“Pode o homem se afastar da influência dos Espíritos que o incitam ao mal? Sim, porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos” (questão n. 467, El libro de los espíritus, Allan Kardec).

No contexto do livre-arbítrio que possui, cada criatura pode escolher as amizades que deseja cultivar. Assim é na Terra, e não é diferente em relação aos seres que já deixaram o mundo físico para viverem na espiritualidade.
Se existem homens maus e homens bons, por certo existirão Espíritos que cultivam o bem e outros que ainda caminham pelas veredas do mal. Paulo de Tarso, em sua notável sabedoria, nos informou que estamos cercados por “uma multidão de testemunhas”. Portanto, as companhias que atraímos terão, obviamente, a natureza dos nossos pensamentos.
É indispensável que zelemos pelo conteúdo que nutre os nossos pensamentos. O que se passa em nossa mente é uma mensagem aberta ao conhecimento dos Espíritos que, de acordo com o que encontram, conosco se afinizam.
Um artista plástico, ao pintar um quadro que carrega consigo uma mensagem de paz e beleza, sem dúvida contará com o apoio de Espíritos vinculados à arte, desejosos de construir um mundo melhor.
Uma senhora habilidosa que utiliza suas horas de folga para confeccionar roupas, agasalhos ou outros itens que possam socorrer a carência de quem segue pela vida em situação de penúria terá ao seu lado criaturas desencarnadas que também se prestam a diminuir as agruras dos que padecem na miséria.
Um estudante compenetrado e responsável, ao se debruçar sobre os livros em busca de novos e imprescindíveis conhecimentos, poderá ter a certeza de que, com ele, estão seres amadurecidos e idôneos socorrendo-o em tal mister.
Um prestador de serviços voluntários, no âmbito de uma instituição de filantropia e de promoção humana, ao executar suas tarefas de amor ao próximo, certamente será incentivado e apoiado por Espíritos generosos e fraternos no desenvolvimento de suas ações magnânimas.
Um administrador público justo e consciente das suas obrigações sociais para com o povo, disposto a se sacrificar, se preciso for, para que o bem-estar e a serenidade se instalem na comunidade, contará com a sustentação de equipes de desencarnados que também carregam o desejo de plantar a paz e a felicidade na Terra.
Um industrial ou um comerciante que visa além dos lucros naturais decorrentes das suas atividades, observando também o valor social do empreendimento que mantém, na geração de empregos e rendas à coletividade, terá sempre ao seu lado a presença de Espíritos empreendedores que também anseiam pelo sucesso da humanidade.
A lei de afinidade e de sintonia com os desencarnados é a mesma tanto para o bem quanto para o mal. Uma criatura que, para atingir suas metas e objetivos, lança mão de qualquer método para lograr êxito, sem se importar com ética, escrúpulos ou moralidade, não tenhamos dúvida, também terá o apoio firme de Espíritos inconsequentes e perversos que tudo farão para incentivá-la ao desiderato.
Todo o bem que fazemos ou que desejamos fazer encontra ressonância no coração dos Espíritos bons, enquanto o mal que executamos ou que está em via de execução tem o respaldo dos Espíritos inferiores. Obviamente, a escolha será sempre nossa.
A lei é simples: o bem que fazemos atrai o bem em nossa direção, e o mal que realizamos traz consigo o mal para o nosso convívio.
A decisão nos pertence. Pensemos nisso.