{"id":7665,"date":"2025-01-01T12:19:30","date_gmt":"2025-01-01T15:19:30","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=7665"},"modified":"2026-01-23T20:17:04","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:04","slug":"fernando-baleroni-supera-a-dor-e-transmite-mensagem-de-fe-e-esperanca-no-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/2025\/01\/01\/fernando-baleroni-supera-a-dor-e-transmite-mensagem-de-fe-e-esperanca-no-ano-novo\/","title":{"rendered":"Fernando Baleroni supera a dor e transmite mensagem de f\u00e9 e esperan\u00e7a no ano novo"},"content":{"rendered":"<p>Texto de Marlene Rossi Severino Nobre<\/p>\n\n\n\n<p>A <em>Folha Esp\u00edrita<\/em> foi buscar algu\u00e9m que pudesse transmitir aos seus leitores um Feliz 75, mas que o fizesse de forma bem marcante. A escolha recaiu em Fernando Baleroni, o grande ator de teatro e televis\u00e3o, not\u00e1vel, sobretudo, porque fez parte da TV de vanguarda, este celeiro vivo de ideias, que plasmou a base fundamental de nossas atividades art\u00edsticas no cen\u00e1rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Baleroni vive, hoje, seu personagem principal, pleno de for\u00e7a, de otimismo, de grandes transforma\u00e7\u00f5es: ele encontrou-se a si mesmo. Sua riqueza espiritual foi sedimentada ao longo das prova\u00e7\u00f5es. Andr\u00e9 Luiz, em <em>Mecanismos da mediunidade<\/em> (p. 43), define muito bem, inclusive cientificamente, esse imenso poder transformador das emo\u00e7\u00f5es profundas sobre nossas mentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 este presente que ofertamos a todos voc\u00eas: a mensagem de Baleroni, onde a f\u00e9e o otimismo removem montanhas. Sorria, a vida \u00e9 plena de esperan\u00e7a! \u201cN\u00e3o importa o que Deus nos tira, mas aquilo que Ele nos deixa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Qual o caminho que o levou ao Espiritismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Baleroni \u2013<\/strong> Foi o da verdade. Descobri-o alguns anos antes de ficar hospitalizado, e depois, com a gravidade da minha mol\u00e9stia, pude constatar toda essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1969, conheci um rapaz que realizava opera\u00e7\u00f5es espirituais maravilhosas. Nessa ocasi\u00e3o, eu estava tratando de uma flebite, e os m\u00e9dicos constataram obstru\u00e7\u00e3o na perna esquerda. Foi marcada uma aortografia para se operar, se fosse o caso de opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, por\u00e9m, fui a um local em Pinheiros, onde encontrei esse m\u00e9dium. Sem me conhecer, ele foi falando tudo quanto eu tinha, discutiu o assunto com um m\u00e9dico que estava presente e falou nos m\u00e9todos de que os Esp\u00edritos se utilizam, que s\u00e3o bem diferentes daqueles empregados pela Medicina atualmente. Fez um tratamento na minha perna com um canivete, e duas semanas depois eu fui fazer aortografia. Os m\u00e9dicos ficaram surpresos, porque n\u00e3o encontraram nada, e para eles eu tinha realmente uma obstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed para c\u00e1, estive v\u00e1rias vezes quase do outro lado da vida e, v\u00e1rias vezes, salvei-me com o aux\u00edlio dos amigos espirituais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cTroquei minha perna por uma garrafa de bebida.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FE <\/strong><strong>\u2013 N\u00e3o gostaria de ser importuna, mas voc\u00ea poderia fazer um retrospecto de sua mol\u00e9stia atual?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Baleroni <\/strong><strong>\u2014<\/strong> Na verdade, eu joguei minha vida fora. A minha fraqueza foi ser forte demais. Tomava dois litros de whisky por dia e nada me acontecia. Ficava sem dormir dois a quatro dias e n\u00e3o sentia nada. Eu bebia mais por exibi\u00e7\u00e3o, fumava desesperadamente e trabalhava feito um louco na profiss\u00e3o. Um dia, tive uma infec\u00e7\u00e3o grave no dedo, foram feitos v\u00e1rios exames, e os m\u00e9dicos conclu\u00edram que eu era diab\u00e9tico. Fui para casa com todas as recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e com o regime que eu deveria fazer. Mas eu n\u00e3o liguei, fumei, bebi e continuei a trabalhar sem descanso. Escondi da pr\u00f3pria fam\u00edlia o estado grav\u00edssimo em que me encontrava. Quando me levaram para o hospital, ap\u00f3s um desmaio, a gangrena j\u00e1 tinha atingido a altura do tornozelo.<\/p>\n\n\n\n<p>No hospital, tive uma calma impressionante. Eu disse para o m\u00e9dico: \u201cposso pedir uma coisa para o senhor, doutor? Corta minha perna 6dedos acima do joelho\u201d. O m\u00e9dico n\u00e3o concordou. Passei por tr\u00eas cirurgias mutiladoras, at\u00e9 que em 24 de novembro de 1972 a amputa\u00e7\u00e3o definitiva foi feita, exatamente seis dedos acima do joelho. E a cegueira veio tamb\u00e9m com o diabete.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que quando um amigo meu italiano perguntou o que eu fiz, eu respondi bem calmo: \u201cTroquei minha perna por uma garrafa de bebida&#8230;\u201d Agora fiquei contente porque esse meu amigo escreveu-me da It\u00e1lia, dizendo que tinha deixado de beber.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na amarga li\u00e7\u00e3o, um brado de alerta<\/h2>\n\n\n\n<p>A bebida leva a um lugar s\u00f3: \u00e0 desgra\u00e7a; e o cigarro tamb\u00e9m, ele vai minando todos os \u00f3rg\u00e3os do corpo lentamente&#8230; Comecei a fumar aos 12 anos de idade e fumava tr\u00eas ma\u00e7os por dia. Se a pessoa que bebe pensasse um pouco na m\u00e3e, na esposa, nos filhos e nos parentes n\u00e3o se arriscaria a ter a amarga experi\u00eancia que tenho hoje, eu que andei o Brasil todo, estou aqui, preso a esta cadeira de rodas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me revolto contra esse constrangimento, tenho consci\u00eancia de que o mere\u00e7o. Creio que Deus preservou-me a vida para servir de alguma forma ao meu semelhante atrav\u00e9s do sofrimento. Depois de uma entrevista para um de nossos peri\u00f3dicos e tamb\u00e9m depois que apareci em <em>Vendaval<\/em>, uma novela no canal 7, j\u00e1, ent\u00e3o, na cadeira de rodas e cego, passei a ter contatos di\u00e1rios com v\u00e1rias pessoas que t\u00eam a mesma prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, tenho podido animar muita gente. Muitas delas j\u00e1 voltaram a trabalhar, apesar da cadeira de rodas, porque ainda possuem a vis\u00e3o. Tenho muita f\u00e9 em Deus de que eu ainda vou voltar a enxergar. Nesse sentido, tenho sido muito auxiliado por um m\u00e9dico desencarnado que deseja curar-me da cegueira, para tanto, tenho ficado em medita\u00e7\u00e3o uma hora por semana, a fim de que os Esp\u00edritos possam trabalhar no meu caso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O aux\u00edlio permanente<\/h2>\n\n\n\n<p>Fato curioso \u00e9 que eu fui desenganado tr\u00eas vezes e consegui escapar de todas. Em uma delas, eu tive hepatite aguda com uma ascite (barriga-d\u2019\u00e1gua) enorme. O doutor Schneider, meu m\u00e9dico, desenganava-me pela terceira vez. Com a ajuda das preces, comecei a urinar 4 a 5 litros por dia e, em dois dias, estava sentado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, depois que perdi a perna e a vis\u00e3o \u00e9 que passei a ver a vida diferente. \u00c9 por isso que quando minha filha perguntou ao dr. Schneider se eu iria enxergar, ele respondeu: \u201cN\u00e3o sei, com seu pai tudo \u00e9 poss\u00edvel&#8230;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na doen\u00e7a, os verdadeiros amigos<\/h2>\n\n\n\n<p>Tenho tido amizades extraordin\u00e1rias: o Leporace, o Walter Stuart e tantos outros t\u00eam sido de uma dedica\u00e7\u00e3o tocante para comigo. No entanto, muitos colegas, de 30 anos de profiss\u00e3o, nunca mais me visitaram. Eles alegam covardia, mas n\u00e3o vejo por que. No meu caso, n\u00e3o h\u00e1 lamenta\u00e7\u00f5es nem queixumes, pelo contr\u00e1rio, estou feliz porque vejo a vida diferente. Laura, minha esposa, tem sido uma hero\u00edna, e minhas filhas tamb\u00e9m. Minhas netinhas chamam-me de pai, minha cama tem de tudo: r\u00e1dios quebrados, migalhas de p\u00e3o, bananas, tem de tudo. Gra\u00e7as a Deus. Minhas netinhas s\u00e3o agora os meus maiores trof\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carreira art\u00edstica<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Baleroni \u2013 Voc\u00ea, artista de 30 anos de profiss\u00e3o, poderia fazer uma retrospectiva para n\u00f3s da sua carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Baleroni \u2013 <\/strong>Comecei em r\u00e1dio em 1943 fazendo radioteatro. Depois com a Televis\u00e3o Tupi fiz grandes pap\u00e9is na TV de vanguarda. Nesse tempo, quando o ator via o seu nome escalado, perguntava logo pelo <em>script<\/em>, hoje ele pergunta primeiro quanto vai ganhar. Hoje existe pre\u00e7o, n\u00e3o existe arte. Destaco nessa \u00e9poca o papel do inspetor, em <em>Crime e castigo<\/em>. Fiz o papel principal na novela <em>Os miser\u00e1veis<\/em>, de Vitor Hugo, e, ainda, o construtor S\u00f3stener, em <em>Tr\u00e1gica inoc\u00eancia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui para o teatro com Sandro eMaria Delia Costa.<em> Armadilha para um homem s\u00f3<\/em> permaneceu dois anos em cartaz e correu o Brasil todo. Em 56, fiz um filme, <em>O sobrado<\/em>, com o qual fui premiado, ganhei um concurso da prefeitura e o pr\u00eamio O Saci. Fiz in\u00fameras novelas no canal nove: <em>Vidas cruzadas<\/em>, <em>O leopardo<\/em>, <em>Sangue do meu sangue<\/em> etc. Depois, a luta de sempre, in\u00fameros artistas como Rodolfo Mayer e Proc\u00f3pio Ferreira a\u00ed est\u00e3o sem a prote\u00e7\u00e3o da lei porque a profiss\u00e3o de ator n\u00e3o foi ainda regulamentada. Deus queira que o consigam<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mensagem de f\u00e9<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>FE \u2013 Baleroni, s\u00e3o suas as palavras finais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Baleroni \u2013<\/strong> Seja qual for a situa\u00e7\u00e3o em que o indiv\u00edduo se encontre, jamais ele poder\u00e1 se desesperar. Quem est\u00e1 com Deus nunca est\u00e1 s\u00f3. Muita gente tirou proveito com aquilo que me aconteceu, encontrou apoio em tudo isto, e eu estou feliz. O mais importante n\u00e3o \u00e9 o que Deus nos tira, mas aquilo que ele nos deixa. O sorriso ainda \u00e9 o maior rem\u00e9dio do mundo, a vacina contra todas as mol\u00e9stias. Alegre-se com aquilo que Deus lhe deixou, meu amigo, e siga para frente!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Marlene Rossi Severino Nobre A Folha Esp\u00edrita foi buscar algu\u00e9m que pudesse transmitir aos seus leitores um Feliz 75, mas que o fizesse de forma bem marcante. 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