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Percepções e sensações dos Espíritos

“A alma, uma vez no mundo dos Espíritos, tem ainda as percepções que tinha nesta vida? Sim, e outras que não possuía, porque o seu corpo era como um véu que a obscurecia. A inteligência é um atributo do Espírito, mas se manifesta mais livremente quando não tem entraves” (Kardec, 2019, questão n. 237).

Estando reencarnados, é natural que agucemos a curiosidade em relação à vida após a morte do nosso corpo, pois, vivendo na Terra, momentaneamente, temos o passado esquecido, embora saibamos que a nossa existência aqui representa apenas uma pequena etapa da verdadeira vida: a espiritual.

Morrendo o corpo físico, a criatura continuará tal qual era na Terra, carregando seus defeitos, suas dificuldades, virtudes e conquistas, mantendo suas emoções, percepções e seus sentimentos, prosseguindo sempre na proposta de prosperidade rumo à perfeição, que é a meta e a busca de todos nós. Em realidade, a morte do corpo se caracteriza unicamente como um fenômeno biológico: termina a matéria, mas continuamos vivos. A vida é fatal, pois mesmo que busquemos a morte, só encontraremos a vida.

Fora da matéria, mesmo contando com uma maior amplitude de visão e percepção, o Espírito não sabe tudo. É um equívoco pensar que o ser desencarnado conhece todas as coisas. Cada um encontra-se no patamar de evolução que conseguiu alcançar ao longo do tempo, mediante seu empenho e esforço na conquista de valores reais e imperecíveis.

Tem um conhecimento relativo do seu passado e pode entrever o futuro, dentro, naturalmente, do progresso que já efetuou. Assim, mesmo procedendo dos Espíritos, quaisquer informações que nos chegam precisam ser analisadas sob a ótica do bom senso e da razoabilidade, pois, tanto quanto nós, estão sujeitos a erros e enganos. A morte do corpo, por si só, não confere aos Espíritos desencarnados qualquer vantagem automática no campo do conhecimento.

No mundo espiritual, cada um será acolhido no ambiente com o qual melhor se afiniza. Aqui na Terra, onde a vida é uma cópia imperfeita da vida espiritual, o indígena preferirá a aldeia e o homem civilizado, a cidade, sendo que nenhum nem outro se sentirá bem em uma inversão dessa realidade. Assim também ocorre na pátria espiritual, onde cada qual fixará residência na ambiência que lhe é própria. Se pretendermos algo melhor, somente o obteremos com o esforço sincero em viver os preceitos de Jesus, conforme nos orienta seu notável e atualíssimo Evangelho.

Se aqui na Terra vemos e ouvimos aquilo que queremos, segundo as vocações e os desejos que cultivamos, a mesma lei se aplica ao mundo espiritual: permanecemos na atmosfera que criamos. O Espírito criminoso e delinquente vive às voltas com os erros praticados, enquanto aquele que viveu no campo do equilíbrio desfruta dos reflexos do bem que realizou. “A sementeira é livre, mas a colheita é obrigatória”. A vida nos devolve o que a ela damos.

Sendo a inteligência um atributo do Espírito, que se manifesta mais livremente fora do corpo, não há dúvida de que o sofrimento que mais o aflige está relacionado às angústias morais: o arrependimento, o remorso e a consciência do tempo e das oportunidades perdidas. Às vezes, o desencarnado reclama de frio, fome ou dor, decorrentes das lembranças do que sofreu na vida física, mas, tão logo se conscientiza da sua desencarnação e se ajusta à vida espiritual, tende a melhorar. Já os tormentos morais são mais profundos e persistentes.

Ensinou Confúcio, pensador chinês: “Aprenda a viver bem e bem saberás morrer”.

Reflitamos.

Referência

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131. ed. Brasília, DF: FEB, 2019. Disponível em: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/WEB-O-Evangelho-segundo-o-Espiritismo-Guillon.pdf. Acesso em: 31 maio 2025.

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