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Sou rica e não sabia

Os temas riqueza e pobreza sempre ocuparam posição de destaque nas discussões e teorias, tanto no campo religioso quanto no filosófico e social. Tamanha é sua importância para nós, viventes deste planeta, que Jesus, em sua peregrinação pela Terra, fez questão de “viver na carne” os ensinamentos que pregava.

Assim, no que diz respeito à riqueza e à pobreza, viveu de forma simples e totalmente desprovida de posses materiais, demonstrando que os homens são iguais e que de nada valem os tesouros acumulados ou esbanjados numa vida de excessos para alcançar a tão almejada felicidade. Ele não criticou nem condenou a posse de bens em suas preleções. Levou uma vida pobre em recursos materiais e, apesar disso, deu provas de um reinado sustentado por uma riqueza inabalável. Falou sobre como bem utilizar a fortuna, ao fundamentar seus ensinamentos no amor ao próximo como a si mesmo.

Seus antecessores – grandes filósofos e líderes religiosos, como Buda e Confúcio – já pregavam a necessidade do desprendimento dos bens materiais para alcançar a virtude, a paz e a verdadeira felicidade. É longo o intervalo de tempo que os separa de Jesus, mas, em sua abordagem, ele traz à tona o mesmo ensinamento de forma cristalina e democrática, com a força que só o exemplo pode validar.

Fica a questão: o que é riqueza e o que é pobreza? Por que a maioria das pessoas, em qualquer continente, almeja a riqueza terrena? Basta observar o sucesso das loterias…

A humanidade vem atravessando civilizações equivocadamente, insistindo no velho conceito de riqueza e pobreza. Você já percebeu que a percepção dessas duas condições depende do olhar de cada um? Reescrevo uma historinha que ilustra bem nossa reflexão, contada por uma mulher chamada Marion Doolan:

“As duas crianças, de casacos gastos e já demasiado pequenos, todas encolhidas, bateram à porta e perguntaram:

– Por favor, a senhora tem alguns jornais velhos?

Eu estava muito ocupada. Pensei em dizer que não, mas, ao ver que traziam umas sandálias encharcadas de neve derretida, convidei:

– Entrem. Vou preparar uma xícara de chocolate quente para cada um.

A conversa parou por ali. E as sandálias molhadas deixaram marcas no soalho da sala. Servi-lhes o chocolate quente e algumas fatias de pão com geleia, para que ganhassem forças, pois lá fora fazia muito frio. Depois, voltei para a cozinha e continuei calculando meu orçamento. O silêncio na sala me surpreendeu. Fui espreitar. A menina olhava para a xícara vazia, segurando-a com as duas mãos. Com uma voz muito meiga, o menino perguntou:

– A senhora é rica?

– Rica… Eu? Credo! Não! – respondi, reparando nas capas gastas dos meus sofás.

A menina pousou a xícara no pires, muito devagar, e disse:

– As suas xícaras combinam com os pires.

A voz não parecia a de uma menina. Era uma voz cansada, que revelava uma fome que não era do estômago.

Foram embora, segurando os maços de jornais e caminhando contra o vento. Não me agradeceram, mas isso não tinha importância. Eu me sentia muito grata.

As minhas xícaras e pires de faiança azul não tinham nada de especial, mas combinavam. Voltei à cozinha. Piquei as batatas que já estavam cozidas e mexi o molho. Batatas com molho. Um teto. Um marido com um emprego estável. Essas coisas também combinam.

Afastei os sofás da lareira e arrumei a sala. As marcas enlameadas ainda estavam frescas no meu coração. Deixei-as lá ficar. Quero que permaneçam, para o caso de algum dia eu me esquecer até que ponto sou rica”. Depois de ler essa singela história, fiquei pensando: quantas vezes não nos damos conta do quanto somos ricos e deixamos de valorizar isso? Na correria da rotina e influenciados por uma sociedade que valoriza exageradamente as aparências e a abundância vazia, deixamos de perceber e reconhecer nossas verdadeiras riquezas.

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