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10 filmes que tratam do tema inclusão para serem vistos em família

Walther Graciano Jr.

Falar sobre inclusão é sempre uma questão delicada, ainda mais quando se trata do universo infantil. É necessário um debate franco e direto, para provocar respeito e, principalmente, empatia. Desenhos animados são uma forma de apresentar o assunto a toda a família, pois, além de promoverem a discussão, incentivam a construção de uma sociedade mais inclusiva.

A revista Ecos da Paz selecionou uma lista de desenhos animados que serve para todos os integrantes da família. Assisti-los é uma oportunidade para se discutir e perceber o que falta para construir uma sociedade mais inclusiva. Pode preparar a pipoca e apertar o play!

Longe de vista (Out of Sight)

Este curta-metragem foi criado em 2008 pelos alunos da Universidade de Artes de Taiwan. Ele narra a história de uma menina cega que, após ser assaltada, perde o seu cão-guia e tem de se virar sozinha na agitação da cidade. A partir daí, é muito interessante acompanhar como essa menina “vê” o mundo, como ela explora seus outros sentidos e sua imaginação.

https://www.youtube.com/watch?v=6hCbB67Pz7c

Por que Heloísa?

O filme foi inspirado no livro homônimo de Cristina Soares, que também escreveu o roteiro. Trata-se da história real de uma menina que tem paralisia cerebral e chega numa sala de aula em que as outras crianças não são deficientes. A abordagem da inclusão leva em conta a curiosidade dos colegas de turma e os desafios enfrentados pela escola para que a personagem tenha o direito à educação de maneira plena. O filme tem também uma versão em libras neste link.

O presente (The Present)

Este é um curta emocionante com um final surpreendente. Produzido em 2014, foi inspirado na tirinha do cartunista brasileiro Fábio Coala. O presente traz a história de um menino vidrado em video games que recebe de sua mãe um cachorrinho de presente. Ao perceber que o animal não tem uma das patas, a rejeição é imediata. O diretor e roteirista Jacob Frey aborda com maestria como essa relação, que começou de forma nada amistosa, foi se transformando em pura amizade. O filme percorreu mais de 180 festivais e ganhou 50 prêmios.

Tamara

Produzido pela Houseboat Animation Studio em 2013, o curta traz a história de uma menina negra e surda que deseja ser bailarina. Apesar das dificuldades para a realização do seu sonho, Tamara se mantém fiel ao seu desejo.

Esse é o ponto

Um ponto de ônibus é o cenário por onde circula e interage todo tipo de pessoa. Toda a concepção e realização ficou por conta dos alunos do ensino público de Campinas (SP) dentro da ação educativa “Ciência e Arte nas Férias-2011”, da Unicamp. Este grupo participou do projeto “Construindo a diferença com a diferença: cartilha de acessibilidade”, no qual os alunos foram sensibilizados com entrevistas e palestras sobre o tema em questão e depois criaram o roteiro/storyboard, animaram os personagens e gravaram os sons da animação.

Brincadeirantes

Criado em 2014 por Paulo Henrique Machado, o curta mostra a experiência vivida pelo próprio diretor, que na época foi ao parque de diversão com um tio. O passeio ia se tornando frustrante na medida em que os funcionários do parque o tratavam como um coitadinho. Paulo Henrique vive ligado a um respirador artificial desde seu 1 ano de idade, e este seu projeto foi financiado totalmente pela plataforma Catarse.

https://www.youtube.com/channel/UC_cKgeVt0KU3Vgpx4TzlypQ

Cuerdas (Cordas)

Escrito e dirigido pelo espanhol Pedro Solís García, a produção de 2014 traz a história da relação entre Maria e um menino que tem paralisia cerebral. Ambos estudam no mesmo internato. O curta mostra o amor incondicional da menina com o novo amigo, e ela não mede esforços para que ele faça parte da rotina da escola como qualquer um. O curta recebeu o prêmio Goya de Melhor Curta-Metragem de Animação. O Ministério da Cultura espanhol recomendou Cuerdas por sua vocação educacional. O diretor se inspirou na sua filha, que é muito próxima do irmão com paralisia cerebral. O filme tem legendas em português.

Milly e Molly

Esta é uma série apresentada por duas amigas de colégio, uma branca e outra negra. Cada episódio passa uma mensagem clara sobre valores importantes, como honestidade, persistência, responsabilidade e capacidade de perdoar. No episódio “Elisa”, as protagonistas falam do respeito que se deve ter com a nova amiga de sala de aula que é cega, que, por sua vez, se mostra uma pessoa bem independente e bem-humorada. A série foi produzida originalmente pelo Disney Channel e é exibida também no Discovery Kids.

Min e as mãozinhas

Esta série foi concebida pelo animador Paulo Henrique dos Santos para a comemoração do Dia do Surdo (29 de setembro), mas o lançamento foi no dia 26, em 2018. É o primeiro desenho animado em libras, e cada capítulo ensina cinco sinais diferentes. É direcionado a crianças surdas de 3 a 6 anos de idade e já tem 5 episódios no canal da Min e as Mãozinhas no Youtube, mas o diretor que produzir mais 8 a fim de completar a primeira temporada da série com 13 episódios. Para isso, Paulo Henrique lançou na plataforma Apoia-se uma campanha de financiamento coletivo. Cada episódio tem um custo em torno de R$ 2.500,00. As doações são a partir de R$ 10,00.

Scarlett

Scarlett é um curta baseado numa história real que fala sobre uma menina que tem a perna amputada em consequência de um câncer e precisa se adaptar física e emocionalmente a essa nova realidade. Ao final do desenho, há uma frase do bispo sul-africano Desmond Tutu dedicada aos que têm esperança em superar os desafios.

A história da educação especial no Brasil (H2)

1854 – Problema médico: Dom Pedro II fundou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, no Rio de Janeiro, sem preocupação com a aprendizagem.

1948 – Escola para todos: Foi assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, garantindo o direito de todas as pessoas à educação.

1954 – Ensino especial: Fundou-se a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), surgindo então o ensino especial como opção à escola regular.

1961 – LDB inova: Foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), garantindo o direito da criança com deficiência à educação, de preferência na escola regular.

1971 – Retrocesso jurídico: A Lei n. 5.692 determinou “tratamento especial” para crianças com deficiência, reforçando as escolas especiais.

1973 – Segregação: O Centro Nacional de Educação Especial (Cenesp) foi criado com a perspectiva de integrar os que acompanham o ritmo, e os demais deveriam ir para a Educação Especial.

1988 – Avanço com a nova carta: A Constituição Federal estabeleceu a igualdade no acesso à escola. O Estado deve dar atendimento especializado, de preferência na rede regular.

1989 – Agora é crime: Foi aprovada a Lei n. 7.853, que criminaliza o preconceito, sendo regulamentada dez anos depois, em 1999.

1990 – O dever da família: O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) deu a pais ou responsáveis a obrigação de matricular os filhos na rede regular.

Direito universal: A Declaração Mundial de Educação para Todos reforçou a Declaração Mundial dos Direitos Humanos e estabeleceu que todos devem ter acesso à educação.

1994 – Influência externa: A Declaração de Salamanca definiu políticas, princípios e práticas da Educação Especial e influenciou nas políticas públicas da Educação.

Mesmo ritmo: A Política Nacional de Educação Especial condicionou o acesso ao ensino regular àqueles que possuem condições de acompanhar “os alunos ditos normais”.

1996 – LDB muda só na teoria: Nova lei atribuiu às redes o dever de assegurar currículo, métodos, recursos e organização para atender às necessidades dos alunos.

1999 – Decreto n. 3.298: Foi criada a Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e definida a Educação Especial como ensino complementar.

2001 – As redes se abrem: A Resolução CNE/CEB 2 divulgou a criminalização da recusa em matricular crianças com deficiência. Cresceu o número delas no ensino regular.

Direitos: O Brasil promulgou a Convenção da Guatemala, que define como discriminação, com base na deficiência, o que impede o exercício dos direitos humanos.

2002 – Formação docente: A Resolução CNE/CP 1 definiu que a universidade deve formar professores para atender alunos com necessidades especiais.

Libras reconhecida: A Lei n. 10.436/02 reconheceu a língua brasileira de sinais como meio legal de comunicação e expressão.

Braile em classe: A Portaria n. 2.678 aprovou normas para uso, ensino, produção e difusão do braile em todas as modalidades de Educação.

2003 – Inclusão se difunde: O MEC criou o Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, que forma professores para atuar na disseminação da Educação Inclusiva.

2004 – Diretrizes gerais: O Ministério Público Federal reafirmou o direito à escolarização de alunos com e sem deficiência no ensino regular.

2006 – Direitos iguais: A Convenção aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu que as pessoas com deficiência tenham acesso ao ensino inclusivo.

2008 – Fim da segregação: A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva definiu que todos devem estudar na escola comum.

Curva inversa: Pela primeira vez, o número de crianças com deficiência matriculadas na escola regular ultrapassa o das que estão na escola especial.

Confirmação: Brasil ratificou a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiências, da ONU, fazendo da norma parte da legislação nacional.

Source

Revista Ecos da Paz.

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