{"id":900,"date":"2021-01-05T12:24:45","date_gmt":"2021-01-05T15:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaespirita.com.br.br\/jornal\/?p=900"},"modified":"2026-01-23T20:17:21","modified_gmt":"2026-01-23T23:17:21","slug":"no-centro-cirurgico-o-amor-e-a-empatia-como-cura-verdadeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaespirita.com.br\/pt\/2021\/01\/05\/no-centro-cirurgico-o-amor-e-a-empatia-como-cura-verdadeira\/","title":{"rendered":"No centro cir\u00fargico: o amor e a empatia como cura verdadeira"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-rounded\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Marujo-redondo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-979\" width=\"226\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Marujo-redondo.jpg 300w, https:\/\/folhaespirita.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Marujo-redondo-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Ricardo Marujo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tenho como rotina em todas as minhas cirurgias, antes da anestesia, ficar de m\u00e3os dadas com o paciente que est\u00e1 deitado na mesa cir\u00fargica muito estressado e ansioso. Acredito que essa conex\u00e3o transmita seguran\u00e7a, confian\u00e7a e um pouco de conforto para ele. Quando estou escovando as m\u00e3os, sempre pe\u00e7o para Jesus e para a espiritualidade aux\u00edlio e prote\u00e7\u00e3o para mim, para a equipe e para o paciente, rogando que a cirurgia transcorra sem intercorr\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos, fui operar uma paciente que apresentava c\u00e2ncer de mama e com linfonodo axilar palp\u00e1vel, fazendo-nos entender que o caso seria bem dif\u00edcil de operar, com tempo cir\u00fargico bem grande, caso ela apresentasse met\u00e1stase para os linfonodos axilares, al\u00e9m das possibilidades de complica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias como necrose de complexo ar\u00e9olo-mamilar, deisc\u00eancia de suturas e dificuldades de simetriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa paciente, de m\u00e3os dadas comigo, aguardando o anestesista come\u00e7ar a indu\u00e7\u00e3o da anestesia geral, abre os olhos, olha para o teto da sala, d\u00e1 um sorriso confiante e me diz: \u201colha, dr. Marujo, tem uns 10 m\u00e9dicos aqui para lhe auxiliar na minha cirurgia, eles est\u00e3o todos aqui em cima [&#8230;]\u201d. Me arrepiei porque estava tenso com uma cirurgia que tinha tudo para ser muito longa e com complica\u00e7\u00f5es bem s\u00e9rias. Escovando as m\u00e3os, tamb\u00e9m pedi prote\u00e7\u00e3o para toda a minha equipe e aux\u00edlio para aqueles colegas desencarnados presentes na sala.<\/p>\n\n\n\n<p>Que surpresa agrad\u00e1vel! Nada de dificuldade, nada de intercorr\u00eancias. Que cirurgia tranquila e r\u00e1pida, com simetriza\u00e7\u00e3o das mamas muito boa. O exame do n\u00f3dulo foi negativo para met\u00e1stase. A paciente acordou muito bem, sem v\u00f4mitos, sem agita\u00e7\u00e3o. foi para a sala de recupera\u00e7\u00e3o e de l\u00e1 para o quarto. Recebeu alta hospitalar \u00e0 noite.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro retorno \u00e0 minha cl\u00ednica, obviamente perguntei se ela se lembrava &nbsp;do que tinha falado e visto momentos antes da cirurgia, e ela me relatou tudo exatamente como aconteceu! Disse-me que era esp\u00edrita e que, pelas minhas atitudes de cirurgi\u00e3o ficando de m\u00e3os dadas com ela, antes da cirurgia, teve a certeza de que eu era espiritualizado. Que pelas m\u00e3os, eu consegui transmitir-lhe seguran\u00e7a e calma, ajudando a diminuir o estresse muito frequente nesse per\u00edodo que antecede \u00e0 cirurgia. Confidenciou que poderia me falar o que viu, pois eu entenderia. Tudo aquilo contribuiu para o sucesso da cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa minha estrada de 39 anos de formado, pude distinguir tr\u00eas fases distintas da minha rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente. Nos primeiros cinco anos, eu olhava o paciente como uma patologia e\/ou algum trauma a corrigir. Sempre procurei faz\u00ea-lo da mesma forma e com o maior rigor t\u00e9cnico cir\u00fargico aprendido na universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos cinco anos seguintes, estava mais sensibilizado com o sofrimento dos pacientes, principalmente das v\u00edtimas de queimaduras, tanto que editei uma cartilha com orienta\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o existem em livros m\u00e9dicos at\u00e9 hoje, sobre o retorno desses pacientes, a maioria crian\u00e7as, ao lar e ao conv\u00edvio social. Como conviver com as deformidades e sequelas das queimaduras? Como conviver com a repulsa que a sociedade tem das limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e est\u00e9ticas de crian\u00e7as e pacientes queimados? Como seria a higiene, a hidrata\u00e7\u00e3o e os cuidados da pele queimada? E o aspecto psicol\u00f3gico deles para evitar depress\u00e3o, ang\u00fastia etc.? E a volta deles \u00e0 escola e\/ou ao trabalho? Tudo isso coloquei nessa cartilha que distribu\u00eda gratuitamente a todos os pacientes que recebiam alta do Hospital dos Defeitos da Face, onde fui chefe de queimados por cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-espiritualidade-mais-aflorada\">Espiritualidade mais aflorada<\/h3>\n\n\n\n<p>Sofri um grave acidente em 2001 e durante os quase dois meses internado no hospital Albert Einstein, acredito que minha espiritualidade se arraigou, pois consegui entender exatamente, e na pele, quais s\u00e3o as demandas, car\u00eancias e necessidades b\u00e1sicas de um paciente. Deus me concedeu essa oportunidade de aprendizado, de viv\u00eancia para entender o quanto \u00e9 importante um m\u00e9dico tratar o paciente globalmente, e n\u00e3o apenas sua patologia. Como foi importante para mim sentir o carinho dos m\u00e9dicos que me operaram, dos cl\u00ednicos que me cuidaram, do pessoal da enfermagem, dos fisioterapeutas, nutricionistas, enfim. Percebi que essa troca energ\u00e9tica nos abastece de confian\u00e7a, eleva nossos pensamentos, e tudo isso influencia diretamente no tratamento e, por que n\u00e3o, na cura dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-f-e-pacientes-com-for-a-espiritual\">F\u00e9 e pacientes com for\u00e7a espiritual<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho vid\u00eancia, mas tenho muita f\u00e9, um pouco de sensibilidade e alguma experi\u00eancia para diferenciar um paciente com for\u00e7a espiritual daqueles chamados \u201cbaixo-astral\u201d. Para os primeiros, o tratamento flui naturalmente, a cirurgia \u00e9 sempre um sucesso, tudo d\u00e1 certo, pois eles participam ativamente do processo, conectados com a espiritualidade, com pensamentos positivos. J\u00e1 aqueles que vibram com baixa intensidade e t\u00eam pouca f\u00e9, devemos ter cuidados redobrados, ficar bem alertas (vigiar). Devemos pedir \u00e0 espiritualidade prote\u00e7\u00e3o (orar) para que o tratamento, a cirurgia, transcorra da melhor forma. Acredito que todos os m\u00e9dicos, e n\u00e3o s\u00f3 os esp\u00edritas, deveriam saber tratar o paciente como ser humano integral, inclusive em suas demandas \u00edntimas, e n\u00e3o apenas a sua doen\u00e7a f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>A medicina do futuro, infelizmente, est\u00e1 focada cada vez mais na doen\u00e7a. A rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente est\u00e1 acabando. Aquele contato \u00edntimo do olho no olho, um aperto de m\u00e3os e um toque no ombro muito confortantes, respeitosos e transmissores de energia e confian\u00e7a entre os m\u00e9dicos e os pacientes n\u00e3o se v\u00ea mais atualmente. Impuseram aos m\u00e9dicos uma \u201cevolu\u00e7\u00e3o\u201d, como a telemedicina, cirurgia rob\u00f3tica, o cirurgi\u00e3o n\u00e3o toca no paciente, manipula um \u201cjoystick\u201d, chips colocados em pacientes para controle de diabetes. Ser\u00e1 que estamos evoluindo ou involuindo? Est\u00e3o se esquecendo das demandas, dos problemas psicol\u00f3gicos mais \u00edntimos que influenciam nas patologias e quase sempre sendo a causa e origem delas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s m\u00e9dicos esp\u00edritas devemos nos unir, estudar, publicar os in\u00fameros casos de patologias curadas por uma rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente humanizada, pela f\u00e9 dos nossos pacientes, demonstrando que por interm\u00e9dio dessas for\u00e7as energ\u00e9ticas associadas \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o do problema, da patologia, os pr\u00f3prios pacientes conseguir\u00e3o sua autocura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Ricardo Marujo \u00e9 m\u00e9dico formado na USP-RP, cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico da retaguarda do Hospital Albert Einstein; pertence ao corpo cl\u00ednico dos Hospitais S\u00edrio Liban\u00eas, Osvaldo Cruz e S\u00e3o Lu\u00eds; atual respons\u00e1vel pelo Instituto de Sa\u00fade da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dico-Esp\u00edrita de S\u00e3o Paulo (AME-SP)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Marujo Tenho como rotina em todas as minhas cirurgias, antes da anestesia, ficar de m\u00e3os dadas com o paciente que est\u00e1 deitado na mesa cir\u00fargica muito estressado e ansioso. 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