Sa\u00fade Mental da AME-Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancia<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">FRANKL, Viktor. <strong>Em busca de sentido:<\/strong> um psic\u00f3logo no campo de concentra\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um tempo em que tantas pessoas se veem perdidas, angustiadas e sem dire\u00e7\u00e3o, a pergunta que Viktor Frankl fez ao longo de toda a sua vida volta com for\u00e7a in\u00e9dita: a vida tem sentido? E, se tem, como encontr\u00e1-lo? 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