Todos sabemos que vivemos num mundo de provas e expiações. Ainda que haja interpretações diferenciadas sobre o que seja uma e outra, é certo que todos passaremos por momentos ou até uma vida inteira experimentando uma situação de expiação ou de prova.
Com base nos preceitos espíritas, nem todo o sofrimento suportado nesta vida é resultante de faltas cometidas em vidas passadas. Por vezes, são simples provas escolhidas pelo Espírito para apressar o seu adiantamento.

As provas são os desafios que escolhemos enfrentar antes da encarnação quando nos é permitido, segundo o nosso grau evolutivo, ter alguma ascendência sobre o nosso planejamento reencarnatório. Podemos dizer que a prova tem como objetivo “acelerar” a nossa evolução”. Já a expiação tem relação direta com o mal que provocamos em outra existência e que precisamos reparar.
Assim, todas as dificuldades vencidas liberam o caminho para progredirmos espiritualmente. No entanto, sejam dificuldades oriundas de expiação ou prova, não importa. Será necessário enfrentá-las. E como nós estamos lidando com isso? Enfrentamos ou corremos? Postergamos? Tentamos passar para outros? E, ao enfrentá-las, vamos até o fim ou ficamos no meio do caminho, por não suportarmos? São questões que devemos responder para nós mesmos.
A maneira pela qual enfrentamos as dificuldades que a vida nos apresenta é a métrica do nosso crescimento espiritual. Somos resilientes e levamos a luta até o fim? Ou nos quebramos, nos machucamos, nos rebelamos e não alcançamos o fim?

“O bambu enverga na tempestade, mas não quebra, porque cresceu primeiro para dentro.”
Segundo um conto antigo, depois de plantada a semente do bambu chinês, é necessário regar o local quase todos os dias. No entanto, durante cinco anos, nada se vê nascer, apenas a terra nua, e, mesmo assim, é preciso continuar regando por todo esse período. Só então, passado esse tempo, o pé de bambu aparece e cresce até 25 metros em seis meses.
Na verdade, enquanto nada aparece na superfície nos primeiros cinco anos, a raiz cresce profundamente para dentro da terra, criando uma estrutura complexa e firme, capaz de sustentar o pé de bambu mesmo durante as grandes tempestades e fortes ventanias. O bambu enverga e volta à sua posição original. Enquanto isso, qualquer outra árvore, por mais soberba, alta e de copa volumosa que seja, vê seus galhos voarem para longe, quando não é inteiramente arrancada da terra, com raiz e tudo.
O bambu representa a virtude da flexibilidade e da tolerância, o que lhe permite ultrapassar as intempéries. Ao contrário, as demais árvores representam o homem arraigado a seus conceitos e tradições, que não se dispõe a olhar diferente para as situações, pessoas e coisas à sua volta, que briga com os embates da vida, em vez de buscar compreender cada situação e atravessá-la com proveito.
Agindo dessa forma, não damos abertura ao aprendizado, à ajuda real nem à cura de nossos males. Vamos acumulando machucados sem proveito, porque não sabemos retornar à nossa essência. Ao contrário, se nos equipararmos ao bambu chinês, quando a tempestade chega arrastando tudo e nós a enfrentamos de forma consciente e sabiamente, aproveitando cada vergastada para aprender, após a sua passagem, mesmo com o caos à nossa volta, permaneceremos inteiros e mais fortes, prontos para produzir novamente.
Pensemos nisso…
“A maneira como enfrentamos as dificuldades é a verdadeira métrica do nosso crescimento espiritual.”