14 de Março de 2026

Generic selectors
Correspondência exata
Pesquisar no título
Pesquisar no conteúdo
Post Type Selectors
Pesquisar em Edições
Pesquisar em Edições Antigas
Pesquisar em Notícias e Podcasts

14/03/2026

Generic selectors
Correspondência exata
Pesquisar no título
Pesquisar no conteúdo
Post Type Selectors
Pesquisar em Edições
Pesquisar em Edições Antigas
Pesquisar em Notícias e Podcasts

O verdadeiro amor não nasce do desamor

Vivemos em um mundo marcado pela hiperconectividade, no qual a exposição constante a notícias, fatos e conteúdos nas redes sociais nos submete a um volume avassalador de informações. Essa avalanche informacional, embora nos traga conhecimento, também nos confronta diariamente com cenas de violência, crimes e situações profundamente perturbadoras. Não se trata de negar a realidade desses acontecimentos, tampouco de minimizar sua gravidade. Faz-se necessário, contudo, refletir sobre o impacto que essa exposição excessiva exerce sobre nossas emoções, comportamentos e reações.

Muitos dos conteúdos que consumimos são impulsionados por interesses midiáticos, que priorizam o sensacionalismo e a audiência. Assim, a violência transforma-se em espetáculo, alimentando um ciclo de indignação, medo e, por vezes, ódio. Diante disso, é fundamental questionarmos: até que ponto somos influenciados por essas narrativas? E, mais importante, como reagir de forma consciente e construtiva diante de tamanha desarmonia?

Recentemente, casos que chocaram a opinião pública foram amplamente comentados, revelando não apenas a brutalidade dos atos cometidos, mas também a ausência de compaixão e empatia por parte de muitos. São atitudes repugnantes, que ferem profundamente os princípios do respeito à vida e à dignidade do ser humano – Espírito em evolução, parte da obra divina. Naturalmente, não devemos compactuar com tais comportamentos. Entretanto, é igualmente necessário observar como reagimos a eles.

A indignação é compreensível, mas não pode nos conduzir a atitudes igualmente violentas. Em nome do amor ao próximo, não podemos nos tornar agentes de mais desamor. A transformação moral de que a humanidade tanto necessita não será alcançada pela imposição da força nem pela vingança. A resposta que devemos oferecer precisa estar alicerçada em mudanças profundas e duradouras, capazes de conduzir à extinção da violência em nossas vidas, e não à sua perpetuação.

Diante de fatos que dominam a mídia e inflamam as redes sociais, é comum observarmos reações pautadas no ódio, na vingança e em julgamentos precipitados. No entanto, como já foi sabiamente dito, se o mundo fosse regido pela lei do “olho por olho, dente por dente”, todos acabaríamos cegos e desdentados. Esse não é o caminho ensinado por Jesus.

O Mestre nos orientou a amar o próximo como a nós mesmos e, mais ainda, a amar até mesmo os nossos inimigos. Ele jamais nos incitaria a crucificar moralmente, seja em praça pública, seja no ambiente digital, aqueles que erram. Como nos ensina O Evangelho segundo o Espiritismo, “Amai os vossos inimigos. Fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam” (cap. XII, item 7).

Quando um ato de violência nos choca, devemos, antes de tudo, observar as reações que ele desperta em nós. É preciso sermos juízes de nossas próprias emoções, avaliando se estamos sendo movidos pelo legítimo desejo de justiça ou pelo impulso da vingança. A justiça divina não necessita da intervenção violenta do ser humano. As leis humanas, por sua vez, devem continuar a se aperfeiçoar, buscando aproximar-se cada vez mais dos princípios de equidade e amor que regem as leis divinas. Não nos cabe, porém, empunhar armas – físicas ou simbólicas – para julgar e condenar. Nosso papel é outro: sermos instrumentos da paz.

Diante da enxurrada de comentários e reações desmedidas que tomam conta do espaço público, o convite que se faz é para que cada um de nós se torne um agente de transformação. Que a paz que desejamos para o mundo comece em nós, conforme nos ensinou o Cristo. Que a extinção da violência tenha início em nossa decisão íntima de não cultivar o ódio, a vingança e o desejo de retaliação.

A mudança individual é o primeiro passo para uma transformação coletiva. É por meio dela que poderemos, um dia, construir uma psicosfera planetária na qual atos de violência contra os seres vivos não mais encontrem sustentação vibratória. Para isso, é necessário orar não apenas por aqueles que sofrem a violência e a injustiça, mas também por aqueles que as cometem. Eles também são nossos irmãos, igualmente necessitados de correção, amparo e exemplos que não estejam pautados na violência, mas no amor.

Outro ensinamento de Jesus que merece ser incorporado a essa reflexão é o dos escândalos. Ele nos alertou de que escândalos haveriam de surgir, mas ai daqueles por quem eles viessem. Essas situações de profunda revolta coletiva, que nos fazem sentir agredidos pela brutalidade dos atos cometidos, são justamente os escândalos característicos do período de provas e expiações pelo qual a Terra ainda transita. Vivemos uma fase de transição espiritual intensa, em que forças resistentes à evolução lutam para se manter, apesar do avanço moral inevitável que se anuncia.

Por isso, é preciso reafirmar: já estamos em transição. E essa transição nos conduz a caminhos de maior proximidade com o amor, a compaixão e a verdadeira justiça – aquela que não se impõe pela força, mas que se manifesta pela transformação interior.

Como nos lembra O livro dos Espíritos, “Os maus são, por vezes, os mais numerosos, mas não têm força senão enquanto os bons forem tímidos”(questão n. 932). Que não sejamos tímidos em nossa bondade, mas ativos na propagação da paz. Que nossas vibrações, palavras e ações estejam pautadas no amor, e não no desamor.

E que, como ensina ainda O Evangelho segundo o Espiritismo, “A afabilidade e a doçura são a manifestação da caridade”(cap. IX, item 7). Que saibamos ser afáveis e doces, mesmo diante da dor, para que nos tornemos verdadeiros instrumentos da regeneração que já se anuncia.

Que Deus nos abençoe e nos fortaleça em nossa caminhada.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Aproveite Esta Oferta!

Conheça as produções da Editora FE

Assinatura Open Sites