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Por que vivemos? A busca de sentido como essência do ser humano

Em um tempo em que tantas pessoas se veem perdidas, angustiadas e sem direção, a pergunta que Viktor Frankl fez ao longo de toda a sua vida volta com força inédita: a vida tem sentido? E, se tem, como encontrá-lo? Confira este artigo do psiquiatra Alejandro Vera, especialista em Logoterapia e Análise Existencial e coordenador do Departamento de Saúde Mental da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), em que ele apresenta os fundamentos da Logoterapia, criada por Viktor Frankl. No texto, ele nos convida a compreender o ser humano em sua integralidade e a importância de encontrarmos sentido mesmo nas situações mais dolorosas.

Viktor Frankl e o nascimento da Logoterapia

Alejandro Vera

Viktor Frankl nasceu em 1905, em Viena. Médico neurologista, psiquiatra e doutor em Filosofia, desde a infância carregava uma inquietação profunda sobre o sentido da vida. Teve contato com Sigmund Freud e Alfred Adler, bebeu dessas fontes e delas se afastou, convicto de que nenhuma delas tocava o núcleo do que nos move. Freud via no prazer a força central do ser humano; Adler, no poder. Frankl enxergava algo diferente: somos, essencialmente, buscadores de sentido.

Essa convicção foi testada no limite. Deportado para campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo Auschwitz, Frankl perdeu seus pais, seus irmãos e sua esposa grávida. Em meio ao horror absoluto, descobriu que, mesmo quando tudo é tirado de alguém, uma liberdade permanece intacta: a de escolher a própria atitude diante do que se vive. Dessa travessia nasceu a Logoterapia e o livro Em busca de sentido, uma das obras mais lidas do século XX. Frankl viveu até os 92 anos, disseminando seu legado pelo mundo.

O ser humano é muito mais do que corpo e mente

A Logoterapia parte de uma compreensão integral do ser humano. Para Frankl, somos seres biopsicoespirituais: temos uma dimensão biológica, uma psicológica e uma espiritual. Não se trata de espiritualidade no sentido dogmático ou religioso estrito. A dimensão espiritual, em Frankl, é onde residem nossas potencialidades mais profundas: a vontade de sentido, a liberdade, a responsabilidade, os valores e a dignidade humana. É o que nos faz ir além do instinto, do condicionamento e das circunstâncias.

Ignorar essa dimensão é olhar para o ser humano de forma incompleta. E tratar apenas o biológico ou o psicológico, sem contemplar o espiritual, é cuidar das partes sem cuidar do todo.

Sentido não é o mesmo que propósito

Vivemos em uma época em que muito se fala em propósito. No entanto, Frankl nos oferece uma distinção essencial. O propósito é subjetivo: nasce dos nossos desejos, das nossas metas, da nossa visão de futuro. Pode mudar com o tempo, e isso é natural. O sentido, porém, é objetivo e concreto, existe independentemente de nós. Não nos cabe interrogar a vida como se ela nos devesse respostas, pois é ela que nos interroga, a cada momento, convidando-nos a responder por meio de nossas escolhas e atitudes. Essa inversão transforma tudo: deixo de ser vítima das circunstâncias e passo a ser interlocutor da vida.

O sentido pode ser encontrado por três caminhos: pelos valores criativos, naquilo que realizamos e contribuímos; pelos valores vivenciais, naquilo que experienciamos na relação com o outro, com a arte e com a natureza; e pelos valores atitudinais, talvez os mais profundos, que se revelam na postura que adotamos diante do sofrimento inevitável.

Liberdade e responsabilidade: duas faces da mesma moeda

A liberdade de vontade é um dos pilares centrais da Logoterapia. Somos livres para escolher nossa atitude diante de qualquer circunstância. Nos campos de concentração, onde tudo era negado, essa foi a descoberta mais visceral de Frankl: a liberdade interior permanece intacta. Ninguém pode nos tirar a maneira como escolhemos encarar o que vivemos.

Contudo, essa liberdade exige responsabilidade. O livre-arbítrio não é licença para viver sem consequências. É o convite permanente a abraçar as consequências das próprias escolhas com maturidade e consciência. Sou livre para escolher minha atitude. E sou responsável por ela.

Todo ser humano tem uma missão

Frankl era categórico: todo ser humano tem uma missão na vida, única, irrepetível e intransferível. E, para aqueles que ainda não a encontraram, que sentem o vazio e a angústia, ele dizia com firmeza: encontrar essa missão já é, em si, a sua missão.

O vazio existencial, essa sensação dolorosa de falta de sentido, é uma das realidades mais preocupantes do nosso tempo. Está presente em adultos que se perdem na rotina e no consumo e, de forma alarmante, em jovens que dizem não encontrar razão para viver. O esvaziamento de sentido é um fator de risco real, que não podemos ignorar.

Não somos feitos para existir no vazio. Somos, em nossa mais profunda essência, buscadores de sentido. E essa busca, quando vivida com consciência e abertura para a dimensão espiritual, nos aproxima do que Frankl chamou de suprassentido: uma consciência cósmica que permeia a existência, uma presença maior que governa tudo com amor e sabedoria – o que muitos chamam de Deus.

Transforme-se

Ninguém passa por esta existência sem sentir dor. Ninguém atravessa a vida sem carregar, em algum momento, o peso da culpa. E todos nos deparamos com a morte. Frankl chamou essa realidade de tríade trágica da existência. Quando aceitamos que o sofrimento é parte inerente do caminho, deixamos de nos perguntar “por que eu?” e começamos a perguntar “o que faço com isso?”

É aí que a busca de sentido se revela em toda a sua força. Não somos nós que questionamos a vida; é ela que nos questiona, a cada circunstância, a cada perda, a cada alegria. E somos nós que precisamos responder, com nossas escolhas, com nossa postura, com a abertura que temos, ou não, para enxergar o sentido que já está ali, esperando ser encontrado.

Essa resposta raramente vem sozinha. Ela nasce na relação com o outro, no amor que Frankl descrevia não como sentimento passageiro, mas como força cósmica transformadora, capaz de nos vincular à humanidade e de nos aproximar do sentido mais profundo da existência. Encontro o meu sentido quando ajudo o outro a encontrar o seu. É nessa entrega que algo maior se revela.

Frankl nos deixou uma frase que é, ao mesmo tempo, diagnóstico e reflexão: “Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a. Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se”.

Sempre há uma resposta possível. Sempre há sentido, mesmo quando ainda não está visível. A vida nos questiona a cada amanhecer.

Alejandro Vera é psiquiatra pela Unifesp, especialista em Logoterapia e Análise Existencial pelo método de Viktor Frankl; vice-presidente do Grupo Assistencial Espírita Israel (Osasco); presidente da AME-Osasco e coordenador do Departamento de Saúde Mental da AME-Brasil.

Referencia

FRANKL, Viktor. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis, RJ: Vozes, 2025.

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