{"id":558,"date":"2020-10-31T00:25:04","date_gmt":"2020-10-31T03:25:04","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=558"},"modified":"2026-01-23T20:17:22","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:22","slug":"pesquisa-indica-adulteracao-em-o-ceu-e-o-inferno-de-kardec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/2020\/10\/31\/pesquisa-indica-adulteracao-em-o-ceu-e-o-inferno-de-kardec\/","title":{"rendered":"Adultera\u00e7\u00e3o em O c\u00e9u e o inferno de Kardec"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Paulo-e-Lucas_trat.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-560\" width=\"398\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Paulo-e-Lucas_trat.jpg 327w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Paulo-e-Lucas_trat-297x300.jpg 297w\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><figcaption>Paulo e Lucas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Comprometido e apaixonado pela pesquisa esp\u00edrita em sua ess\u00eancia, desde muito jovem, Paulo Henrique de Figueiredo tem se dedicado ao estudo profundo das bases do pensamento esp\u00edrita, buscando compreender com mais clareza os conceitos libertadores que a filosofia prop\u00f5e. Com Lucas Sampaio, advogado, pesquisador e palestrante esp\u00edrita, o comunicador da R\u00e1dio Boa Nova e TV Mundo Maior, emissoras da Funda\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Andr\u00e9 Luiz, assina <em>Nem c\u00e9u nem inferno \u2013 as leis da alma segundo o Espiritismo.<\/em> Fruto de pesquisas em documentos in\u00e9ditos obtidos em Paris, a obra revela que, al\u00e9m de <em><a href=\"http:\/\/encurtador.com.br\/hnxG1\" data-type=\"URL\" data-id=\"encurtador.com.br\/hnxG1\">A G\u00eanese<\/a><\/em>, <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em> tamb\u00e9m sofreu adultera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a morte de <a href=\"http:\/\/encurtador.com.br\/iruH9\" data-type=\"URL\" data-id=\"encurtador.com.br\/iruH9\">All<\/a><a href=\"http:\/\/encurtador.com.br\/iruH9\" data-type=\"URL\" data-id=\"encurtador.com.br\/iruH9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">an Kardec<\/a>. O livro, esperam os autores, que contaram com o apoio de um time nas pesquisas, apresenta surpreendentes descobertas. Sobre ele, Paulo Henrique de Figueiredo conversou com a <em>Folha Esp\u00edrita<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Figueiredo, desde quando voc\u00ea pesquisa as obras de Allan Kardec? De que forma e qual seu objetivo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paulo Henrique de Figueiredo \u2013<\/strong> Cresci numa fam\u00edlia esp\u00edrita, constitu\u00edda de m\u00e9diuns e divulgadores. Participavam dessas reuni\u00f5es familiares escritores e oradores. Via fen\u00f4menos, at\u00e9 mesmos de efeitos f\u00edsicos. Nessa cria\u00e7\u00e3o, fen\u00f4menos e debates da Doutrina Esp\u00edrita eram naturais, faziam parte do cotidiano, assim como a leitura. Todos liam revistas, livros, jornais. Aos 15 anos, a leitura da cole\u00e7\u00e3o da <em>Revista Esp\u00edrita<\/em> foi um mundo novo. Allan Kardec, at\u00e9 ent\u00e3o, era o nome do autor na capa de seus livros. Mas aqui, n\u00e3o, era o pesquisador, conversando com os Esp\u00edritos, debatendo com eles, apresentando hip\u00f3teses em artigos, comentando not\u00edcias. E avan\u00e7ando nas ideias, apresentando conceitos conclusivos, quando ocorria a universalidade do ensino dos Esp\u00edritos. Mas tamb\u00e9m me deparei com coisas novas, que n\u00e3o ouvia nos meios esp\u00edritas, como magnetismo animal, por exemplo. Kardec afirmava ser a ci\u00eancia irm\u00e3 do Espiritismo, que um explicava ao outro e que cairiam num impasse se separassem. Mas ningu\u00e9m sabia dizer quem realmente era Mesmer, quais suas ideias. Nenhuma obra dele havia em portugu\u00eas. Comecei a pesquisar para me esclarecer. A profundidade desse esfor\u00e7o me levou a conseguir os livros de Mesmer em franc\u00eas. Anos depois, com o doutor \u00c1lvaro Glerean, professor da Faculdade Paulista de Medicina, traduzimos mais de 20 livros de magnetismo animal, as obras completas de Mesmer. Formamos um grupo de pesquisa medi\u00fanica para apoio aos estudos. Foi da\u00ed que surgiu o primeiro livro, <em>Mesmer \u2013 a ci\u00eancia negada do magnetismo animal<\/em>. Nunca parei de pesquisar, todos os dias desde l\u00e1. Vieram ent\u00e3o <em>Revolu\u00e7\u00e3o esp\u00edrita \u2013 a teoria esquecida de Allan Kardec<\/em>; <em>Autonomia \u2013 a hist\u00f3ria jamais contada do Espiritismo<\/em>; e agora <em>Nem c\u00e9u nem inferno \u2013 a moral segundo o Espiritism<\/em>o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Voc\u00ea teve acesso a documentos in\u00e9ditos? Que documentos s\u00e3o esses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nada do que est\u00e1 ocorrendo no restabelecimento da Doutrina Esp\u00edrita seria poss\u00edvel sem a avalanche de fontes prim\u00e1rias dispon\u00edveis para pesquisa. Estamos numa abundante era digital da pesquisa hist\u00f3rica. Consultamos acervos de livros, jornais, documentos cartoriais, principalmente da Fran\u00e7a, s\u00e9culos XVIII e XIX. No entanto, ap\u00f3s o lan\u00e7amento da obra <em>O legado de Allan Kardec<\/em>, por Simoni Privato, tudo mudou. Ela encontrou os documentos que comprovaram a adultera\u00e7\u00e3o de <em>A G\u00eanese<\/em>, por ter sido publicada e depositada com textos modificados ap\u00f3s a morte do autor, em 1872. A lei \u00e9 bem simples, preserva-se o direito moral do autor, e nada pode ser alterado ap\u00f3s a sua morte, nem mesmo pelos herdeiros dos direitos autorais. Trata-se da preserva\u00e7\u00e3o da originalidade do pensamento de quem escreveu. S\u00f3 ele pode alterar a sua obra, em vida. Isso vale desde aquela \u00e9poca at\u00e9 hoje, em todo o mundo. Quando lan\u00e7amos <em>A G\u00eanese<\/em> original de Kardec, na pesquisa, tivemos acesso aos manuscritos in\u00e9ditos que foram guardados por d\u00e9cadas por Canuto Abreu e sua fam\u00edlia. Atualmente, em diversos lotes, s\u00e3o aproximadamente 2,5 mil p\u00e1ginas preenchidas por pena, que recontam a hist\u00f3ria pessoal de Rivail, do Espiritismo, dos pioneiros fi\u00e9is, mas tamb\u00e9m dos detratores e inimigos que lutaram para impedir que o ensinamento dos Esp\u00edritos chegasse at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que as obras de Kardec foram adulteradas? Como voc\u00ea chegou a essa conclus\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de acreditar, trata-se de um fato definitivo e incontest\u00e1vel. O documento de dep\u00f3sito das obras (<em>dep\u00f4t l\u00e9gal<\/em>) \u00e9 o principal para resolver essa quest\u00e3o. Quando ocorreu em vida do autor, a obra \u00e9 leg\u00edtima. Quando ocorreu ap\u00f3s a morte, e cont\u00e9m altera\u00e7\u00f5es, \u00e9 adulterada. Na Fran\u00e7a do s\u00e9culo XIX, estava em vigor a lei de 14 de outubro de 1814 e no C\u00f3digo Penal de 1810 havia multa, confisco da edi\u00e7\u00e3o falsificada e de suas matrizes. A hist\u00f3ria mais antiga \u00e9 a da B\u00edblia, quando os copistas alteravam os textos segundo suas ideias. Segundo o biblista Bart Ehrman, foram 400 mil adultera\u00e7\u00f5es. Quanto a Kardec, os participantes da Uni\u00e3o Esp\u00edrita Francesa e Franc\u00f3fona souberam que a quinta edi\u00e7\u00e3o de <em>A G\u00eanese<\/em> foi depositada legalmente somente em dezembro de 1872, com centenas de modifica\u00e7\u00f5es do texto original. A reuni\u00e3o para determinar a volta \u00e0 vers\u00e3o original de 1868 durou cinco minutos, nos contou Charles Kempf, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Francesa. O mesmo ocorreu nos pa\u00edses de l\u00edngua espanhola e inglesa. No Brasil, h\u00e1 a vers\u00e3o original da FEAL (Funda\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Andr\u00e9 Luiz), da CELD (Centro Esp\u00edrita L\u00e9on Denis) e a rec\u00e9m-lan\u00e7ada da editora EME.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>\u201cO adulterador tinha em vista implantar as ideias de castigo divino, carma, sofrimento como pena divina, queda e outros dogmas, implantando textos jamais escritos por Kardec em <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em>. Tamb\u00e9m retiraram ideias fundamentais quanto \u00e0 moral aut\u00f4noma, responsabilidade moral, a liberdade como lei divina. Ser\u00e1 um resgate trabalhoso, exigindo estudo e dedica\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritas. Mas ser\u00e1 a restaura\u00e7\u00e3o da verdade\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foi encontrada adultera\u00e7\u00e3o no original de <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde julho de 2019, v\u00e1rios grupos de pesquisa tiveram acesso aos documentos da Biblioteca Nacional da Fran\u00e7a e dos Arquivos Nacionais quanto \u00e0s edi\u00e7\u00f5es da obra <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em>. Na pesquisa efetuada pelo coautor de minha obra, Lucas Sampaio, nos grandes e empoeirados livros de mais de um s\u00e9culo, nos Arquivos de Paris, ele encontrou o dep\u00f3sito legal n. 5.819, da quarta edi\u00e7\u00e3o de <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em>, registrado em 19\/7\/1869, \u00e0 p\u00e1gina 117 do documento F\/18(III)\/124. Sendo ap\u00f3s a morte de Rivail, trata-se de adultera\u00e7\u00e3o. Na Fran\u00e7a, como ocorreu com <em>A G\u00eanese<\/em>, a Uni\u00e3o Francesa, respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o da obra, j\u00e1 voltou \u00e0 edi\u00e7\u00e3o original de Kardec, assim como na Argentina. No Brasil, estamos preparando a edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. O mundo inteiro est\u00e1 restaurando a verdadeira voz de Kardec. S\u00e3o altera\u00e7\u00f5es ser\u00edssimas. O adulterador tinha em vista implantar as ideias de castigo divino, carma, sofrimento como pena divina, queda e outros dogmas, implantando textos jamais escritos por Kardec em <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em>. Tamb\u00e9m retiraram ideias fundamentais quanto \u00e0 moral aut\u00f4noma, responsabilidade moral, a liberdade como lei divina. Ser\u00e1 um resgate trabalhoso, exigindo estudo e dedica\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritas. Mas ser\u00e1 a restaura\u00e7\u00e3o da verdade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que uma obra como a de Kardec sofreria adultera\u00e7\u00e3o? E por quem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso livro, tamb\u00e9m oferecemos uma extensa pesquisa e recupera\u00e7\u00e3o de fatos hist\u00f3ricos que revelam a luta que Kardec enfrentou para apresentar uma teoria moral revolucion\u00e1ria, propondo a liberdade de o Esp\u00edrito tornar-se senhor de seu destino, por meio de suas escolhas. A felicidade \u00e9 a conquista daquele que se esfor\u00e7a na conquista das virtudes, intelig\u00eancia e criatividade. Est\u00e1 nas leis naturais que regem a alma. Tamb\u00e9m, por outro lado, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o natural o sofrimento moral inerente \u00e0s imperfei\u00e7\u00f5es, que t\u00eam origem nas escolhas equivocadas de alguns Esp\u00edritos, inebriados pelo orgulho e ego\u00edsmo. Esse sofrimento s\u00f3 acaba quando o Esp\u00edrito, de forma consciente e volunt\u00e1ria, escolhe superar suas imperfei\u00e7\u00f5es, descondicionando seus h\u00e1bitos equivocados pela escolha das provas em suas reencarna\u00e7\u00f5es. \u00c9 a expia\u00e7\u00e3o, ressignificada pelo Espiritismo. Esse pensamento moderno e revolucion\u00e1rio encontra oposi\u00e7\u00e3o dos dogmas do mundo velho, que submetem os indiv\u00edduos ao medo, amea\u00e7as, de um falso deus que condena, castiga, para tornar as almas submissas. Superar esses dogmas \u00e9 a tarefa da revolu\u00e7\u00e3o esp\u00edrita, quando surge a regenera\u00e7\u00e3o da humanidade. Seremos felizes, pelo esfor\u00e7o de cada um, pois a felicidade \u00e9 o m\u00e9rito dessa conquista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isso pode ter acontecido com outra obra de Kardec?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A adultera\u00e7\u00e3o, confirma a pesquisa, s\u00f3 ocorreu com <em>A G\u00eanese<\/em>, <em>O C\u00e9u e o inferno<\/em>. As tr\u00eas primeiras obras do Espiritismo est\u00e3o em sua vers\u00e3o leg\u00edtima. \u00c9 importante tranquilizar os esp\u00edritas quanto a esse fato. N\u00e3o teremos mais novidades nessa quest\u00e3o. Em <em>Obras p\u00f3stumas<\/em> j\u00e1 foram encontrados manuscritos que foram manipulados por Leymarie para compor essa obra, publicada em janeiro de 1890. Todos os desvios j\u00e1 constatados durante os anos que ele dominou a continuidade das obras de Kardec colocam em suspeita essa colet\u00e2nea tardia. Todavia, os 2,5 mil manuscritos in\u00e9ditos, em processo de transcri\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o disponibilizados no Projeto Allan Kardec, sediado atualmente na Universidade Federal de Juiz de Fora, e constituir\u00e3o nas verdadeiras obras p\u00f3stumas do fundador do Espiritismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que esse t\u00edtulo <em>Nem c\u00e9u, nem inferno<\/em>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 1865, o professor Rivail enfrentava graves consequ\u00eancias ap\u00f3s um violento abalo na sa\u00fade: \u201cDesde a grande doen\u00e7a que sofri em 1865, o lado esquerdo de meu peito permaneceu inchado, e, assim que ando, experimento dor e sufocamento que me for\u00e7am a parar. Desse modo, toda a m\u00e1quina est\u00e1 emperrada, exceto a cabe\u00e7a, que est\u00e1 sempre livre, o que \u00e9 fundamental para mim, pois \u00e9 a minha ferramenta de trabalho\u201d, afirmou em carta \u00e0 senhora Bourdin Grandpr\u00e9, de Genebra, em julho de 1865 (Manuscrito CDOR Canuto n. 1865_04_06_AKD_01). Em meio a dif\u00edceis embates da vida, Kardec escrevia com esperan\u00e7a no futuro da humanidade, suas recentes pesquisas sobre as leis da alma, na obra <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em>. Suas conclus\u00f5es divergiam dos antigos dogmas sobre o futuro da alma: \u201cPelos exemplos que a revela\u00e7\u00e3o coloca sob nossos olhos, ela nos ensina que a alma sofre no mundo invis\u00edvel por todo o mal que fez, e por todo o bem que poderia ter feito e n\u00e3o fez durante sua vida terrena; que a alma n\u00e3o \u00e9 condenada a uma penalidade absoluta, uniforme e por um tempo determinado, mas que sofre as consequ\u00eancias naturais de todas as suas a\u00e7\u00f5es m\u00e1s, at\u00e9 que tenha melhorado com os esfor\u00e7os de sua vontade. Ela carrega em si mesma seu pr\u00f3prio castigo, e isso em todo lugar onde se encontre; por esse motivo n\u00e3o h\u00e1 necessidade de um lugar circunscrito\u201d. Conclui, em seguida, que \u201cO inferno, portanto, est\u00e1 em toda parte onde existem almas sofredoras, como o c\u00e9u est\u00e1 em toda parte onde existem almas felizes\u201d, em trecho completamente retirado na vers\u00e3o adulterada da obra publicada ap\u00f3s a sua morte! Ficamos privados por s\u00e9culo e meio de conhecer tais palavras consoladoras. Ningu\u00e9m sofre em virtude do local no qual se encontra ap\u00f3s a morte, pois o sofrimento do Esp\u00edrito \u00e9 determinado pela condi\u00e7\u00e3o de imperfei\u00e7\u00e3o da alma. E a felicidade \u00e9 conquista definitiva da evolu\u00e7\u00e3o moral e intelectual. Liberdade! Essa \u00e9 a palavra fundamental da doutrina dos Esp\u00edritos. Pensando nesses textos in\u00e9ditos, criamos o t\u00edtulo <em>Nem c\u00e9u nem inferno<\/em> como met\u00e1fora dessas leis naturais da alma, agora restabelecidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais foram, de fato, os conceitos originais de Allan Kardec e dos Esp\u00edritos superiores sobre a teoria moral esp\u00edrita, as leis da alma, para a regenera\u00e7\u00e3o da humanidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foram muitos trechos significativos retirados de <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em> que demonstram as conclus\u00f5es de Kardec quanto \u00e0 doutrina moral esp\u00edrita. Neles, ele explica que o Espiritismo supera os dogmas presentes em sistemas criados pelos homens, pelos conceitos baseados nas leis naturais deduzidas das milhares de comunica\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos, em diversos est\u00e1gios evolutivos. Isso faz da metaf\u00edsica e da moral uma ci\u00eancia, pelo m\u00e9todo de pesquisa esp\u00edrita. Ficamos privados desses ensinamentos em virtude da adultera\u00e7\u00e3o. Logo no segundo item das Leis da Justi\u00e7a Divina, cap\u00edtulo 8 da edi\u00e7\u00e3o original (que se tornou o 7 na vers\u00e3o adulterada), Kardec havia escrito: \u201cSendo todos os Esp\u00edritos perfect\u00edveis, em virtude da lei do progresso, trazem em si os elementos de sua felicidade ou de sua infelicidade futura e os meios de adquirir uma e de evitar a outra trabalhando em seu pr\u00f3prio adiantamento\u201d. Essa \u00e9 a mais clara e profunda defini\u00e7\u00e3o da autonomia moral esp\u00edrita. Desse modo, a felicidade n\u00e3o \u00e9 uma concess\u00e3o ou gra\u00e7a divina, mas uma conquista do pr\u00f3prio ser. Tamb\u00e9m a infelicidade n\u00e3o \u00e9 um castigo, mas uma condi\u00e7\u00e3o criada quando o Esp\u00edrito desenvolve uma imperfei\u00e7\u00e3o, e termina quando ele pr\u00f3prio a desfaz. As vicissitudes do mundo material n\u00e3o s\u00e3o jamais castigos, mas, sim, oportunidades para o desenvolvimento do Esp\u00edrito. Este mundo, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma pris\u00e3o, e sim uma escola de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>\u201cEsse pensamento moderno e revolucion\u00e1rio encontra oposi\u00e7\u00e3o dos dogmas do mundo velho, que submetem os indiv\u00edduos ao medo, amea\u00e7as, de um falso deus que condena, castiga, para tornar as almas submissas. Superar esses dogmas \u00e9 a tarefa da revolu\u00e7\u00e3o esp\u00edrita, quando surge a regenera\u00e7\u00e3o da humanidade. Seremos felizes, pelo esfor\u00e7o de cada um, pois a felicidade \u00e9 o m\u00e9rito dessa conquista.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o preju\u00edzo do que foi alterado em edi\u00e7\u00f5es posteriores a sua morte, acrescentando equ\u00edvocos como degenera\u00e7\u00e3o das almas, culpa, queda, carma, castigo divino, entre outros falsos dogmas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento Esp\u00edrita, desde o final do s\u00e9culo XIX at\u00e9 hoje, foi v\u00edtima da adultera\u00e7\u00e3o das obras conclusivas de Allan Kardec. N\u00e3o s\u00f3 fomos privados das palavras consoladoras da moral original esp\u00edrita, como foram implantados textos falsos, jamais escritos por Kardec, na edi\u00e7\u00e3o adulterada de <em>O c\u00e9u e o inferno<\/em>. Esses trechos equivocados, mergulhados nos dogmas ultrapassados, colocaram uma nuvem de fuma\u00e7a no entendimento da obra. O item 9 do cap\u00edtulo 7 da vers\u00e3o adulterada tem um trecho nunca escrito pelo autor: \u201cToda falta cometida, todo mal realizado \u00e9 uma d\u00edvida contra\u00edda que dever\u00e1 ser paga; se n\u00e3o o for em uma exist\u00eancia, s\u00ea-lo-\u00e1 na seguinte ou seguintes, porque todas as exist\u00eancias s\u00e3o solid\u00e1rias entre si. Aquele que se quita numa exist\u00eancia n\u00e3o ter\u00e1 necessidade de pagar uma segunda vez\u201d. Esse texto remete \u00e0 ideia de pecado e carma, fala de falta como d\u00edvida a ser paga. Paga para quem? Para Deus? Como se ele fosse um cobrador dos c\u00e9us, castigando sua cria\u00e7\u00e3o como se fosse rancoroso, mau, vaidoso, coisas que n\u00e3o pertencem de forma alguma \u00e0 sua perfeita bondade! A verdadeira moral esp\u00edrita apresenta a liberdade de escolhas como meio de conquista da felicidade, esse \u00e9 o destino inevit\u00e1vel de todos os seres. Esse Deus \u00e9 infinitamente bom e providente. E o mundo precisa conhec\u00ea-lo, pois os tempos est\u00e3o chegados, e a humanidade vai progredir social e moralmente, trazendo oportunidade, igualdade e fraternidade para todos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o que \u00e9 poss\u00edvel fazer com as informa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea traz na sua obra?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A obra <em>Nem c\u00e9u nem inferno<\/em> \u00e9 um registro dos fatos ocorridos nos tempos de Kardec e ap\u00f3s a sua chegada ao mundo espiritual, quando os desvios provocados por alguns levaram \u00e0 adultera\u00e7\u00e3o de suas \u00faltimas obras. Mas o mais importante est\u00e1 na recupera\u00e7\u00e3o dos textos originais, que apresentamos traduzidos pela primeira vez para nossa l\u00edngua, estudados trecho a trecho, para que conhe\u00e7amos verdadeiramente o que \u00e9 a moral esp\u00edrita. Num trecho suprimido pela adultera\u00e7\u00e3o, depois de demonstrar que ca\u00edram em erro os sistemas criados pelos homens para explicar a vida futura, como a das penas eternas. De tal forma que \u201cSe alguns homens de elite, em diversas \u00e9pocas, entreviram um lado da verdade, a massa ignorante permaneceu sob o imp\u00e9rio dos preconceitos que geralmente lhe eram impostos\u201d. A maior parte da humanidade ficou submissa pela f\u00e9 cega e obedi\u00eancia passiva, para manter os privil\u00e9gios de alguns. Agora \u00e9 a hora do despertar. E Kardec conclui, no texto recuperado da edi\u00e7\u00e3o original de sua obra: \u201cDeus, ent\u00e3o, julgando que a humanidade saiu da inf\u00e2ncia, e que o homem est\u00e1 hoje maduro para compreender verdades de uma ordem mais elevada, permite que a vida espiritual lhe seja revelada por fatos que p\u00f5em um termo \u00e0s suas incertezas, fazendo cair os andaimes das hip\u00f3teses. \u00c9 a realidade ap\u00f3s a ilus\u00e3o\u201d. Cabe \u00e0 atual gera\u00e7\u00e3o de esp\u00edritas, e \u00e0s que se seguirem, restabelecer a moral aut\u00f4noma ensinada pelos Esp\u00edritos superiores. Ela ser\u00e1 a alavanca para o surgimento do mundo novo, no caminho da conquista da felicidade, por nosso esfor\u00e7o livre, consciente e desinteressado. Que assim seja!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>\u201cO item 9 do cap\u00edtulo 7 da vers\u00e3o adulterada tem um trecho nunca escrito pelo autor: \u2018Toda falta cometida, todo mal realizado \u00e9 uma d\u00edvida contra\u00edda que dever\u00e1 ser paga; se n\u00e3o o for em uma exist\u00eancia, s\u00ea-lo-\u00e1 na seguinte ou seguintes, porque todas as exist\u00eancias s\u00e3o solid\u00e1rias entre si. Aquele que se quita numa exist\u00eancia n\u00e3o ter\u00e1 necessidade de pagar uma segunda vez\u2019. Esse texto remete \u00e0 ideia de pecado e carma, fala de falta como d\u00edvida a ser paga. Paga para quem?\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Nem-Ceu-Nem-Inferno-Capa_trat.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-562\" width=\"234\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Nem-Ceu-Nem-Inferno-Capa_trat.jpg 458w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Nem-Ceu-Nem-Inferno-Capa_trat-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entrevista dos autores \u00e0 TV Mundo Maior, ocorrida em 29 de outubro, data do pr\u00e9-lan\u00e7amento do livro, e pode ser conferida pelo link <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AWIBAGffass\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AWIBAGffass<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O comunicador da R\u00e1dio Boa Nova e TV Mundo Maior Paulo Henrique de Figueiredo e o pesquisador Lucas Sampaio lan\u00e7am Nem c\u00e9u nem inferno \u2013 as leis da alma segundo o Espiritismo e garantem: O c\u00e9u e o inferno de Kardec foi adulterado. <\/p>","protected":false},"author":3,"featured_media":623,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[59,48,62,60,61,57,58],"edicoes":[25],"class_list":["post-558","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-a-genese","tag-allan-kardec","tag-fundacao-espirita-andre-luiz","tag-o-ceu-e-o-inferno","tag-paulo-henrique-de-figueiredo","tag-radio-boa-n-ova","tag-tv-mundo-maior","edicoes-560-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=558"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":653,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558\/revisions\/653"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=558"},{"taxonomy":"edicoes","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/edicoes?post=558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}