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Dudu, o craque espírita, responde: Corinthians pode ser campeão?

Spirit Sheet – agosto de 1975

Marlene Rossi Severino Nobre

Uma pergunta muito frequente martelava nosso cérebro. O Corinthians é um fenômeno… Para alguns, é um culto, uma devoção por demais curtida, uma doença mesmo, com enfartos e tudo mais… Mas sempre o timão, o fenômeno social! Como esquecer essa grande massa sofredora se o futebol vibra na alma de nosso povo, desde as peladas de várzea com os pés mirins e juvenis iniciando o balé apaixonado, até os grandes bailarinos nos campos do México, quando o tricampeonato levou ao delírio toda uma nação?

Por isso, lembramo-nos de Dudu, o primeiro entrevistado da Spirit Sheet. Além de palmeirense, o que lhe dá bastante isenção de ânimo para analisar a questão, Dudu é espírita convicto, o que não deixa de ser excelente fator para discernimento justo, em qualquer assunto.

E a pergunta que angustia muitos corações: por que o Corinthians não é campeão?

Dudu: Eu chamaria isso de uma provação da coletividade corintiana, subentendendo por coletividade os torcedores, os jogadores, os diretores e os técnicos. Como espírita, sabemos que as provas, muitas vezes, variam de conformidade com o procedimento de quem as recebe. Se acolhemos uma prova de acordo com as Leis de Deus, isto é, com resignação, paciência e amor, essa dificuldade poderá ser amenizada, mas se, ao contrário, recebermos com revolta, lamúrias e inconformação, essa prova será bem mais difícil de ser transposta.

Partindo do princípio de que Deus é todo poder, todo bondade e justiça, Ele não desampara ninguém e não poderia de espécie alguma desamparar essa grande massa torcedora. A maior prova de que Deus não desamparou o Corinthians está no fato de que, a cada dia que passa, o clube arregimenta mais adeptos. Sua torcida tem crescido muito ultimamente, apesar de há mais de 20 anos não levantar o campeonato e, embora há muito venha desiludindo sua torcida e a crônica, é um dos clubes mais simpáticos do Brasil.

Humildade – chave do problema

Será que os dirigentes dessa grande coletividade pararam um momento para pensar? Isso nós falamos de um modo geral, sem especificar quem quer que seja. Será que eles não estão exagerando na vaidade e no orgulho? Cada qual querendo ser mais do que o outro, querendo mandar mais que o outro, esperando ser o “salva-pátria” para poder dizer “Eu salvei o Corinthians!” Acredito que aí reside o ponto crítico, que vem solapando essa grande coletividade durante todos esses anos.

Dudu: Creio que o Corinthians poderá voltar a ser campeão se os diretores se convencerem da necessidade de empregar ideias evoluídas, em um diapasão totalmente diferente, repleto de paz e harmonia. Se houver desprendimento dos bens materiais, trabalho, com amor e dedicação, e, quem sabe, um novo Pelé, a coletividade corintiana poderá extravasar a grande alegria represada ao longo de todos esses anos…

Angústia dos jogadores

Dudu, nós acompanhamos algumas declarações dos jogadores do Corinthians e pudemos constatar o verdadeiro tormento que eles enfrentam com a torcida. Sobre eles, mais particularmente, os torcedores projetam toda a ansiedade e eles sofrem bastante. Você teve oportunidade de presenciar isso?

Dudu: Dentro desses dez anos de Palmeiras e cinco de Ferroviária, constatamos que, de fato, os atletas do Corinthians sofrem uma pressão muito grande e que se reflete também no corpo técnico. Sua grande massa torcedora, inconformada com tantos anos de espera, às vezes, não tem paciência e não admite a ideia de que os jogadores não correspondam em campo. Acho que também esse é um dos problemas sérios do Corinthians. Os atletas não têm equilíbrio emocional para vencer, sobretudo quando se trata de grandes partidas, aquelas mais importantes e que, muitas vezes, decidem um campeonato.

Quando jogávamos pela Ferroviária de Araraquara, tivemos oportunidade de assistir, dentro do Parque São Jorge, na disputa de uma partida, em que vencemos por quatro tentos a um, frente à equipe do Corinthians, a muitos jogadores serem agredidos pelos torcedores om a derrota. Eles não compreendem os dias de infelicidade desses jogadores, e isso também contribui muito para a demora do título.

“Malfeito”

Dudu, agora a pergunta difícil, mas ela é constantemente formulada a nós: você acredita em “trabalhos feitos” contra o Corinthians?

Dudu: De fato, essa é a preocupação de muita gente. Você sabe, na pergunta 549 de The Spirits' Book pode se encontrar muitas explicações sobre o assunto. Se a pessoa deseja o mal, ela procura a ajuda dos Espíritos inferiores que, como ela, também servem aos propósitos maléficos, e estes, por sua vez, exigem que a pessoa continue a favorecer os seus maus desígnios. Mas ninguém está órfão do amor de Deus. O mal é produto dos homens, e os homens mesmo terão de eliminá-lo, praticando o amor e a caridade. Os pensamentos maléficos não atingem as pessoas que procuram ter o coração limpo de toda maldade e que conservam a sua confiança em Deus, trabalhando para o bem. Assim, se existem pensamentos negativos contra a coletividade corintiana eu não sei, mas tenho certeza de que o trabalho desinteressado, a luta pelo engrandecimento do esporte no que ele tem de melhor e a batalha constante pelo progresso de nossa pátria poderão dar a essa grande coletividade a vitória esportiva tão ambicionada.

Projetos para a regulamentação da profissão

Acho muito oportunas as suas considerações e gostaria de aproveitar esta oportunidade para perguntar não apenas ao craque palmeirense, mas, sobretudo, ao presidente do Sindicato dos Atletas: como vai a regulamentação da vossa profissão?

Dudu: Primeiramente, devo dizer que os nossos companheiros, os atletas, não têm uma ideia exata do que seja um sindicato. Quando eles têm uma reclamação contra um clube ou determinada entidade, eles nem sabem o endereço do sindicato. Esse é um ponto falho, e eu, tristemente, dou essa notícia. Não temos ainda união entre nós, e os próprios atletas ignoram a força que têm, porque temos muito apoio por parte da imprensa. Essa força não queremos usar contra quem quer que seja, nem contra a CBD, nem contra clube nenhum, apenas empregá-la para favorecer a nós mesmos, quando deixarmos de jogar futebol.

Entregamos projetos a esse respeito nas mãos de nosso digníssimo presidente Geisel, ele está para assinar um projeto muito grande – o Fugapão, isto é, uma FUGAP (Fundação Nacional para o Atleta Profissional) de âmbito nacional. Outro projeto também está nas mãos do ministro da Educação, digníssimo Ney Braga, para estudos, e quando for aprovado, teremos um relacionamento melhor de empregador e empregado, de jogador e clube.

O grande problema de todo atleta é o momento em que ele deixa de jogar, se ele não soube se conduzir na vida particular, ele ficará praticamente sem seu ganha-pão. Se um jogador se contundir e não tiver mais condições de jogar futebol, o INPS dará amparo a ele enquanto essa contusão estiver em andamento. Depois que estiver curado, não receberá mais auxílio do INPS porque, embora não tenha mais condições de jogar futebol, estará apto, dizem, para exercer outra profissão. Mas, se ele só sabe jogar futebol? Como fazer nesses casos? É este um dos muitos pedidos que formulamos aos nossos governos, de vintes anos para cá, e que se encontram nos anteprojetos já citados.

Nós brasileiros somos trabalhadores pacatos e esperançosos. Temos certeza de que amanhã teremos dias melhores, porque o nosso governo vai estudar os nossos problemas e vai nos amparar.

Pelé missionário

Como você analisa a figura do Pelé?

Dudu: Para nós atletas profissionais, existe uma era no futebol antes e outra após Pelé. Antes do Pelé não se dava muita importância ao atleta profissional. O próprio atleta sentiu-se mais valorizado depois da Copa do Mundo de 1958. Ele trouxe muitas ideias diferentes a respeito da responsabilidade que os jogadores devem adquirir, e depois da aquisição dessas responsabilidades passaram a perceber salários mais elevados. Com isso, houve uma valorização muito grande da nossa classe.

Para mim, que conheço um pouco da Doutrina Espírita, Pelé é um missionário. Praticar futebol como ele pratica só tendo se exercitado em muitas outras encarnações. Ele fez e faz coisas que nenhum outro jogador consegue. Acreditamos que ele foi acabar a sua missão nos Estados Unidos. Tendo sido recebido por quase todos os presidentes de países do mundo inteiro, chega agora à cidade de Nova York, recebendo um dos maiores salários dos Estados Unidos, comparável ao do pugilista Cassius Clay. Casado com uma branca, ele está dando uma demonstração de que não deve haver racismo. Aqui no Brasil o racismo existe de forma velada, mas nos Estados Unidos, ele é bem acentuado.

Você acha, então, que o Pelé deveria ir mesmo para os Estados Unidos?

Dudu: Entendo a sua pergunta. De fato, Pelé esperou alguns dias para dar a resposta, justamente, para saber como iria reagir o povo brasileiro. Não sei quais as razões que o levaram a aceitar, mas como presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais, só tenho que me congratular, porque além de sua missão como divulgador de nosso país, ele abriu um novo campo de trabalho para todos nós atletas.

Aqui ficam as ponderações de nosso amigo Dudu, o craque espírita: “Coragem, amigos corintianos, com humildade a euforia vai chegar!”

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