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Justiça do Cristo: solução pela educação

Refletir sobre a Justiça na visão de Jesus é tarefa que cabe a todos nós, independentemente da orientação religiosa. Aos espíritas, no entanto, isso afigura-se especial, pois, para o Espiritismo, Jesus assume a condição de guia e modelo para a humanidade. Humberto de Campos, pela psicografia de Chico Xavier, traz lições valiosas sobre o assunto no capítulo “Pecado e punição” da obra Bonnes nouvelles, que assim se inicia:

“Jesus havia terminado uma de suas pregações na praça pública quando percebeu que a multidão se movimentava em alvoroço. Alguns populares mais exaltados prorrompiam em gritos, enquanto uma mulher ofegante, cabelos desgrenhados e faces macilentas, se aproximava dele, com uma súplica de proteção a lhe sair dos olhos tristes. Os muitos judeus ali aglomerados excitavam o ânimo geral, reclamando o apedrejamento da pecadora, na conformidade das antigas tradições”.

A resposta de Jesus, instado pelo povo a decidir o futuro daquela mulher, é clássica: “Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra!” O espanto, como se sabe, foi geral. Ao final, estando só com a mulher e alguns discípulos, pois os que cobravam um julgamento do Mestre deixaram o local, ele dirigiu-se a ela e disse: “Ninguém te condenou? Também eu não te condeno. Vai e não peques mais”.

Com a retirada da mulher – acusada de pecadora pelos que ali estavam –, João, seu discípulo, dele se aproximou e disse: “Mestre, por que não condenastes a meretriz de vida infame?” E ouviu de Jesus:

“Quais as razões que aduzes em favor dessa condenação? Sabes o motivo por que essa pobre mulher se prostituiu? Terás sofrido alguma vez a dureza das vicissitudes que ela atravessou em sua vida? Ignoras o vulto das necessidades e das tentações que a fizeram sucumbir a meio do caminho. Não sabes quantas vezes tem sido ela objeto do escárnio dos pais, dos filhos e dos irmãos das mulheres mais felizes. Não seria justo agravar-lhe os padecimentos infernais da consciência pesarosa e sem rumo”.

O joio e o trigo

A Justiça do Cristo nos convida a separar o joio do trigo. Propõe a discussão das causas dos males e a busca de solução pela educação antes de se insistir desde o início no viés punitivo.

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Os fragmentos dos bastidores do Evangelho permitem-nos verificar alguns aspectos da Justiça do Cristo envolta do amor divino. Na concepção de Jesus, como se vê, não há espaço para justiceiros nem para vinganças. O respeito à dignidade alheia é a pedra angular da filosofia cristã. Compreende-se aqui tanto a vítima como o criminoso, pois todos guardam a condição de igualdade aos olhos do Pai de infinita bondade e misericórdia.

A ânsia popular por julgamentos precipitados e pela condenação do próximo é natural e reflete a presunção de superioridade em relação àquele sob censura. Mas a postura de Jesus diante de situação análoga foi a de serenidade, de atitude e de compaixão. Discípulos do Mestre também ficaram perplexos com o contexto e revelaram a dificuldade em compreender o alcance e o real sentido de suas lições, conquanto dele tão próximos estavam.

Misericórdia abundante

E assim a humanidade se encontra no transcorrer de mais de dois milênios de sua vinda na Terra. Em nome de Jesus, muitos foram torturados. A Justiça do Cristo não prejulga ao sabor dos impulsos. Considera os fatos em toda sua amplitude, levando em consideração a história de cada um, com os acertos e os desacertos, as facilidades e as dificuldades. Afinal, em alguma medida, todos somos vulneráveis espiritualmente e temos infinitas possibilidades de cair. Mas dado o caráter inexorável do progresso espiritual, os ajustes virão na hora e do jeito certos, e com o auxílio de amigos amorosos sempre será tempo para nos despertarmos diante das verdades eternas.

A Justiça do Cristo não se faz com violência, pois está fundada em abundante misericórdia. Ela propõe a reflexão, o repensar, a reparação, não sendo conivente com danos ao próximo e à sociedade em geral. De qualquer modo, em sendo o caso de adoção de medidas enérgicas, jamais esquece que o dito pecador não perde a condição de irmão de jornada, merecendo ampla atenção, penas proporcionais e razoáveis que não lhe avultem a dignidade.

A Justiça do Cristo nos convida a separar o joio do trigo. Propõe a discussão das causas dos males e a busca de solução pela educação antes de se insistir desde o início no viés punitivo. Parece simples, mas não é. O Natal é uma hora boa para nos propormos a ouvir mais uma vez o Mestre e guardarmos seus ensinamentos em nossos corações.

(Com colaboração de Maria Auxiliadora Santos Essado)

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