Já observaram como é comum nos compararmos às outras pessoas, acreditando que, se tivéssemos as mesmas coisas que elas, as mesmas condições, talvez pudéssemos alcançar mais sucesso e nossa vida seria melhor? Parece que, desde crianças, adotamos esse padrão de pensamento e nos sentimos desgostosos diante da suposta condição que não temos.

Sem perceber, criamos um paradigma que, se não modificarmos ao longo da vida, por meio do amadurecimento espiritual, corremos o risco de nos tornarmos eternamente frustrados, deixando de aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece.
É natural que nos questionemos e busquemos explicações para aquilo que consideramos fracassos colecionados ao longo da vida. Digo “consideramos fracasso” porque, na minha concepção, não existe fracasso – pelo menos, não da forma que pensamos. O que acontece é que, se não obtemos êxito em algum empreendimento, existe um motivo para isso. Já pensaram que esse motivo é justamente o que precisamos para progredir enquanto seres humanos?
Cada um de nós está no lugar certo e tem o que precisa para construir o próprio caráter e evoluir em todos os sentidos. É curioso como é fácil virar as costas para o que realmente temos e perder um tempo enorme em elucubrações sobre “o que eu preciso”, “o que não tenho” etc.
Nosso maior exemplo, o Mestre Jesus, jamais questionou a falta de preparo de seus discípulos – a maioria homens de pouca instrução, vivendo da pesca e de outros trabalhos simples, com famílias humildes, morando em casas toscas, alguns com muitas complicações familiares.
Quem eram Pedro, Tiago e João para serem os responsáveis pela consolidação da fé cristã? Da mesma forma, quem poderia supor que Saulo de Tarso, vaidoso, rigoroso e injusto na defesa do que entendia como certo, estaria preparado para levar a Boa Nova a outras plagas, universalizando o cristianismo?
Conta-se que, certa vez, um rei foi visitar o seu jardim e ficou surpreso com o que viu: o jardim estava murcho, as árvores estavam secas e as flores não brotavam. Imediatamente, ele chamou o jardineiro, que também não soube explicar o motivo de o jardim estar daquela maneira. Ele afirmou que estava irrigando, adubando, podando e cuidando da melhor forma possível, mas nada adiantava. Foi então que o rei resolveu perguntar às plantas o que estava acontecendo, e, para sua surpresa, elas responderam:
– O carvalho estava triste porque não era tão alto quanto o pinheiro;
– O pinheiro estava triste porque não produzia uvas como a parreira;
– A parreira queria produzir flores como a roseira;
– A roseira queria ser uma árvore como o carvalho.
Somente um pé de amor-perfeito estava belo e florido. Intrigado com aquilo, o rei foi falar com o amor-perfeito, que respondeu:
– Como posso querer ser alguém além de mim mesmo? Somente tento ser o melhor que posso ser a cada dia.
Que simples parábola, mas verdadeira lição de vida para todos nós!
O que estamos fazendo com os potenciais que Deus nos concedeu?
Paremos para analisar, sem o véu da inveja ou da vitimização que nos coloca sempre na condição de que não temos o necessário ou não somos bons o suficiente para realizar o que consideramos importante.
Façamos uma análise livre de toda ideia preconcebida. Será que estamos fazendo o nosso melhor, como o amor-perfeito da história? Valorizamos nossos recursos e nos colocamos na tarefa de construção de nós mesmos, contribuindo sempre com o coletivo?
Tomemos cuidado para não estacionarmos no meio do caminho e acabarmos ressecados, sem o viço da alegria de termos sido úteis.
Pensemos en ello.