20 de April de 2026

Generic selectors
Exact match
Search in title
Search the content
Post Type Selectors
Search in Editions
Search in Old Editions
Search in News and Podcasts

20/04/2026

Generic selectors
Exact match
Search in title
Search the content
Post Type Selectors
Search in Editions
Search in Old Editions
Search in News and Podcasts

Guilt and sorrow

Giovana Campos

O sentimento de culpa é o sofrimento obtido após a reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável pela própria pessoa. A origem desse sentimento pode ser a frustração causada pela idealização que fazemos e o que realmente aconteceu, podendo ou não estarmos diretamente ligados ao fato. No entanto, a contínua alimentação dessas emoções negativas pode causar o aparecimento de doenças. Sobre o assunto, o dr. José Henrique Rubim de Carvalho, médico e presidente da Associação Médico-Espírita de Nova Friburgo (RJ), apresenta a relação entre a culpa e suas implicações espirituais para a saúde integral.

José Henrique Rubim de Carvalho

FE – O sentimento de culpa não trabalhado psicologicamente pode propiciar o aparecimento de enfermidades?

José Henrique Rubim de Carvalho – Entende-se que a fixação da culpa está atrelada à rigidez comportamental. A criatura rígida, inflexível e intransigente, devido ao padrão de poder que estrutura seu psiquismo, apresenta muita dificuldade em lidar com os erros e fracassos. Mergulha nas frustrações, baixa autoestima, desaguando nos quadros depressivos. O rígido, obstinado em suas dominações e controles, termina no translado desses comportamentos para a indumentária física, acarretando as doenças da rigidez. A culpa sendo um complexo de fixação, como nos fala o Espírito André Luiz, funciona como num circuito fechado, ou seja, o culpado encontra-se ensimesmado e gira ao derredor da culpa fixada, por não se perdoar ante os fracassos inadmissíveis e por não acreditar em si próprio, acreditando-se impotente e incapaz. Acreditamos que, nesse circuito fechado, as energias aí mantidas e reforçadas podem ser geradoras de tumores pelo adensamento energético.

FE – Quais os tipos de doenças que podem aparecer no corpo físico ou mental derivados do sentimento de culpa?

Carvalho – Como a culpa está ligada à rigidez comportamental e ao padrão de poder que encontraremos nos controladores, essa característica da personalidade rígida desemboca na organização física, gerando as doenças da rigidez. Não podemos esquecer-nos dos perfeccionistas, que tendem a dar uma importância superlativa a tudo, se exigem, são detalhistas em geral e nunca estão satisfeitos com os resultados obtidos. As doenças mais comuns da rigidez estão ligadas às alterações osteomusculares. Observamos nitidamente a rigidez, a inflexibilidade e o egocentrismo das criaturas que apresentam o olhar para si mesmos, supervalorizando o Eu, e que ante os fracassos inaceitáveis desmoronam-se na culpa por faltar a humildade do arrependimento sincero. A fibromialgia ou síndrome de amplificação dolorosa é uma doença musculoesquelética difusa, que se caracteriza por dores no corpo, fadiga e alterações no sono. São criaturas perfeccionistas e de rigidez comportamental. Da mesma forma, se exigem muito e resvalam na culpa quando se sentem incapazes, impotentes e frustradas. Como a rigidez e a culpa se correlacionam e seguem um regime de feedback ou retroalimentação negativa, poderemos compreender que o câncer também pode ter ligação com a culpa e os caracteres de inflexibilidade e intransigência psicológica individual e coletiva, sob a forma de intolerância.

FE – Toda culpa é proveniente de obsessão?

Carvalho – A culpa é um processo de auto-obsessão, sendo considerada uma fixação mental. A culpa quando assumida leva a criatura ao arrependimento e à responsabilidade de seus futuros equívocos, havendo sempre a representação do autoperdão. Nem sempre a culpa é acompanhada de quadros obsessivos, principalmente os que assumem a culpa e se perdoam. Em muitas situações, os Espíritos se fundem formando uma soldadura perispirítica, atendendo à sintonia e afinidade que os une, pelos padrões comportamentais rígidos e que deságuam no complexo de culpa. Os que se situam em padrões de poder, os dominadores, rígidos e controladores, que não admitem os erros e fracassos e que acabam mergulhando nas culpas, são os alvos preferidos dos obsessores, que nem sempre são os credores do passado, outrossim, estão afinizados e se identificam com os obsidiados. Um bom exemplo vamos encontrar no livro Ação e reação, ditado pelo Espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier, com informações preciosas do Espírito Leonel: “[…] – Sim, aprendemos nas escolas de vingadores que todos possuímos, além dos desejos imediatistas comuns, em qualquer fase da vida, um ‘desejo-central’ ou ‘tema básico’ dos interesses mais íntimos. Por isso, além dos pensamentos vulgares que nos aprisionam à experiência rotineira, emitimos com mais frequência os pensamentos que nascem do ‘desejo-central’ que nos caracteriza, pensamentos esses que passam a constituir o reflexo dominante de nossa personalidade”.

FE – Como o perdão ou o autoperdão auxiliam no restabelecimento desses quadros?

Carvalho – A culpa e a mágoa como fixações mentais se expressam pela ausência do autoperdão e do perdão. Normalmente, a autopunição ou autoflagelo e a vingança acompanham essas fixações e geram estados ansiosos e depressivos, assim como desarranjos nos arquipélagos celulares causadores de doenças orgânicas. Portanto, torna-se emergencial o trabalho constante e diuturno do perdão e do autoperdão, para o restabelecimento homeostático do corpo e da alma. Perdoar em verdade depende da avaliação consciente da intenção e das emoções de quem nos ofendeu, ou seja, nos colocar no lugar do outro e tentar compreender o que o levou a cometer determinada atitude, como também o que me levou a praticar o equívoco no trabalho de autoperdão.

FE – Qual a melhor terapêutica para as pessoas que se culpabilizam facilmente, seja por pequenos erros próprios ou alheios?Carvalho – Como dito, o trabalho do perdão e do autoperdão. Para isso é necessária a compreensão de si mesmo pelo autoconhecimento, para então tentarmos compreender o próximo, que não é a extensão de nós mesmos, decorrente do mecanismo de projeção psicológica. Quando começamos a nos conhecer, qual o sentimento presente em nosso psiquismo, partimos para a ressignificação, que é a tentativa de compreender nossas atitudes, assim como das demais criaturas. A ressignificação é a abertura das janelas do perdão e do autoperdão que diluem as mágoas e as culpas. A meditação dirigida para a monoideia da culpa ou da mágoa coloca a criatura diante de sua realidade irrecusável e, desde que aceita, proporcionará a inclusão dos opostos, que são o perdão e o autoperdão. Haverá então a integração como primeiro passo para a transformação do neurótico. É um exercício constante que deve ser praticado utilizando o poder neuroplástico do cérebro. A prática vai conferindo à criatura uma abertura psíquica, acurando a atenção e a percepção dos sentimentos, antes reprimidos e negados, que arremessavam os incautos aos fossos dolorosos das patologias.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Take advantage of this offer!

Get to know Editora FE's productions

Assinatura Open Sites