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Experiências de quase morte mantêm em pauta o debate sobre a continuidade da vida

A reportagem exibida pelo Fantástico em 26 de abril de 2026 voltou a dar visibilidade a um tema que, longe de se encerrar, ganha cada vez mais espaço no campo científico e espiritual: as experiências de quase morte (EQMs).

Com relatos de brasileiros que passaram por situações críticas, como paradas cardíacas e cirurgias de alto risco, o programa apresentou elementos recorrentes nesse tipo de vivência: sensação de saída do corpo, passagem por um túnel de luz, encontro com entes queridos já falecidos e profunda sensação de paz. Mais do que episódios isolados, trata-se de um fenômeno com características consistentes, descrito por pessoas de diferentes culturas, crenças e contextos. A reportagem também destacou casos de percepções consideradas verídicas, ou seja, situações em que pacientes relatam acontecimentos ocorridos ao seu redor, posteriormente confirmados.

Ao comentar a matéria, o psiquiatra e pesquisador Alexander Moreira-Almeida, fundador e coordenador do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), reconheceu o mérito da iniciativa ao ampliar a visibilidade do tema e apresentar características bem documentadas das EQMs, incluindo seus efeitos transformadores. Segundo ele, essas experiências frequentemente conduzem a mudanças existenciais profundas, como a revisão de valores e a diminuição do medo da morte, aspecto que, por si só, já desafia interpretações reducionistas.

No entanto, o pesquisador chama a atenção para um ponto crítico recorrente na abordagem midiática: a tendência de tratar explicações materialistas, centradas exclusivamente no funcionamento cerebral, como sinônimo de explicação científica. “Há uma confusão comum entre o que é científico e o que é materialista”, observa. “A ciência não precisa estar limitada a uma visão em que a consciência seja apenas produto do cérebro. Ela pode considerar a mente como um elemento da natureza, ainda que não necessariamente material.”

A crítica aponta para um desequilíbrio no debate. Embora hipóteses neurológicas, como a liberação de neurotransmissores em situações de privação de oxigênio, sejam legítimas, outras abordagens igualmente fundamentadas acabam sendo frequentemente classificadas como “místicas”, o que empobrece a análise do fenômeno.

Moreira-Almeida também destaca lacunas na apresentação de modelos explicativos. A ausência de contrapontos relevantes às teorias que propõem uma origem exclusivamente cerebral para as EQMs é um exemplo. Estudos conduzidos por pesquisadores como Bruce Greyson e Pim van Lommel apontam limitações importantes nesses modelos, especialmente na tentativa de explicar casos de percepções verídicas durante períodos de atividade cerebral severamente comprometida. Além disso, o pesquisador lamenta a pouca visibilidade dada à produção científica brasileira, que vem avançando com estudos consistentes e colaborações internacionais relevantes.

Nesse contexto, o debate sobre as experiências de quase morte deixa de ocupar posição periférica e passa a integrar, de forma mais estruturada, as investigações sobre a natureza da consciência. Para o Espiritismo, essas experiências encontram interpretação coerente com seus princípios, ao sugerirem que a consciência não se restringe ao corpo físico e pode manifestar-se de forma independente em determinadas condições.

Se a ciência ainda busca respostas definitivas, o acúmulo de evidências indica que o tema está longe de ser encerrado. Ao contrário: as experiências de quase morte seguem ampliando fronteiras e convidando a humanidade a reconsiderar, com mais profundidade, o que entende por vida e consciência.

As pesquisas no Brasil e no mundo

O estudo das experiências de quase morte vem ganhando espaço nas últimas décadas, reunindo pesquisadores de diferentes países e áreas do conhecimento. O psiquiatra Bruce Greyson, da Universidade da Virginia, desenvolveu uma das principais escalas de avaliação das EQMs e identificou padrões recorrentes que desafiam explicações exclusivamente biológicas. Já o cardiologista Pim van Lommel conduziu estudos com pacientes em parada cardíaca, indicando a ocorrência de experiências lúcidas mesmo em condições de atividade cerebral severamente comprometida. A Fundação Bial também tem desempenhado papel relevante ao financiar pesquisas sobre consciência e promover encontros científicos internacionais dedicados ao tema.

Produção brasileira

No Brasil, o NUPES/UFJF é uma das principais referências na área, desenvolvendo estudos sobre espiritualidade e saúde em diálogo com centros internacionais. Pesquisas recentes conduzidas por cientistas brasileiros indicam que explicações exclusivamente materialistas enfrentam dificuldades para explicar todos os aspectos das EQMs, especialmente os relatos de percepções verídicas durante estados críticos.

Um campo em expansão

Embora diferentes interpretações coexistam, há um consenso crescente: as experiências de quase morte representam um fenômeno complexo, que ainda desafia modelos explicativos tradicionais.

Sugestões para leituras

ANGELI-FAEZ, Bruno; GREYSON, Bruce; VAN LOMMEL, Pim. Near-death experience during cardiac arrest and consciousness beyond the brain: A narrative review.International Review of Psychiatry, v. 37, n. 2, p. 130-141,2025. Doi: https://doi.org/10.1080/09540261.2025.2503729.

SHUSHAN, Gregory. Diversity and similarity of near-death experiences across cultures and history: Implications for the survival hypothesis. International Review of Psychiatry, v. 37, n. 2, p. 95-101, 2025. Doi: https://doi.org/10.1080/09540261.2024.2402429.

SILVA, Monalisa Claudia Maria da. Perfil e impacto das experiências de quase morte no Brasil. 2023. Tese (Doutorado em Saúde) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG, 2023.

SILVA, Monalisa Claudia Maria da; MOREIRA-ALMEIDA, Alexander. Impactos psicológicos da experiência de quase morte: abordagem pelo profissional de saúde. Interações, v. 18, n. 1, 2023. Doi: https://doi.org/10.5752/P.1983-2478.2023v18n1e181t02.

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