
Muito tem se falado, e com razão, sobre os perigos do uso excessivo de telas durante a infância e adolescência. Psicólogos, neurologistas, pedagogos e estudiosos do desenvolvimento infantil têm alertado para os efeitos nocivos da exposição prolongada a celulares, tablets, computadores e televisores. Problemas como ansiedade, distúrbios do sono, déficit de atenção, empobrecimento das relações sociais e até mesmo alterações no desenvolvimento neurológico vêm sendo associados a esse uso indiscriminado. Entretanto, em meio a tantas estatísticas e orientações técnicas, há um ponto essencial que precisa ser destacado com mais ênfase: o exemplo dos pais e responsáveis.
Vivemos tempos em que a autoridade educativa está cada vez mais ligada à coerência entre o discurso e a prática. Não basta dizer “desligue esse celular” se, durante o jantar, o pai está respondendo e-mails ou a mãe está imersa nas redes sociais. A educação é silenciosa, feita mais de gestos do que de palavras. Crianças e adolescentes aprendem com o que observam. E o que têm visto?
É comum, por exemplo, que um bebê tente chamar a atenção dos pais, que estão mais atentos ao feed de notícias do que ao próprio filho. Ou que um adolescente, ao ser repreendido por seu uso de telas, veja no comportamento dos adultos um total contradição. A partir disso, instala-se um ciclo perigoso: os adultos perdem autoridade, e os jovens se sentem justificados em sua dependência digital.

Pais que não se desconectam não apenas perdem oportunidades de convivência significativa com seus filhos, mas também perdem a “moral educativa”. Isso não significa demonizar a tecnologia, mas, sim, aprender a utilizá-la com equilíbrio, estabelecendo momentos de conexão real, olho no olho, sem distrações.
Educar no século XXI exige mais do que proibir: exige presença, escuta e disponibilidade emocional. E isso só é possível quando os dispositivos digitais deixam de ocupar o lugar da afetividade, da conversa e da convivência em família.
Por isso, mais do que controlar o uso das telas pelos filhos, é urgente que os adultos façam uma autocrítica sobre seus próprios hábitos. O que as crianças estão aprendendo com o nosso exemplo? Quanto tempo de tela está sendo roubado do tempo de qualidade? Quanto estamos priorizando o que realmente importa?
O saber espírita
“Se a palavra esclarece, é o exemplo que sempre atrai e transforma”. Essa reflexão, registrada por Emmanuel por intermédio de Chico Xavier no livro Religião dos Espíritos, ressalta uma verdade fundamental: o poder da prática supera o simples ensinamento verbal, seja para influenciar positivamente ou de forma contrária.
No Espiritismo, o exemplo é considerado um instrumento essencial para a transformação moral e para a divulgação dos seus ensinamentos. Quando nossas atitudes refletem valores como amor, caridade, honestidade e dedicação ao trabalho, exercemos uma influência concreta e profunda sobre as pessoas ao nosso redor, contribuindo para a propagação dos princípios espíritas na sociedade.
Allan Kardec, por sua vez, destacou que essa coerência entre ação e palavra constitui uma autoridade legítima diante de Deus, pois é pelo que fazemos que nos tornamos verdadeiros exemplos a serem seguidos.
References
CHILDREN See Children Do – 2013. Napcan, 27 ago. 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jOrGsB4qG_w. Acesso em: 31 jul. 2025.
CHILDREN See, Children Do. Enterprise Sports Group, 19 mar. 2015. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0yaJ0yEaO3g. Acesso em: 31 jul. 2025.
DIFFERENT SPIRITS. Religião dos Espíritos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília, DF: FEB, 2012.
POLI, Cris. Pais admiráveis educam pelo exemplo. São Paulo: Mundo Cristão, 2013.