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Coração do mundo, pátria do Evangelho

O Brasil e o átomo a serviço da paz

Marlene Rossi Severino Nobre

Enquanto as grandes potências promovem guerra declarada ao acordo nuclear Brasil-Alemanha, em Poços de Caldas/MG, o Simpósio sobre Áreas de Alta Radiotividade Natural, que reuniu cientistas do mundo todo, acaba de constatar o manancial inimaginável do solo brasileiro, como guardião do futuro, sem dúvida, um celeiro cuidadosamente reservado para os dias incertos do próximo milênio.

O Morro do Ferro, situado a 14 quilômetros de Poços de Caldas, foi reconhecido pelos congressistas como o local de maior radioatividade natural do mundo. Para se ter uma ideia, a radiação normal, em qualquer lugar do planeta, recebida pelas pessoas, é de 100 milirads por ano, enquanto no Morro do Ferro, a radioatividade chega a 32 milirads por hora, estando muito acima dos padrões máximos internacionalmente conhecidos. A areia monazítica de Guarapari/ES, por exemplo, emite radiações em torno de 650 milirads por ano, estando esses índices muito abaixo daqueles alcançados pelo Morro do Ferro.

Após conhecer a região de Poços de Caldas, o físico nuclear alemão Wolfgang Jacobi, um dos participantes do Simpósio, afirmou não ter dúvidas de que o “descobrimento de extensas jazidas de urânio no Brasil é só questão de uma boa procura”.

O acordo nuclear teuto-brasileiro que acaba de ser assinado prevê a instalação de uma usina de enriquecimento de urânio que funcionará em escala-piloto a partir de 1977. Com esse projeto, os dois países formarão um consórcio para a construção de reatores, enriquecimento e reprocessamento de urânio para terceiros, mediante contrato, além de garantir o abastecimento dos próprios reatores alemães.

Não há muita preocupação quanto ao achado de grandes reservas de urânio, porque se espera que em 1980 os reatores breeder (regeneradores) sejam capazes de produzir grande quantidade de material físsil a partir de uma pequena quantidade de urânio ou tório. Assim, seriam necessárias cerca de duas mil toneladas de urânio a mais, fáceis de serem detectadas, segundo Wolfgang Jacobi, em prospecção conjunta, para se somarem as três mil já conhecidas, quantidade suficiente para sustentar o plano comum dos dois países. Deve-se ter em conta, ainda, que o Brasil possui a segunda maior reserva de tório do mundo, grande fonte potencial de combustível nuclear.

Segundo declarações do cientista alemão, o acordo Brasil-República Federal Alemã inclui a construção dos dois primeiros reatores pela Nuclebras e a Kraftwerk Union para a Central Nuclear de Angra dos Reis, sendo sua potência elétrica de 1.320 megawatts. Esses serão os reatores do tipo água pressurizada, os maiores do mundo. Os primeiros componentes da Unidade II de Angra chegarão ao Brasil no primeiro semestre de 1979, de fabricação alemã; já a segunda unidade dessa central nuclear terá 30% de seus equipamentos construídos pela indústria brasileira.

Independência

A usina de enriquecimento funcionará em escala-piloto em 1977, devendo produzir 25 a 50 toneladas anuais de urânio enriquecido a 3 e 3,5%. Essa produção, embora pequena, permitirá ao Brasil livrar-se do contrato que mantém com os Estados Unidos para enriquecer o urânio da Unidade I de Angra do Reis, construída pela Westinghouse com capacidade de 626 megawatts.

Finalmente, em 1985, o brasil deverá livrar-se de um outro contrato que mantém com os Estados Unidos, o de reprocessamento, porque nessa data está prevista a obtenção, em escala industrial, do plutônio através de reprocessamento do combustível irradiado, obtido nessa usina.

Com isso, o país ficará praticamente fora do rígido controle do contrato com a América do Norte sobre o plutônio extraído no Laboratório Nacional de Oak Ridge, e depois remetido aos países de origem.

Contraste

A Folha de São Paulo, de 20 de junho, publicou a seguinte nota: “Os Estados Unidos explodiram ontem em Nevada uma bomba nuclear subterrânea 10 a 50 vezes mais poderosa que a lançada em Hiroshima no final da Segunda Guerra Mundial. Sem dúvida, é este um evidente contraste quanto à utilização da mesma força”.

Compreendemos bem a estranheza das superpotências, mais particularmente da Rússia e dos Estados Unidos, quanto aos nossos projetos de independência nuclear. No entanto, a história aí está soberana, insofismável. Há em nosso passado, é bem verdade, os dolorosos lamentos da escravatura, o pesado ônus de guerras fronteiriças, mas, acima de tudo, uma inequívoca tendência para o cultivo da fraternidade. Pedro Álvares Cabral chegando às nossas plagas pelas calmarias; Tiradentes subindo ao cadafalso para evitar conflitos fratricidas. Isabel libertando escravos sem escaramuças militares; Deodoro implantando a República sem derramamento de sangue, e um país inteiro conturbado pela dor de seu bondoso monarca no exílio; Rio Branco consolidando nosso território sem morticínios. São esses muitos dos inumeráveis fatos que demonstram os arraigados princípios de fraternidade e paz do povo brasileiro.

Não há razão para temores quanto ao nosso projeto atômico. Segundo o Espírito de Humberto de Campos, o Brasil é o “coração do mundo e a pátria do Evangelho”. Os povos, como os indivíduos, respondem pelos seus atos, pois a lei de ação e reação é válida igualmente para as nações, devendo, por esse justo princípio, cada país receber de volta, em seu próprio seio, o vento da discórdia ou o trigo da paz, conformemente ao que haja semeado.

Não respondemos pelas atrocidades de Hiroshima-Nagasaki, não dividimos o Vietnã, não invadimos Praga, não disputamos o Oriente Médio, não empregamos órgãos de inteligência para semear a intranquilidade entre os povos, não temos o desespero nos campos do arquipélago Gulag.

Não! O coração do mundo exemplifica as virtudes cristãs, oferecendo à Terra o testemunho de sua história sem máculas. A pátria do Evangelho guarda os ensinamentos do Cristo em seus gestos de bondade.

Não! Vocês ainda vão sentir o repouso de nossos campos pacíficos, as dádivas de nosso país generoso, preocupado apenas com o bem-estar de todas as nações.

Arrefeçam-se as desconfianças, a presença do Brasil no ciclo atômico é garantia de paz e progresso para o mundo.

Castro Alves, em versos admiráveis recebidos por Chico Xavier no Pinga-Fogo de 20/12/1971, enalteceu essa missão de nossa amada pátria:

“[…] Desde o dia em que nasceste,

Ao fórceps de Cabral,

O tempo se iluminou

Na Bahia maternal!…

Hoje, que o mundo te espera

Para as leis da nova era,

Por Brasília envolta em luz,

Que em ti a vida se integre,

De Manaus a Porto Alegre,

No Espírito de Jesus!…

Ao resguardar o direito,

Mantendo a justiça e o bem,

Luta e rasga o próprio peito,

Mas não desprezes ninguém…

Levanta o grande futuro,

Ergue tranquilo e seguro

A paz nobre e varonil!…

À humanidade que chora

Clamando “Senhor… e agora?”

O Cristo aponta: Brasil!…”

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