“Segundo o modo de ver terreno, a máxima: Buscai e achareis, é semelhante a esta outra: Ajuda-te e o céu de ajudará” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXV, item 2)
Na Terra, via de regra, o homem lamenta os ferimentos que o atormentam e se equivoca ao atribuir suas dores à culpa alheia. Dentro da justiça divina, ninguém paga o que não deve. Se temos motivos para sofrer, se há razões íntimas que nos fazem verter lágrimas, isso, obviamente, não tem origem na conduta daqueles que seguem conosco pelas estradas da vida.

Sendo herdeiros de nós mesmos, experimentamos hoje o reflexo do que fizemos e fomos ao longo do tempo, por meio das sucessivas reencarnações. Dizer o contrário seria imputar ao próximo uma culpa indevida, ao mesmo tempo em que estaríamos afirmando que Deus é injusto, pois Suas leis possibilitariam um padecimento que não nos é devido. Não, as leis naturais são sumamente justas e plenas de amor. Nós é que ainda não aprendemos a conhecer os mecanismos do Código Divino, cheio de lógica e razão.
Portanto, em vez de prosseguirmos na lamentação, procuremos usar a mesma força para reconhecer o acerto da vida em nos proporcionar as mais variadas oportunidades de aprimoramento interior, pela superação dos nossos limites. Acomodar no pensamento a ideia de que sofremos muito e de que a nossa felicidade depende da ação daqueles que vivem conosco é, incontestavelmente, um grande erro.
Sofremos apenas o que merecemos e seremos felizes na medida do nosso entendimento das Leis de Deus, que afirmam a cada instante ser imprescindível fazer aos outros aquilo que desejamos para nós mesmos. Na expressão “ajuda-te e o céu te ajudará” está o manual norteador dos nossos passos, pois ela nos revela a necessidade de movimentarmos as próprias forças na solução dos problemas que nos afligem.
Na verdade, não precisamos dos outros para conquistar a felicidade – mesmo que de forma relativa –, mas, sim, da paz de consciência que nos assegure estarmos vivendo dentro dos preceitos apontados pelo Evangelho de Jesus, especialmente no “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
Ante nossas dificuldades e angústias, evitemos procurar culpados, no intento de transferir ao próximo os desequilíbrios que residem em nosso íntimo.
Em realidade, apresentamo-nos hoje, nesta encarnação, trazendo conosco o aprendizado e a evolução espiritual adquiridos ao longo dos séculos. Se ainda não somos melhores e não conseguimos viver em harmonia, é porque não logramos adotar uma conduta mais afinizada com as sábias lições do Cristo.
Saiamos, pois, com firmeza e determinação, buscando a paz e a felicidade, e as acharemos. Ajudemo-nos com coragem, e o “céu”, representado pelos Espíritos Benfeitores, nos amparará nessa empreitada.
Confiemos!
Referencia
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Traducción de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília, DF: FEB, 2019. Disponible en: https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/WEB-Livro-dos-Esp%C3%ADritos-Guillon-1.pdf. Acesso em: 29 out. 2025.