
Não é a primeira vez que escrevo sobre esse tema. Trata-se da inveja, que, seguramente, podemos afirmar ser o pior mal da humanidade em todos os tempos. Correntes da Psicologia e da Neurociência apontam a inveja como uma das principais causas de doenças. Alguns afirmam que ela é a rainha de todos os vícios que assolam a humanidade, visto que o invejoso potencializa os demais vícios que acalenta, como a gula, a avareza, a cólera, o sexo desvairado, entre outros. Ela se infiltra por toda parte, contaminando a inocência e matando a esperança.
Numa história contada no livro À sombra do olmeiro, um grande sábio do Oriente antigo, quando certa vez um rapaz lhe perguntou qual seria o pior dos males praticados contra o próximo, respondeu ser a inveja. Explicou que ela é a pior das falhas humanas. Dela resultam a calúnia, a desarmonia e o ódio.
O sábio completou sua resposta dizendo: “A inveja suga, insaciável, a seiva da árvore que abriga; morde a mão que lhe auxilia; é inimiga de todo aquele que faz o bem. E o invejoso não agradece, não dá graças a Deus. É aquele ser que, parecendo possuir amigos, fala e age na ausência destes como um verdadeiro inimigo”.
O peregrino, ao ouvir essa resposta, perguntou: “Como é possível reconhecer a inveja nas almas humanas?”
E o sábio respondeu: “O homem dominado pela inveja é o mais infeliz de todos, pois jamais se satisfaz. Está sempre ambicionando os bens alheios, mas aos bens alheios nega todo o bem. Vive em angústia e amargura. Não sonha, apenas anseia, e não sorri porque desconhece a alegria”.
Vocês devem estar pensando: mas será que estou isento da inveja? Eu me arrisco a dizer que não. Com raras exceções daqueles que já se libertaram desse mal, a grande maioria de nós já experimentou, em algum momento, esse sentimento e também sofreu as consequências na desarmonia orgânica e na falta de paz interior.
E o que fazer contra esse terrível mal?
Lembremos que Jesus nos ensinou que amar o próximo como a nós mesmos e fazer aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem é a forma mais segura de derrotar o egoísmo
Sabem o que o Mestre da nossa historinha respondeu ao peregrino que lhe fez essa mesma pergunta? “Nada, a não ser amar… Ama teu próximo mais que a ti mesmo e, assim, estarás livre da inveja”. Eis o antídoto contra a inveja. O remédio está dentro de nós.
Lembremos, mais uma vez, que Jesus nos ensinou que amar o próximo como a nós mesmos e fazer aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem é a forma mais segura de derrotar o egoísmo. E a inveja nada mais é que uma expressão desse egoísmo.
Às vezes, não nos sentimos bons o bastante para realizar algo, para ter o que almejamos ou para ser o que admiramos. E sentir inveja chega a ser quase uma condição inevitável em nossas vidas. Tal sentimento pode até visitar nossa mente, mas não devemos permitir que tome conta de nós.
Coloquemos vigor nessa luta, praticando o amor ao próximo. E a melhor maneira de praticar o amor ao próximo é exercitar o espírito de servir. Servir ao próximo é estar sempre disposto a auxiliar, ter prazer em ser útil e sentir-se feliz quando conseguimos contribuir de alguma forma para o bem do outro. É deixar a má vontade de lado. É procurar um jeitinho de atender a uma necessidade do outro antes de dizer um não redondo. É ter para com os outros a boa vontade que esperamos que outros tenham para conosco. No entanto, lembrem-se: sem pedir nada em troca.
Outra coisa que ajuda no exercício do amor ao próximo é usar menos os pronomes meu/minha quando nos referimos aos aspectos menos agradáveis da vida, como: “meu problema”; “minhas dívidas”; “minha dor”; “minha doença”. Tais afirmações despertam em nós o terrível sentimento de vítima e de não merecimento, que revela uma visão egoísta da existência e favorece a contaminação da inveja em nosso Espírito.
Pensemos nisso.
Referência
UM JARDINEIRO (Espírito). À sombra do olmeiro. Psicografado por Dolores Bacelar. Santo André, SP: Correio Fraterno, 2022.