{"id":840,"date":"2021-01-04T21:09:17","date_gmt":"2021-01-05T00:09:17","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=840"},"modified":"2026-01-23T20:17:21","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:21","slug":"desafios-sociais-e-economicos-permanecem-e-exigem-mais-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/2021\/01\/04\/desafios-sociais-e-economicos-permanecem-e-exigem-mais-de-nos\/","title":{"rendered":"Desafios sociais e econ\u00f4micos permanecem e exigem mais de n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Marjorie Aum<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>2020 pode ter terminado, mas todos os desafios sociais e econ\u00f4micos, que foram duramente ampliados em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, ainda ir\u00e3o persistir e exigir\u00e3o uma postura ativa de todos n\u00f3s. A constru\u00e7\u00e3o de um novo mundo, onde possa predominar o bem e a fraternidade, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as ou povos, convida todos n\u00f3s a realmente fazermos a nossa parte como esp\u00edrita-crist\u00e3os conscientes.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro <em>Brasil, cora\u00e7\u00e3o do mundo, p\u00e1tria do Evangelho<\/em>, de autoria espiritual de Humberto de Campos, psicografado em 1938 por Chico Xavier, ao analisar cronologicamente os fatos da hist\u00f3ria do Brasil, demonstra a miss\u00e3o evangelizadora da nossa na\u00e7\u00e3o e o acompanhamento feito por Jesus ao longo de nosso processo evolutivo. No entanto, sabemos que, para ocuparmos o nosso lugar como \u201ccora\u00e7\u00e3o espiritual da Terra\u201d, cabe a n\u00f3s mesmos nos esfor\u00e7armos coletivamente na pr\u00e1tica do Evangelho de Jesus, a fim de irradiar ao nosso pr\u00f3prio pa\u00eds e a toda humanidade a paz e a toler\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos naturais existentes no nosso planeta n\u00e3o seriam escassos para alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o, caso, desde o princ\u00edpio, tiv\u00e9ssemos agido fraternalmente em rela\u00e7\u00e3o aos nossos semelhantes, sem manifestar as chagas do ego\u00edsmo e da vaidade. No entanto, as desigualdades que hoje nos fazem sofrer s\u00e3o fruto de nossas pr\u00f3prias imperfei\u00e7\u00f5es, que cristalizaram injusti\u00e7as, pobreza, fome e dor ao longo dos mil\u00eanios e que se tornaram t\u00e3o complexas de serem resolvidas. Em <em>H\u00e1 dois mil anos<\/em>, livro escrito por Emmanuel e psicografado por Chico Xavier, no cap\u00edtulo 6 da segunda parte, temos as seguintes palavras do Cristo: \u201cTrabalharemos com amor, na oficina dos s\u00e9culos porvindouros, reorganizaremos todos os elementos destru\u00eddos, examinaremos detidamente todas as ru\u00ednas buscando o material pass\u00edvel de novo aproveitamento e, quando as institui\u00e7\u00f5es terrestres reajustarem a sua vida na fraternidade e no bem, na paz e na justi\u00e7a, depois da sele\u00e7\u00e3o natural dos Esp\u00edritos e dentro das convuls\u00f5es renovadoras da vida planet\u00e1ria, organizaremos para o mundo um novo ciclo evolutivo, consolidando, com as divinas verdades do consolador, os progressos definitivos do homem espiritual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-um-novo-olhar-para-o-atual-cen-rio\">Um novo olhar para o atual cen\u00e1rio<\/h3>\n\n\n\n<p>Diante das considera\u00e7\u00f5es do nosso Mestre Jesus, podemos buscar um novo olhar para o cen\u00e1rio que se descortina neste momento. Afinal, o Brasil p\u00f3s-pandemia evidenciou ainda mais intensamente as suas desigualdades, como bem revela o pronunciamento da alta comiss\u00e1ria para os Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Michelle Bachelet, numa entrevista coletiva realizada em dezembro, na cidade de Genebra, quando ela destacou o impacto \u201cdevastador\u201d da pandemia de Covid no Brasil. Ela mostrou que esse impacto atingiu fortemente os grupos mais vulner\u00e1veis, como as pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, afrodescendentes, ind\u00edgenas, LGBTs e pessoas privadas de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 v\u00ednhamos contabilizando problemas graves no nosso pa\u00eds nos anos anteriores. Prova disso s\u00e3o os n\u00fameros divulgados recentemente. Em dezembro, foi publicado pelo PNUD, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento, o IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano) relativo a 2019. O ranking do IDH, liderado neste \u00faltimo relat\u00f3rio pela Noruega, mostra que a avalia\u00e7\u00e3o do Brasil at\u00e9 cresceu de 0,762 para 0,765, mas, apesar de n\u00e3o ter havido um retrocesso, caiu cinco posi\u00e7\u00f5es no ranking em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, ficando em 84\u00ba lugar entre os 189 pa\u00edses avaliados.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da cria\u00e7\u00e3o do IDH, calculado anualmente desde 1990, foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o PIB (Produto Interno Bruto), que considera apenas a dimens\u00e3o econ\u00f4mica do desenvolvimento de um pa\u00eds. Criado com a colabora\u00e7\u00e3o de economistas renomados, entre eles o indiano Amartya Kumar Sen, ganhador do Pr\u00eamio Nobel de Economia, o IDH mede o progresso de uma na\u00e7\u00e3o a partir de tr\u00eas dimens\u00f5es: renda, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o avalia felicidade ou bem-estar da popula\u00e7\u00e3o, mas tem o m\u00e9rito de melhorar a compreens\u00e3o de como os pa\u00edses est\u00e3o caminhando em rela\u00e7\u00e3o a esses tr\u00eas pilares e, a partir da\u00ed, auxiliar debates e an\u00e1lises para uma constante melhoria. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: o ritmo de avan\u00e7o do Brasil e a falta de investimentos nestes tr\u00eas pilares b\u00e1sicos foram mais lentos do que o de outros pa\u00edses, o que o fez perder posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que este resultado ainda n\u00e3o reflete os impactos do ano de 2020. Na composi\u00e7\u00e3o do IDH, a sa\u00fade \u00e9 avaliada pelo fato de a popula\u00e7\u00e3o possuir ou n\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de ter uma vida longa e saud\u00e1vel, com boa expectativa de vida. O acesso ao conhecimento \u00e9 medido nos adultos acima de 25 anos pela m\u00e9dia de anos de educa\u00e7\u00e3o recebidos durante a vida, e para crian\u00e7as que ainda v\u00e3o iniciar a vida escolar, a expectativa de quantos anos receber\u00e3o de escolaridade. O padr\u00e3o de vida, ou renda, \u00e9 medido atrav\u00e9s de c\u00e1lculos que mostram o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. Fica f\u00e1cil prevermos que todos estes aspectos foram abalados negativamente pela pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo outros dados tamb\u00e9m publicados em dezembro, desta vez pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), relativos a 2019, o trabalho infantil no pa\u00eds, entre crian\u00e7as e adolescentes de 5 a 17 anos, embora venha diminuindo discretamente desde 2016, ainda \u00e9 muito alto e atingiu 1,768 milh\u00e3o. Metade dessas crian\u00e7as e adolescentes trabalhava na agricultura (24,2%) ou no com\u00e9rcio (27,4%), ou seja, s\u00e3o crian\u00e7as que estavam no campo ou vendendo coisas para poder ajudar a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 se sabe que a crise causada pela Covid-19 ocasionou tanto a redu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o pelo Governo Federal como o aumento da necessidade de participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o da renda familiar do brasileiro. Afinal, o trabalho infantil est\u00e1 intrinsecamente associado \u00e0 pobreza e \u00e0 vulnerabilidade social das fam\u00edlias. Devemos nos lembrar, inclusive, que a pandemia fechou as escolas, fundamental para conter o problema. Em meio \u00e0 crise causada pela pandemia, o pagamento do aux\u00edlio emergencial para os trabalhadores informais mais pobres at\u00e9 ajudou a diminuir o contingente de brasileiros na pobreza, por isso economistas consideram essa queda algo transit\u00f3rio. Prova disso \u00e9 que, em setembro, m\u00eas a partir do qual o aux\u00edlio passou de R$ 600 para R$ 300 por m\u00eas, a pobreza j\u00e1 voltou a crescer, na compara\u00e7\u00e3o com meses anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para que se alcancem melhores patamares econ\u00f4micos, equidade social, respeito \u00e0 inf\u00e2ncia, aumento do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, h\u00e1 muito que se fazer. Cada um de n\u00f3s, nas suas atividades e fun\u00e7\u00f5es profissionais, deve realizar uma profunda autoan\u00e1lise a fim de perceber se tem feito todo o bem poss\u00edvel, se tem se esfor\u00e7ado por extinguir o que cabe a si das injusti\u00e7as e dos abusos do mundo, se est\u00e1 tratando com generosa bondade seus subordinados e funcion\u00e1rios, caso os tenha, e se tem realizado o seu trabalho com o sincero intuito de ser \u00fatil \u00e0 sociedade. Como nos ensina <em>O Evangelho segundo o Espiritismo<\/em>, somos respons\u00e1veis n\u00e3o somente pelo mal que fizermos, mas pelo mal decorrente do bem que deixarmos de fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, como nos disse Jesus, os recursos n\u00e3o nos faltam. O que nos falta \u00e9 a devida sabedoria para que saibamos dividir fraternalmente o necess\u00e1rio \u00e0 vida, abandonando o ego\u00edsmo, a fim de que, num futuro pr\u00f3ximo, possamos habitar um mundo justo, onde nenhum irm\u00e3o sinta fome ou frio e onde todos possam conviver em harmonia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marjorie Aum 2020 pode ter terminado, mas todos os desafios sociais e econ\u00f4micos, que foram duramente ampliados em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, ainda ir\u00e3o persistir e exigir\u00e3o uma postura ativa de todos n\u00f3s. 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